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PCdoB põe estudantes a reboque dos maiores inimigos da educação

A reboque

O amor da esquerda pequeno-burguesa pelo sistema eleitoral

Acreditando estar lutando contra o bolsonarismo, Marcelo Freixo vai à imprensa burguesa defender o regime golpista

Urnas eletrônicas – Foto: Reprodução

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O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), notório defensor dos assassinos do povo, a Polícia Militar, e da “luta contra a corrupção” que levou Bolsonaro à presidência, também está procurando seu lugar no pódio de maiores devotos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Motivado pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição 135/2019, de autoria da bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), na Câmara dos Deputados, Freixo aceitou o convite de Rachel Sheherazade para criticar o voto impresso. Para quem não lembra, Sheherazade é aquela apresentadora de televisão bolsonarista que virou agora “democrática”.

Quando perguntado sobre a PEC do voto impresso, Freixo foi taxativo: “É um escândalo, um desejo de quem defende a milícia”. Faltou a ele explicar, contudo, que o voto sem a comprovação impressa é um desejo de quem defende a maior de todas as máfias, que é a burguesia pró-imperialista…

A oposição de Freixo ao voto impresso é, como ele mesmo deixa claro na entrevista, uma defesa apaixonada do sistema eleitoral brasileiro: “Eles [os bolsonaristas] pegam uma coisa que está funcionando, que é a urna, que é o sistema eleitoral, talvez uma das poucas coisas que estão funcionando, é sobre isso que eles querem dedicar a atenção e a energia”. “[o sistema eleitoral] é uma das poucas coisas que está funcionando”, parece piada, mas não é. Está eleito um ator pornográfico no Congresso Nacional. A bancada ruralista tem algumas centenas de deputados, os sem-terra, milhões de pessoas, tem um ou dois. A esmagadora maioria dos deputados está indiciada, nenhum cidadão brasileiro diria que não há pelo menos 100 criminosos com anel de doutor na “casa da democracia”, Bolsonaro foi eleito presidente. Witzel, um psicopata, eleito governador Rio. Eduardo Bolsonaro é o deputado paulista mais votado da história. Onde, perguntamos ao psolista, onde está o bom funcionamento do sistema?

A única coisa que parece estar funcionando é que a cada 4 anos alguém é eleito, e olhe lá. Os eleitos representam a vontade popular? Não. Há denúncias de fraude nas eleições brasileiras? Todos os anos, em todos os lugares, em todas as esferas. O Brasil já teve o voto de cabresto (ainda tem, na verdade), já teve o chamado voto à bico de pena. Este é o País da fraude eleitoral desde 1500.

Em qualquer eleição, quem dá a palavra final é o Tribunal Superior Eleitoral. Isso, em si, já é uma barbaridade. Não poderia acontecer em um país que se considera minimamente democrático. Pois, isso significa colocar a decisão mais importante do País, que é a de quem irá governá-lo, nas mãos de uma dúzia de pessoas que ninguém sabe quem é, que ninguém elegeu. No jogo da eleição, o juiz não é eleito. É uma barbaridade.

Se há partidos políticos, eleições e eleitores, mas todos eles estão sob o crivo de uma burocracia, não há como ter democracia.

No caso brasileiro isso é escandaloso. Porque o TSE já cometeu uma série de crimes imperdoáveis. É a corte que impediu que Lula fosse candidato em 2018, que proibiu 2 milhões de pessoas de votar no mesmo ano e que sempre fechou os olhos para o esquema corrupto dos candidatos burgueses e impôs pesadas multas aos candidatos dos trabalhadores e do movimento popular. É, portanto, um pilar fundamental do golpe de Estado e do regime político golpista.

A coisa é tão absurda que Lula foi proibido de aparecer em propagandas do PT para chamar voto em Haddad.

E por que Marcelo Freixo estaria tão disposto a defender o TSE? Por dois motivos. O primeiro e mais superficial deles é que a esquerda pequeno-burguesa, composta por uma série de elementos avulsos, sem relação com a classe operária e, portanto, incapazes de defender um programa, defende tudo aquilo que estaria, supostamente, em oposição ao bolsonarismo. É um vale tudo. Para atacar Bolsonaro Freixo defende as piores atrocidades do sistema político brasileiro, que, aliás, é o pai do mandato de Bolsonaro.

Esse comportamento esquisito, que revela a falta de princípios da esquerda pequeno-burguesa, encontra paralelo em vários outros problemas políticos. Na questão do armamento, com a qual Bolsonaro faz bastante demagogia, a esquerda pequeno-burguesa também apresenta uma concepção reacionária: defende que a população esteja desarmada somente porque isso seria uma posição da extrema-direita. Mas é? Armar o MST para enfrentar os ruralistas é algo que a extrema-direita defende?

Até mesmo em relação à pandemia, que merece uma crítica muito dura ao governo federal por assassinar quase meio milhão de pessoas, a esquerda pequeno-burguesa ignora completamente que o “lockdown” é, também, uma política de ataque contra os mais pobres. Para se opor ao governo federal, apoiaram o esmagamento do povo pobre nas mãos de Doria e outros governos estaduais.

Esse “antibolsonarismo” de aparências só leva a esquerda para o buraco. Por um lado, porque a extrema-direita não tem um programa bem definido. É apenas um movimento confuso, que se baseia na demagogia com problemas reais da população, mas que serve sempre aos interesses dos capitalistas. A maior crítica que deve ser feita ao bolsonarismo diante dessas políticas, portanto, é a de apresentar as suas limitações, a sua desonestidade, a sua incapacidade de levar até as últimas consequências a defesa daquilo que é de interesse popular. Por outro lado, o “antibolsonarismo” de aparências é um grave erro porque ignora completamente a lei mais importante do funcionamento da sociedade: a luta de classes.

