Você sabia que Hitler foi financiado pelos grandes capitalistas? Descubra mais na Universidade de Férias

henry ford e hitler 2

Se hoje o nazismo é considerado uma monstruosidade, uma abominação, um projeto de poder implantado à custa de milhões de assassinatos e um regime de violência e medo, que procurou eliminar todos os adversários, reais ou inventados, com a conivência de parte da população alemã, temos que lembrar que nem sempre foi assim.

O próprio Hitler foi visto por bastante tempo como inofensivo, às vezes afável, outras mais parecia um lunático, mas não se o retratou como um genocida. O mais intrigante para alguns estudiosos, considerando suas características pessoais,  foi o como Adolf Hitler chegou a se tornar o líder de uma nação como a Alemanha. Também não é objeto costumeiro de consideração, a relação entre capitalismo e nazismo.

Sem entrar na questão de psicologia de massas e do ressentimento que os alemães guardavam desde o fim da Primeira Guerra Mundial, é importante considerar o papel da burguesia para o estabelecimento e crescimento do nazismo e o fato de que os capitalistas não hesitaram em participar do governo e dar-lhe todo o suporte possível, inclusive tecnológico.

Para termos uma ideia da relação quase natural entre capitalismo e nazismo, consideremos que, segundo estudos recentes, a palavra privatization (privatização) apareceu pela primeira vez em inglês nos anos 1930, como uma tradução para a palavra alemã Reprivatisierung, cunhada durante o Terceiro Reich. Hoje sabe-se que durante metade dos anos 1930, o regime nazista transferiu enorme quantidade de propriedades públicas para o setor privado, antecipando uma tendência posterior no Ocidente capitalista de reprivatizar/privatizar empresas estatais de forma sistemática.

Embora se veja o nazismo como um sistema misto: capitalista, mas com uma economia altamente planejada, o certo é que manteve seu caráter de classe e favoreceu o empresariado, em particular os industriais. Mais de uma vez, Hitler afirmou que os trabalhadores não tinham direito a emitir qualquer palavra sobre o estado, pois seria uma “perversão da ordem natural, eterna, da sobrevivência dos mais fortes”. Quanto aos industriais, ao contrário, disse que “teriam trabalhado à sua maneira para chegar ao topo, por suas próprias habilidades, o que seria prova de sua capacidade – capacidade que apenas uma raça superior pode exibir, o que lhes dá o direito de liderar”.

Hitler não chegaria onde chegou sozinho, sem apoio, principalmente financeiro. Mas o poder tinha um custo, e isso está claro nos discursos do ditador nazista, e na determinação de entregar aos capitalistas o máximo possível das empresas estatais, recebendo em troca o aporte financeiro necessário para sustentar a guerra e todo apoio para conter os trabalhadores.

Mas não apenas o apoio financeiro e nem apenas os capitalistas alemães foram importantes para que o nazismo se implantasse. Henry Ford, um icone do capitalismo moderno, agiu de forma direta, por meio de sua Ford Motor Company, e pode ser considerado o inventor do anti-semitismo político, quando publicou e disseminou mundo afora os falsos “protocolos dos sábios de Sião.” Esse livro de Ford tornou-se uma especie de Bíblia dos anti-semitas alemães, fundamentais para dar corpo ao partido nazista.

Henry Ford recebendo de oficiais nazistas a Grã-Cruz da Águia Alemã, 1938.

Entre os muitos alemães influenciados pelo livro de Henry Ford estava Adolf Hitler. O Führer leu este trabalho dois anos antes de escrever o seu “Mein Kampf” . Ali,  Hitler registra: “toda a existência deste povo é baseada em uma contínua mentira, [como] mostram de forma incontestável os ‘protocolos dos sábios de Sião’. ”

Não por outro motivo, há uma percepção de que o Fordismo teria uma conexão estrutural com o fascismo. Se compreendermos o fordismo como um dispositivo de controle capitalista sobre a força de trabalho industrial, será durante o Nazismo que ele se tornou preponderante na Alemanha.

Há muitos motivos para acreditar que Hitler foi um fantoche da burguesia, que efetivamente era quem continuava a mandar no novo regime. Não esquecer que, logo no início do governo, os nazistas considerados mais extremistas e que, por isso, poderiam representar algum perigo à ordem burguesa, foram assassinados.

Essa relação entre fordismo e fascismo apenas reforça a certeza de que o fascismo é um recurso radical da burguesia para esmagar o movimento operário, para destruir as organizações operárias e, assim, impor uma ditadura burguesa.

Para saber mais sobre essa relação entre nazismo e capitalismo, venha para a Universidade de Férias do Partido da Causa Operária, você vai se surpreender e aprender.