Cunha coloca às claras
Os principais personagens e articuladores do golpe são apresentados agora como os “democratas” pela esquerda
Eduardo Cunha e Rodrigo Maia (1)
Cunha e Maia | Arquivo
Eduardo Cunha e Rodrigo Maia (1)
Cunha e Maia | Arquivo

A imprensa de esquerda está divulgando o livro de Eduardo Cunha sobre os bastidores do golpe contra Dilma Rousseff com o ângulo mais óbvio possível: o impeachment foi um golpe tramado pelas costas do PT e do povo brasileiro.

Mas jogar o golpe na cara da direita ou daqueles incautos que insistem em afirmar que não houve golpe no País é o menor dos méritos do livro de Cunha. Até mesmo Michel Temer já admitiu que foi golpe.

O mérito do livro de Cunha – presidente da Câmara e articulador do impeachment – está em que esclarece a luta política atual. Ele revela às claras, retratado por quem teve participação de proa no processo do golpe, qual o papel sujo daqueles que agora são apresentados como grandes democratas, tanto pela imprensa venal como pela própria esquerda, que decidiu apoiá-los na eleição do Congresso.

Em plena discussão sobre a presidência da Câmara dos Deputados, as figuras centrais nas eleições são protagonistas no livro de Cunha. O ex-presidente da Câmara dos Deputados destaca que além de Michel Temer, tanto Rodrigo Maia como Baleia Rossi foram os maiores militantes pelo impeachment de Dilma.

Cunha afirma que Maia foi um dos “principais militantes, articuladores e buscava os holofotes” de sua participação no impeachment.

“Foi no apartamento de Rodrigo Maia, em São Conrado no Rio de Janeiro, em 10 de outubro de 2015, em uma reunião articulada por ele, com o então líder do PSDB Carlos Sampaio e o então líder da minoria Bruno Araújo, que se decidiu a mudança, exigida por mim do pedido de impeachment, que tinha sido apresentado na Câmara.”

A mesma importância como articulador do golpe, Cunha atribui a Baleia Rossi: “Com o impeachment em andamento, contrariando o que Baleia diz, que era um personagem irrelevante no impeachment, Michel Temer nomeia o então líder do PMDB Leonardo Picciani para o Ministério dos Esportes, para que vagasse o cargo de líder e assim Baleia pudesse assumir a liderança com o seu apoio.” E mais adiante: “A força de Baleia Rossi junto a Michel Temer é de tal ordem, que depois em 2019, Michel patrocina e o elege presidente do PMDB nacional, o deixando acumular um poder de líder da bancada e de presidente do partido. A possibilidade de alcançar a presidência da Câmara faria Baleia se igualar ao próprio Michel Temer e a Ulysses Guimarães no acúmulo de funções importantes.”

Eduardo Cunha sabe o que diz. Ele era o homem que esteve à frente do processo político do impeachment e quem a burguesia usou como o articulador público do golpe.

E Cunha conhece tão bem a participação de cada um desses “democratas” no processo golpista que se espanta com a decisão do PT de apoiar Maia e Baleia para a presidência da Câmara.

“No momento em que assistimos ao PT apoiar Rodrigo Maia e Baleia Rossi, como se eles não tivessem tido protagonismo no impeachment, não podemos deixar de registrar essa posição, que chega a ser hilária, para quem viveu aquele processo (…) O apoio do PT a Rodrigo Maia e a Baleia Rossi, nos leva a sensação de que o partido está acometido da síndrome de Estocolmo”.

Não se trata de “Síndrome de Estocolmo”, mas simplesmente de uma política oportunista orientada e conduzida pela propaganda da própria imprensa golpista, essa também personagem fundamental do golpe de Estado. A esquerda está sendo induzida a apoiar os golpistas contra Bolsonaro.

Com essa política, estão apoiando os maiores golpistas contra o subproduto desses golpistas. Bolsonaro não foi o principal articulador do golpe, mas se beneficiou da crise gerada por ele.

Ou seja, o livro de Cunha, que justamente por ser um golpista sabe exatamente o que aconteceu, ajuda a esclarecer o profundo erro da esquerda em apoiar os golpistas. Está fortalecendo os maiores inimigos do povo e os responsáveis por Bolsonaro. São os que derrubaram Dilma mas não querem derrubar Bolsonaro.

A ideia de que Maia e Baleia são democratas contra o fascista Bolsonaro revela-se o que sempre foi: uma enorme farsa.

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