Bolsonaro é um fascista, um ser asqueroso, um genocida. Mas não está acima da luta de classes. E a esquerda, para conduzir os trabalhadores rumo à vitória, precisaria ter isso muito claro. O desemprego recorde de 15 milhões de pessoas, a fome arrasadora de 60 milhões de brasileiros, a liquidação do patrimônio nacional (Vale do Rio Doce, Petrobras, Eletrobras, Banco Central etc.) e os milhares de mortos da pandemia são produto de uma necessidade dos capitalistas. A burguesia, diante da crise econômica mundial cada vez mais profunda, está saqueando todos os povos do planeta. Seja o pirata da vez Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Moro, João Doria ou Jair Bolsonaro, todos cumprem o mesmo papel: são servos da burguesia.

E essa burguesia que controla o regime político no Brasil. Que controla a polícia, o Congresso e, claro, o Poder Judiciário. Que controla, portanto, o TSE. Que controla, finalmente, as urnas eletrônicas. É essa burguesia que fraudou as eleições de 2018 na maior cara de pau. Por que não poderia, portanto, violar as urnas? De um ponto de vista tecnológico, isso é plenamente possível. A burguesia corrompe a tudo e a todos para cumprir com seus interesses, e o golpe de 2016 é a prova disso. De um ponto de vista moral, é óbvio também que não há qualquer impedimento para a manipulação das urnas.

Mas é aqui, contudo, que reside o segundo motivo pelo qual Freixo tem tanto carinho pelo TSE. Freixo defende a burguesia e seu regime porque ele próprio é um elemento do regime. É um político profissional, cuja carreira foi toda pavimentada no regime. Sua carreira de deputado depende do regime e, por isso, jamais irá se indispor com ele. Tanto é assim que, na mesma entrevista, Freixo admitiu publicamente que estaria conversando com o PSB para ingressar no partido. Freixo não tem amor a um programa ou até mesmo ao partido que lhe ajudou a se tornar deputado, seu único compromisso é com a sua carreira.

Marcelo Freixo, ao defender a urna eletrônica cegamente, apenas confirma que faz parte da ala direita da esquerda nacional. Da ala que, em vez de expressar a tendência dos trabalhadores a lutar contra o golpe, expressa o que há de mais podre na pequena-burguesia: o apego ao regime político, não importa para que lado ele vá.

A questão das “milícias”, neste sentido, é apenas um pretexto encontrado por Freixo para embasar a sua defesa das urnas eletrônicas. Mostramos, neste artigo, que a defesa das urnas eletrônicas não tem uma base racional, é resultado somente do interesse do pequeno-burguês carreirista. O pretexto da milícia é apenas desonestidade e ainda mais direitismo do deputado, que já deu várias declarações neste sentido:

“Você imagina como em uma área de milícia (…) você passar o recado para a população de que em algum lugar está anotado o seu voto. A milícia nunca mais perde uma eleição” (Metrópoles, 24 de maio de 2021)

Mais assusta pensar que em lugar nenhum está anotado o voto, e, portanto, o resultado eleitoral pode ser qualquer coisa, não sendo auditável. Marcelo Freixo, talvez por incompreensão sobre como funciona um dispositivo eletrônico, pensa que os computadores não “anotam” as coisas. Talvez pense que os milicianos não teriam condições de usar um computador? É óbvio que a urna eletrônica pode ser violada, não há dispositivo na terra que não possa. É fato também desaparecer com 5 milhões de votos numa urna eletrônica é infinitamente mais simples que desparecer com 5 milhões de votos no papel.

“Bolsonaro defende o voto impresso porque sabe que ele favorece os currais eleitorais das milícias. Não importa se o eleitor não vai levar o comprovante para casa, o simples fato dele existir já vai ser usado pelos milicianos para espalhar o terror nas periferias” (Twitter, 7 de janeiro de 2021).

Esta é outra ideia perturbada. Os eleitores numa área de milícia já são ameaçados diariamente. O papel facilitaria isso em que sentido?

“Todo miliciano é defensor do voto impresso” (Twitter, 7 de maio de 2021).

Talvez a família Bolsonaro teria virado acionista de uma fábrica de impressoras!? Que raios significa isso? Se todo o miliciano for favorável ao voto, tornaremo-nos todos monarquistas?

O deputado, na sua ânsia de defender a urna eletrônica, confunde voto aberto com voto impresso. O voto impresso não muda em coisa alguma, o caráter sigiloso da votação. Muito pelo contrário: uma vez jogado o voto na urna, rastreá-lo é muito difícil. No atual sistema, em que cada voto é associado com um cadastro no TSE, e na própria urna. Antes de votar, o mesário escreve o documento do eleitor na urna, aí libera-se a urna para votar. Cruzar o horário em que o eleitor, com o horário que determinado votou entrou na urna não parece nada muito complexo. Determinar, no entanto, quem colocou qual papel dentro de uma caixa, é uma tarefa bem mais complexa.

Não é difícil descobrir quem votou em quem, desde que se tenha acesso às máquinas. O que Freixo trás ao debate, portanto, não é argumento. É apenas terrorismo para assustar o trabalhador. É um bolsonarismo chique, afinal Marcelo Freixo não é de uma área de milícias do Rio, onde governo os fascistas de Bolsonaro. Seu eleitor está no Leblon.

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