Vitória das mulheres na Irlanda: aprovada a legalização do aborto

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Uma evolução, nas condições das mulheres, ocorreu nesta última sexta-feira (25) na Irlanda. O povo irlandês, por meio de uma consulta popular, votou pela revogação da oitava emenda da Constituição da República de 1983, segundo a qual proibia o aborto exceto em caso de risco de vida da mãe. A penalidade pelo crime podia chegar a até 14 anos de reclusão.

A vitória contou com o apoio de 66% dos votantes, tendo comparecido o total de 64% dos eleitores, o que significa um triunfo bem significativo, pois dá legitimidade popular para a revogação. Numa sociedade onde a influência do catolicismo é marcante ao longo de sua história, a revogação dessa lei ganha ainda mais evidência. Entretanto, o fim dessa repressão não é novidade no país da banda de rock U2. Em 2015 o país já aprovara, por meio de um referendo, a legalização do casamento homoafetivo, além da assunção de primeiro-ministro declaradamente gay.

O próximo passo, segundo Leo Varadkar, primeiro-ministro irlandês, é a elaboração de um projeto de lei para regulamentar o aborto no país. O fim da criminalização representa, de início, um êxito no direito de as mulheres disporem sobre seu corpo da forma que lhes convém. Lado outro, essa revogação representa um enfraquecimento da repressão estatal sobre a população, isto é, um arrefecimento do punitivismo, e deve ser comemorado pelo movimento feminista e anti-repressivo.