Divergências no bloco golpista
A votação divida no STF sobre a reeleição de Maia e Alcolumbre mostra o que será o cenário dentro do bloco golpista: uma luta para saber quem será o cabeça-de-chapa em 2022
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Revista Veja
Matéria: Senado arquiva CPI do STF.
Geral do Plenário do STF
Foto: Cristiano Mariz
Data: 13/02/2019
Local: Congresso Nacional - Brasília - DF
STF, o órgao golpista | Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal tentou desferir contra a população brasileira mais um golpe de Estado. Coisa que acabou se desmanchando, um fiasco. Dessa vez com a reeleição do Presidente do Congresso Nacional e do Senado Nacional. Desta forma, permitindo que Rodrigo Maia e o Alcolumbre, ambos do DEM, se lançarem à reeleição nas duas instâncias do legislativo. Tratava-se de uma ação completamente criminosa do STF de rasgar a Constituição mais uma vez. Desde o golpe de Estado de 2016 abriu-se um precedente para uma sequência de golpes dentro do regime golpista; como a crise é profunda, os métodos antidemocráticos são, do ponto de vista da burguesia, indispensáveis.  

Votaram contra a reeleição Fux, Barroso, Edson Fachin, Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Ficaram vencidos os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Alexandre de Moraes e Nunes Marques. Nunes votou apenas pela reeleição de Alcolumbre. O que fica visível que houve uma divisão dentro do Supremo em relação à reeleição do Centrão no Congresso e no Senado. E quem foi que barrou foi sua ala mais à direita. 

A expectativa era negativa, devido à experiência da esquerda com o Supremo. Afinal, o órgão é um sustentáculo importante do regime golpista. Referendou a derrubada de Dilma, prendeu Lula e agora guarda a sete chaves a anulação dos seus processos políticos, que retira os direitos da sua candidatura. Diferente de outros casos, esse teve diversos bastidores, o que mostra uma luta política intensa. Teve combinação de votos, julgamento combinado, e até traição política. O que mostra o caráter profundamente antidemocrático do STF. 

Nesse caso foi evidente que o STF estava se encaminhando para mais um golpe de Estado, para interferir diretamente na situação política. Via-de-regra, não seria a primeira vez que o STF legislaria ou interferiria escancaradamente na situação política dentro do regime; longe de serem os guardiões da constituinte, eles são guarda costas do regime golpista. 

A votação é entre duas alas politicamente alinhadas; não há um racha nítido no STF. Uma ala, a que votou pela mudança na direção do bloco golpista dentro do Congresso é uma ala alinhada com o DEM, com o Centrão, contra a ala mais alinhada ao PSDB, que é a lavajatista. Para entender o problema de fundo é necessário conjecturar, não sabemos de nada que evidencia, nos fatos, o problema da divisão no STF.  

Na análise política do companheiro Rui Costa Pimenta na TV 247, ele levanta a hipótese que se abriu dentro da burguesia uma disputa para ver quem vai ser o cabeça do plano “Biden brasileiro”. A disputa se dá entre essa ala direita, DEM, PSD, PP, e a ala “democrática”, “esquerda”: MDB, PSDB. A eleição mostrou que a ala direita está com a iniciativa, e a própria tentativa de golpe no STF também. Maia está em uma situação muito privilegiada dentro da direita, agindo praticamente como um primeiro-ministro; controlando totalmente o governo Bolsonaro. A disputa para 2022 será uma guerra dentro do bloco golpista. 

A figura que está capitalizando o apoio do bloco mais direitista é Doria, com a “guerra da vacina” travada contra Bolsonaro. Mas é importante destacar que os “garantistas”, aqueles que votaram no sabor do momento contra a reeleição, são os que querem passar por cima da constituição. Do outro lado temos Hulk, Globo, PSDB, FHC, a ala que está por baixo em SP. É uma luta interna da direita para ver quem vai disputar a eleição 2022, quem vai representar a maioria do bloco golpista. Tudo que acontecer no País deve ser visto desse ponto de vista; e não deixar Maia ser um árbitro do Congresso Nacional até a eleição presidencial é parte dessa política de disputa dentro da direita. 

No mesmo programa foi levantada a questão do apoio da esquerda à presidência da Câmera. A esquerda é a favor da frente ampla, mas é a favor da ala mais PSDB, Globo, FHC; a exemplo do RJ, onde a esquerda apoiou Paes, da ala mais psdbista do DEM. Quem vai segurar a corda não importa tanto, do ponto de vista dos trabalhadores. A esquerda deve manter distância dos golpistas. “Não um risco, mas um fosso” orienta Rui. É importante destacar que a esquerda não deve apoiar nenhum golpista à presidência do Congresso Nacional, fazer isso nada mais é do que jogar água na política dos golpistas; coisa que não será nenhuma surpresa, mas deve ser denunciado energicamente. 

A esquerda deve ter uma política independente. Se Doria, ou qualquer golpista, ganhar a eleição, eles vão fazer de tudo para acabar com a esquerda; pois essa direita golpista não suporta, no atual regime, uma oposição de direita e uma de esquerda. Deve-se lutar por Lula candidato, por uma saída que envolva as massas oprimidas, que coloque nas ruas os explorados, impulsione greves e a completa desestabilização do regime golpista. É preciso aproveitar profundamente que a esquerda tem em mãos essa arma de mobilização dos trabalhadores; o restante é um engodo.  

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