Vítima do golpe: líder quilombola assassinado no Pará tinha pedido proteção e denunciado perseguição

Ribeirinha lavando roupa no igarapé Turé, no quilombo Turé III.

Nazildo dos Santos Brito defensor ambiental na Comunidade do Turê III foi assassinado no Pará  há três meses.

O crime continua impune, ele tinha 33 anos quando foi morto, e tinha registrado quatro anos antes de sua morte, boletins de ocorrência na Polícia Civil, no munícipio de Acará, denunciando ameaças que sofria  e por crimes praticados dentro da comunidade quilombola por fazendeiros , posseiros e pistoleiros.  Em abril de 2014 também pediu proteção ao Ministério Publico Federal em Belém.

Conforme reportagem da Amazônia Real  o MPF disse, em nota, que o pedido de proteção de Nazildo gerou o documento n° 1.23.000.000158/2014-33. “Após análises das representações dos ministério em Belém e em Brasília, a instituição considerou que a competência para atuação no caso não era federal, e sim estadual. Por isso, em 14/04/2015 o caso foi declinado para o Ministério Público do Estado do Pará por meio de ofício enviado ao procurador-geral de Justiça” – se passaram 15 meses de quando Nazildo pediu a proteção. Procurada, a assessoria do Ministério Público do Estado do Pará explicou que a Promotoria de Justiça de Acará recebeu, em 30 de abril de 2015, o ofício do MPF. “No dia 7 de maio de 2015, a Promotoria de Acará determinou a delegacia de polícia do Acará obtivesse mais informações sobre o que havia sido registrado no B.O. Reforçou que, caso não tivessem sido adotadas providências, que fosse instaurado, imediatamente, o procedimento policial cabível, sem prejuízo das medidas cabíveis contra o Delegado que não cumpriu com suas obrigações a época.”

O corpo de Nazildo foi encontrado no dia 15 de abril de 2018 na zona rural de Tomé-Açu, que fica na comunidade do Ture III, com marca de tiros nas costelas e na cabeça, porem a motocicleta e objetos pessoais foram deixados no local do crime, configurando a sua execução

Em novembro de 2007, a Fundação Cultural Palmares concedeu à Comunidade do Alto Acará a Certidão de Autodefinição, reconhecendo os moradores como remanescentes do quilombo, que engloba seis comunidades quilombolas em mais de 22 mil hectares. Mas o território não está regularizado pelo processo que tramita no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

A certidão da Fundação Palmares não trouxe paz para o Turê. Brigas entre os moradores e os grileiros/fazendeiros e as empresas do dendê, como a Biopalma, se acirraram.

Os moradores esperam em vão por justiça e proteção policial, pois as ameaças as suas vidas continuam. É necessário a organização de comitês de autodefesa dos quilombolas e a exigência de que as terras sejam de fato regularizadas.