Voto útil é parte da fraude eleitoral

ciro e alc

As últimas pesquisas sinalizam claramente que a direita golpista que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e condenou, sem provas, e mantém preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está preparando um novo golpe nas eleições, depois de ter cassado a candidatura do candidato que o povo queria na presidência, violando para isso a Constituição Federal, mais uma vez.

Trata-se da velha e conhecida tática do “voto útil”, que consiste em induzir, principalmente por meio da divulgação de pesquisas manipuladas, parte do eleitorado a votar em um candidato sem apoio popular real, para – supostamente – evitar a vitória de um candidato apresentado como o “mal maior”, ou até mesmo como a encarnação do capeta.

Esse truque já foi usado um sem número de vezes em eleições nacionais e regionais, nas últimas décadas. No final da ditadura militar, por exemplo, depois de derrotar a mobilização popular em favor das eleições diretas, a direita lançou a campanha que era preciso apoiar a eleição de Tancredo Neves e José Sarney, no Colégio Eleitoral, para impedir a vitória eleitoral de Paulo Maluf, do PDS, partido oficial da ditadura militar. O resultado é conhecido: a derrota de Maluf com o apoio de certos setores da esquerda, resultou concretamente no governo do ex-presidente do partido da ditadura, isso mesmo do PDS, José Sarney, dando sequência e aprofundando uma série de ataques do regime militar contra o povo brasileiro.

Em várias outras oportunidades, a tática do “voto útil” foi usada para dar a vitória a um candidato do grande capital, capacho do imperialismo e defensor da política “neoliberal” contra o povo, supostamente, para impedir a vitoria de um candidato conservador e direitista, mas que –  de fato – representava um perigo menor para o povo. Foi assim, por exemplo, que o PSDB conquistou vários mandatos em São Paulo; lançando mão dessa tática para derrotar o PT. Em algumas oportunidades, inclusive, conquistando o apoio do partido ou de algumas alas de sua direção, em favor de verdadeiros carrascos do povo.

Agora, o “espantalho” principal da vez, aquele contra quem, supostamente, deveria ser usado o “voto útil” é o candidato reacionário e defensor da ditadura e do golpe militar, Jair Bolsonaro (PSL). Em torno dele, se montou toda uma operação para aprofundar a fraude da vontade popular, em eleições já comprometidas pelo golpe da retirada da candidatura de Lula. A unidade em torno da campanha contra Bolsonaro (“ele não!”), evolve desde setores da esquerda “radical”(a mesma que apoiou o golpe de estado) como o PSTU e setores do PSOL, até o PSDB, passando pelo PT e o PP de Maluf.

A manobra consiste, em primeiro lugar, em convencer uma parte do eleitorado de esquerda a apoiar Ciro Gomes, que teria – supostamente – melhores condições de derrotar o candidato petista, de acordo com vários pesquisas. Isso permitiria que parte dos votos que iriam para Lula, que representava nas eleições a rejeição da imensa maioria do povo brasileiro ao golpe de Estado e à sua ofensiva contra o povo trabalhador, fosse desviada para um candidato apoiado por importantes setores do regime golpista e que até poucas semanas antes do golpe de estado, atuava como executivo do vice-presidente golpista da FIESP e presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Assim, Ciro Gomes, o candidato-abutre que buscou desde o primeiro momento tirar proveito da perseguição e prisão de Lula e defendeu que o Brasil não aguentaria um outro governo de esquerda, ajudaria os golpistas a evitar essa “tragédia”.

Essa operação, não teria como objetivo final dar a vitoria ao próprio Ciro, mas fazer com que Geraldo Alckmin, candidato ainda mais identificado com o regime golpista, presidente do golpe de estado por excelência, 100% à serviço dos interesses do grande capital norte-americano que patrocinou o golpe de estado e dá as ordens – de fato – no regime que está levando a economia nacional à falência e promovendo o maior retrocesso nas condições de vida do povo brasileiro de todos os tempos.

Enquanto os votos da esquerda, que se concentrariam em Lula, seriam divididos entre Haddad, Ciro e uma grande leva de votos nulos e abstenções, os votos da minoria conservadora se deslocariam para o candidato capaz de evitar a vitoria do “mal maior”, Bolsonaro, criando-se condições para uma possível vitória do candidato com experiência em privatizações, cortes nos gastos públicos, repressão à luta dos trabalhadores etc. e tudo mais que interessa aos “donos do golpe”, efetivando-se uma fraude eleitoral na qual possa ganhar as eleições um candidato amplamente rejeitado pela maioria da população e apoiado por uma minoria do eleitorado, tal como se deu com João Dória e outros prefeitos, nas eleições passadas.