Falsificação
A esquerda pequeno-burguesa que procura apresentar as prisões como uma vitória é na realidade uma falsificação para a frente ampla
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queiroz
Queiroz foi preso na semana passada. | Imagem: reprodução.

Muitos setores da esquerda pequeno-burguesa vêm apresentando as recentes “baixas” entre os bolsonaristas como “grandes vitórias” da esquerda. Apenas nos últimos dias, tivemos a prisão de Sara Winter, a perseguição contra outros elementos da extrema-direita envolvidos no chamado “acampamento dos 300”, a prisão de Fabrício Queiroz e a queda e ameaça de prisão contra o agora ex-ministro Abraham Weintraub.

Analisemos o posicionamento da esquerda: tudo isso realmente representa uma vitória do ponto de vista do avanço da luta das massas e contra o bolsonarismo? Nada poderia ser mais incorreto.

Em primeiro lugar, é preciso identificar que quem realizou essas prisões e essa ofensiva sobre esses elementos do bolsonarismo foi a ala da direita golpista que controla o STF e setores da polícia; em primeiro lugar, o PSDB, mas também o DEM e o MDB.

Em sua disputa para controlar o bolsonarismo, estão demolindo o pouco que sobrou do Estado democrático, colocando em marcha uma máquina de perseguição política contra aliados de Bolsonaro. Todas as prisões foram inclusive feitas de maneira ilegal, baseadas em leis da ditadura militar como a Lei de Segurança Nacional e a campanha ultrarreacionária contra o “terrorismo”.

O que está por trás da operação é um setor igualmente fascista assim como o de Bolsonaro. Ainda sobre essa disputa entre esses setores é preciso ter claro que a ofensiva não atinge o núcleo do governo, o próprio Bolsonaro e os generais, por exemplo.

O que a direita golpista tradicional está buscando com tudo isso é um modo de convivência com Bolsonaro, que anteriormente havia colocado em marcha operações igualmente ditatoriais contra Witzel e ameaçava fazer o mesmo contra Doria.

É bom frisar que, enquanto essa disputa entre alas golpistas se desenvolve, o regime vai-se tornando cada vez mais antidemocrático.

Apenas nesse sentido já seria absurda a ideia de que há alguma vitória da esquerda e do povo nas recentes prisões e na queda do ministro da Educação.

Sobre isso, vale ainda uma nota um tanto quanto cômica sobre a consideração do presidente da UNE, Iago Montalvão, da UJS/PCdoB, de que os estudantes teriam conquistado uma vitória com a queda de Weintraub. Sem entrar nos detalhes de que ele “caiu pra cima”,  como se diz, a consideração ignora algo que deveria ser óbvio: para ter sido uma vitória, no mínimo deveríamos considerar que Bolsonaro seria obrigado a colocar um ministro que fosse a favor da educação. Alguém duvida de que o substituto será tão ruim quanto os anteriores? Claro que não.

Essa política, no final das contas, tem a única função de substituir a luta pela derrubada de Bolsonaro, por isso apresentam tudo como uma grande vitória da esquerda. Uma falsificação.

Outro ponto, e talvez o mais significativo disso tudo, é que caso vença o setor golpista que neste momento se opõe – mesmo que ocasionalmente – a Bolsonaro, será a vitória não da esquerda e do povo. A situação não está definida, mas se acabar definida nesse sentido, na realidade será o fortalecimento de uma ala golpista que teve papel primordial no golpe e na atual situação em que se encontra o País; portanto, na própria subida de Bolsonaro ao governo.

É esse setor golpista, o PSDB, o DEM, o MDB, a Globo, o principal ator do golpe, e não Bolsonaro, que, do ponto de vista das manobras políticas, esteve sempre como coadjuvante.

É esse setor golpista o principal responsável pela prisão de Lula e pela consequente fraude que elegeu Bolsonaro.

É esse setor golpista, ainda, o principal defensor da política econômica de Paulo Guedes. É esse setor que articula os brutais ataques econômicos que o governo Bolsonaro coloca em prática contra o povo e que se iniciaram ainda durante o governo golpista de Temer.

Foram esses que agora procuraram controlar Bolsonaro por meio da máquina antidemocrática que controlam os que fizeram todo o trabalho sujo do golpe de Estado até agora. E são eles apresentados por um setor oportunista da esquerda como os grandes defensores do Estado de Direito.

Apresentar tudo o que ocorreu como uma vitória é uma falsificação; mas é também uma operação de propaganda para justificar a política oportunista de frente ampla dessa parte da esquerda. Joga fumaça nos olhos dos trabalhadores, coloca a esquerda a reboque de um setor golpista tão fascista quanto Bolsonaro. A política dessa frente ampla vai se revelando, portanto, como uma política a favor de Bolsonaro, ao qual pretende manter sob controle.

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