Cabresto
Modernidades introduzidas pela burocracia sempre traduzem-se em ataques contra os trabalhadores e a população pobre. Substituição de urnas por celulares não é diferente
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conclui a assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais que serão usados nas eleições de outubro (José Cruz/Agência Brasil)
Fraudes contra o voto popular tendem a se tornar ainda mais escandalosas com o uso de celulares | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Segundo denúncia divulgada no jornal capitalista Folha de S. Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem buscando desenvolver um sistema de votação oficial através de aplicativos de celular. O edital para estabelecer o  negócio com empresas desenvolvedoras foi lançado na última segunda-feira (22) e a previsão é de que alguns testes sejam realizados já nas eleições municipais de 2020, nas cidades de Curitiba (PR), Valparaíso de Goiás (GO) e São Paulo. Certamente, uma iniciativa que desmoraliza ainda mais o fraudulento processo eleitoral brasileiro.

O primeiro questionamento talvez seja o mais óbvio. Qual a garantia de que o eleitor, ao votar por meio deste sistema, deposita seu voto em um  candidato livre de pressões diretas, baseado única e exclusivamente em sua própria convicção e não por meio de um assédio similar aos da antiga República Velha (1889-1930), onde imperava o voto de cabresto?

A votação em cabine reservada, bem ou mal, guarda uma aparência de autonomia à escolha, algo que simplesmente desaparece com o sistema em teste. Se a direita brasileira é capaz de colocar seus empregados ajoelhados em calçadas pela defesa dos interesses dos patrões, se empresários como Luciano Hang fazem pressão contra seus empregados em favor do então candidato Jair Bolsonaro sem nenhum pudor, o que os impediria de acompanhar a votação? A resposta é óbvia: absolutamente nada.

Além disso, é preciso lembrar o caso do auxílio emergencial. Destinado justamente para as camadas mais exploradas da classe trabalhadora, o cadastro dessas famílias esbarrou nas mais diversas dificuldades, ocasionadas pela precariedade dos equipamentos, da infraestrutura e também da exclusão digital. A impressão é que o regime político, longe de ver no caos dos cadastros um símbolo do atraso, enxergou uma oportunidade para atacar ainda mais a população.

Em ambos os casos, há ainda o denominador comum que são as massas exploradas sendo atacadas. Seja nas periferias dos grandes centros ou nos rincões do País, são os sempre os trabalhadores que sofrem as consequências das modernidades implementadas pela burocracia e pela direita. A exemplo da absurda obrigatoriedade da biometria imposta pela burocracia, que cassou os direitos políticos de milhões de eleitores pobres das eleições de 2018, há que se destacar que a imensa maioria destes seriam muito mais propensos a votar com a esquerda, especialmente no ex-presidente Lula porém foram afastados por uma decisão burocrática.

Partindo do princípio óbvio de que, vindo de quem vem, coisa boa não pode ser, é preciso dizer que essas medidas não visam nada além de aumentar o controle da burguesia sobre o processo eleitoral, que nunca teve mais do que uma aparência de democrático. Após as eleições de 2018, que entre outras aberrações, tirou Lula da disputa e elegeu Bolsonaro, nem mesmo a manutenção das aparências preocupa a burguesia, que já transformou a luta política no País um verdadeiro faroeste, uma selva onde só uma lei vigora de fato: a lei do mais forte.

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