Volta às aulas em SP
Governo quer o retorno às aulas num dos momentos mais críticos da pandêmia

Por: Redação do Diário Causa Operária

Recentemente, o governador João Doria (PSDB) publicou decreto determinando que as atividades escolares são essenciais. Com isso fica autorizada a abertura das escolas em todas as fases do Pano São Paulo, inclusive na fase vermelha, desde que, obviamente, as escolas sigam todos os “rígidos protocolos”, que tornam, sem dúvida a escola um ambiente “seguro”.

A justificativa se dá difusamente, por vias demagógicas, geralmente se apegando a dados positivos de outros países, via de regra países que se encontram numa realidade social muito distante da nossa: Suécia, Dinamarca etc.

Um governo que nunca deu a mínima para Educação – remunerando mal os professores, precarizando a carreira docente, terceirizando funcionários e mantendo estruturas absolutamente inadequadas – de um momento para outro se vê desesperado com a possível defasagem que os alunos possam sofrer com as escolas fechadas, preocupados com as crianças que tem a merenda escolar (geralmente de péssima qualidade) como principal refeição do dia, até mesmo a ansiedade gerada nos alunos é levada em conta nesse momento. E o mais inusitado, preocupados com o aumento das desigualdades sociais que poderão ser geradas entre alunos de escolas particulares e públicas, uma vez que, em geral, as escolas particulares estão conseguindo manter as aulas de forma online.

Outra justificativa seria o fato de alunos dessa faixa-etária não se contaminariam tanto, ou caso se contaminem não desenvolveriam a forma grave da doença. Além disso, os mais jovens não teriam uma carga viral tão grande como os adultos, forma que os estudantes, teoricamente, também seriam vetores de baixo risco para doença.

No entanto, novos estudos revelam que a realidade não é bem essa. Um inquérito sorológico realizado no Espírito Santo com 1.693 crianças e jovens mostrou que a predominância entre os alunos era muito semelhante a encontrada entre alunos, 6% e 9%, respectivamente. Segundo a pesquisadora Ethel Maciel, da Universidade do Espirito Santo, os estudos mais recentes mostraram ainda que a carga viral das crianças era semelhante aos dos adultos.

Também o Laboratório da volta às aulas presenciais no Brasil, realizado em Manaus (AM) –  sim aquele mesmo estado em que surgiu a nova variante brasileira e recente sofreu colapso do seu sistema de saúde – mostrou que de uma amostra de 1.064 profissionais da educação 10% contraíram a doença. Definitivamente esse número não é ‘extremante baixo’. Há que se considerar ainda a presença predominante da nova variante de Manaus que tem afetado faixa-etárias cada vez mais jovens.

São milhares os relatos de professores e alunos doentes ou que vieram a óbito devido a COVID-19, inclusive em escolas particulares de alto padrão, que certamente tem uma estrutura bem melhor que maioria das escolas públicas do estado e condições de seguir à risca os tais “rígidos protocolos”. A realidade é bem diversa nas escolas públicas da periferia: são salas mal arejadas, banheiros que não funcionam, classes superlotadas.  Quem estudou numa dessas escolas sabe muito bem que encontrar papel higiênico no banheiro era um milagre, sabonete líquido então, um luxo. Em suma, as escolas públicas não têm a mínima condição sanitária de reabrir na pandemia, ainda mais num de seus momentos mais graves.

O fechamento das escolas, contudo, continua sendo um problema, além dos principais atingidos, os estudantes, que tem seu direito à educação negado, afeta sobretudo a vida das mulheres, normalmente as responsáveis pelo cuidado com filhos. Muitas delas tiveram que deixar de trabalhar para cuidar dos filhos, precisaram deixa-los sozinhos em casa ou com outras pessoas, por vezes pagas.

Dessa forma, a solução que muitos propõem, isto é, simplesmente permanecer com as escolas fechadas também se mostra ineficaz – não é um preço que possamos pagar por muito mais tempo. A saída óbvia é vacinação de todos – não apenas dos professores – como requisito mínimo para o retorno às aulas.

A vacinação total da população, contudo, se mostra num horizonte cada vez mais distante, a menos, é claro, que haja pressão sobre os responsáveis pela situação atual. É preciso a greve geral da educação, a mobilização dos estudantes por vacinas e contra o genocídio da juventude, contra o genocídio dos profissionais da educação!

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