Mais mortes, fome e demissões
Enfrentar e ofensiva, superando a política de capitulação e colaboração com a burguesia adotada pela esquerda burguesa e pequeno burguesa defensora da frente ampla
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Maia, Bolsonaro e Dória: vem aí uma nova ofensiva da direita | Foto: Reprodução
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Maia, Bolsonaro e Dória: vem aí uma nova ofensiva da direita | Foto: Reprodução

Chegamos hoje ao segundo turno, com uma eleição dominada por candidatos da direita golpista, que já conquistou a imensa maioria das prefeituras, em 15 de novembro passado.

As poucas candidaturas da “esquerda”, por sua vez (em apenas cinco capitais) são candidaturas conservadoras, comprometidas com a política de colaboração com a burguesia, com a frente ampla com a direita golpista.

Isto já se deu com os poucos candidatos eleitos no primeiro turno pela esquerda, que inclui latifundiários inimigos declarados do MST e da luta dos sem terra, ex-integrantes de partidos da direita ou, no melhor dos casos, ex-petistas, que abandonaram o partido diante da pressão do golpe de Estado ou, antes disso, da campanha reacionária “contra a corrupção” feita pelos maiores corruptos do País.

O caráter reacionário dessa esquerda e seu papel de sócios ultra minoritários da direita golpista fica explícito também nas alianças que estabeleceu nesse segundo turno em que aparecem apoiando candidatos dos setores mais reacionários da direita, como no caso do apoio ao DEM no Rio de Janeiro, sob o pretexto (amplamente usado pela burguesia) de “derrotar o bolsonarismo” e até mesmo bolsonaristas como no caso de São Luís, onde o PCdob apóia o Republicanos ou de João Pessoa, onde o candidato apoiado é do clã Lucena, do PP, partido que detém a liderança do governo Bolsonaro na Câmara, e cujo presidente, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que “apoiará Bolsonaro na próxima disputa presidencial e que seria um ‘sonho’ tê-lo filiado ao partido“.

Com essa política e a ausência de qualquer defesa da mobilização popular diante da crise e até mesmo a condenação da “violência” das manifestações contra os ataques da direita (por Manuela /PCdoB e Boulos/PSOL), como se viu no caso dos protestos contra do brutal assassinato de João Alberto no Carrefou, em Porto Alegre, essa esquerda evidencia que está – nesse momento – à serviço da política da direita de desarmar os trabalhadores, diante de uma situação em que preparam um nova ofensiva contra todo o povo explorado, diante do agravamento da crise.

Isso já está por demais evidente, mesmo antes do encerramento das eleições municipais mais fraudulentas das últimas décadas, que garantiram a “vitória”da direita golpista e algumas migalhas para seus aliados (“frente ampla”). São claros os sinais do enorme agravamento da crise (que não cessou, apenas ficou oculta no processo eleitoral) e da nova ofensiva da direita que vem por aí, bem distante das promessas de um mundo melhor feitas durante da campanha eleitoral. 

Vem aí, ainda com maior força, o aumento do genocído por meio da pandemia da Covid, relegada a assunto de segundo plano na campanha. A situação que nunca esteve sob controle, se agrava pela total falta de medidas de combate e estamos firmemente ameaçados de que o País chegue a 200 mil mortos ou mais até o final do ano.

Mas, infelizmente, isso não é tudo.

A enorme alta dos alimentos empurra a inflação para níveis superados há décadas e ameaça levar mais de 100 milhões de brasileiros à fome, de acordo até mesmo com os órgãos oficiais, como o IBGE.

Mesmo com a chegada do fim de ano, o desemprego não se reduz de modo substancial e vai muito além dos 14,1% anunciados oficialmente e já atinge – de fato – mais da metade da população trabalhadora.

Frente à esta situação, a política do conjunto da burguesia e dos seus partidos que acabaram de aplicar o golpe eleitoral, é apertar ainda mais os cintos, obviamente dos trabalhadores.

Além da expropriação salarial, por meio da inflação, está decretada a extinção do miserável auxílio emergencial – que foi de R$ 600 e, depois, foi cortado pela metade -, o que vai deixar dezenas de  milhões de brasileiros de quaisquer recursos.

Depois das promessas eleitorais, o que vem por aí é uma maior ofensiva contra o povo trabalhador, que está sendo preparada pelo ilegítimo governo Bolsonaro e todos os governos estaduais e municipais, amplamente dominados pela direita (vencedora das eleiçòes).

É preciso enfrentar esta ofensiva, superando a política de capitulação e colaboração com a burguesia adotada pela esquerda burguesa e pequeno burguesa defensora e praticante da política de frente ampla com a direita golpista como se viu explicitamente no processo eleitoral.

O movimento operário e seu ativismo classista da esquerda precisam levantar a defesa de uma ampla mobilização sob a base de um programa de luta que contemple as reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores diante da crise, junto com a luta contra o regime golpista, tais como a luta:

*  pela reposição imediata de 100% das perdas salariais; escala móvel dos salários, reajuste automático toda vez que a inflação completar 3%;

* pelo Salário mínimo vital suficiente para atender as necessidades vitais dos trabalhador e sua família, que hoje não poderia ser de menos de R$ 5 mil, para cumprir o que dispõe a própria Constituição Federal (art. 7.o)

* pela imediata redução da jornada para 35h semanais: trabalhar menos para que todos trabalhem

* pela manutenção e ampliação do Auxílio Emergencial, com valor de um salário mínimo para todos

* pela estatização do Sistema Financeiro e Não pagamento da dívida interna e externa com os especuladores para garantir os recursos necessários para atender às necessidades da população em áreas fundamentais como Saúde, Moradia, emprego etc.

* contra as privatizações, cancelamento das já realizadas; colocar as empresas estatais sob o controle dos trabalhadores e suas organizações;

* Abaixo o regime de perseguição ao povo negro: dissolução da PM e de todo o aparato repressivo; direito de auto defesa para todos os trabalhadores;

* Contra a perseguição e opressão das mulheres: fim da criminalização do aborto;

* Não à destruição do ensino público. Verbas públicas somente para escola pública. Não às escolas militares. Volta às aulas só com vacina!

* Unir os explorados com Lula candidato e Lula presidente

* Fora Bolsonaro, todos os golpistas e o imperialismo

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