Aulas presenciais
Já no campo do ensino básico a situação é de grande risco, porém o governador João Doria prefere ignorar a situação e forçar o início das aulas presenciais enganando a população
A teacher talks to a student in a classroom with desks at a social distance at Professor Milton da Silva Rodrigues school on the first day of classes of Sao Paulo state's schools amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Sao Paulo, Brazil November 3, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Retorno às aulas presenciais em SP tem apenas 5% do contingente, a população se nega a correr riscos | Foto: Amanda Perobelli/Reuters
A teacher talks to a student in a classroom with desks at a social distance at Professor Milton da Silva Rodrigues school on the first day of classes of Sao Paulo state's schools amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Sao Paulo, Brazil November 3, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Retorno às aulas presenciais em SP tem apenas 5% do contingente, a população se nega a correr riscos | Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Os estudantes de ensino superior e básico do estado de São Paulo demonstram que não estão satisfeitos com as medidas de “prevenção” tomadas por João Dória, PSDB, e se negam a aderir à volta das aulas presenciais. O governo de SP investiu forte na demagogia contra a população, mentindo sobre a segurança em relação à COVID-19 na volta às aulas presenciais em universidades e escolas públicas. Desde a aplicação de medidas de segurança nos estabelecimentos de ensino à política de vacinação da população, é tudo demagogia para salvar os empresários que financiam a direita.

A política demagógica da direita se apresenta como um tremendo fracasso, uma situação confirmada pelos dados. É preciso reagir e denunciar a situação.

Nos âmbitos do ensino superior os dados indicam que os estudantes não se sentem seguros para a volta às aulas presenciais. Segundo pesquisa do “Educa Insights”, empresa financiada pelos capitalistas, em trabalho conjunto com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), o número de pessoas que estão adiando o início da graduação aumentou em relação a 2020. Em novembro de 2020 o índice de pessoas que adiaram o início da graduação era de 24%, já no mês de janeiro de 2021, esse índice passou para cerca de 40%. A população está atenta ao alto número de mortes causadas pela circulação ainda muito presente do vírus e, fora isso, o plano de vacinação está, a cada dia que passa, revelando que é apenas uma fraude eleitoral da direita.

Junto a isso, a mesma pesquisa revela o descontentamento a população com a metodologia de ensino à distância (EAD). Houve, em relação ao ano de 2020, uma queda no interesse pelos cursos na modalidade de EAD. Antes a aceitação dos cursos à distância era de 46%, e na última pesquisa esse índice caiu para 38%. Tudo isso revela um grande fracasso na política e no método da direita. A pandemia escancarou de vez a fraude da metodologia EAD, o grande investimento dos capitalistas no ensino superior. O que eles buscam, na verdade, é apenas o lucrar com o sonho dos jovens estudantes, colocando a formação superior em patamares de linha de produção. Segundo declaração do presidente da Abmes, Celso Niskier, as instituições particulares de ensino superior estão preparadas para um ensino remoto de qualidade. Entretanto, não é o que os estudantes entendem.

Já no campo do ensino básico a situação é de grande risco, porém o governador João Dória prefere ignorar a situação e forçar o início das aulas presenciais enganando a população. Isso faz com que os filhos da classe trabalhadora sejam jogados ao risco de testar a resistência de seus pulmões, e até à nova perda do ano letivo.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) contabilizou até a última segunda-feira (08), 209 casos de infecção por coronavírus apenas entre professores e trabalhadores da educação em geral. Os casos de infecção foram identificados em 97 escolas paulistas, no entanto, João Dória está mostrando ser um verdadeiro genocida, pois decidiu pelo fechamento de apenas 7 delas na última semana. Um completo absurdo.

A Apeoeste, junto às famílias dos jovens em manifestação, denunciam que as escolas estão, na verdade, esquecidas e os estudantes jogados à sorte. As medidas de prevenção foram mais uma demagogia de Dória, pois as escolas públicas se apresentam ainda sem condições de oferecer segurança contra a contaminação da COVID-19. Banheiros estão quebrados e mal cuidados, não há condições para que se exerça o respeito ao distanciamento havendo portanto vários momentos de aglomeração, além de que o governo forneceu materiais de prevenção vencidos, como é o caso do álcool em gel em várias escolas.

Na segunda-feira (08), pais de alunos da Escola Estadual Dr. Álvaro de Souza Lima, no Jardim São Savério, zona sul da capital paulista, protestaram ontem contra a volta às aulas em meio à pandemia e denunciaram as condições deploráveis da escolas. A escola estava abandonada, pois o mato estava alto, faltava de energia em cerca de 7 salas de aula, os reservatórios de água estavam vazios.

A situação não é muito diferente em outras escolas. Ainda segundo a Apeoesp, apenas 5% dos alunos voltaram para as aulas presenciais, o que demonstra mais uma vez o medo da população, e a preocupação dos trabalhadores com seus filhos. Isso desmente toda a demagogia da direita que esteve a todo momento durante 2020 convocando a imprensa burguesa para criar a mentira de que havia pressa dos pais para a volta às aulas presenciais. Os pais só estarão seguros, na verdade, quando seus filhos forem devidamente vacinados.

Os acontecimentos demonstram que, mesmo com a paralisação do movimento estudantil, que não movimenta alternativas de mobilização contra as atrocidades cometidas pela direita em SP, a juventude e os responsáveis pelos seus filhos demonstram insatisfação e o medo com as aulas presenciais de diversas maneiras. Isto é, a maioria da população tem medo da infecção e não quer arriscar a vida de seus filhos, sendo contra a volta às aulas presenciais sob essa situação calamitosa que o governo da direita, junto aos empresários, querem empurrar a população.

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