Pandemia
Acidente vascular cerebral, encefalite e condições psiquiátricas foram doenças relatadas em pacientes de covid estudados
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Sars-CoV-2 | Foto: Reprodução

O Sars-CoV-2, vírus causador da pandemia de covid-19, pode infectar células neurais e causar danos cerebrais. É o que revela uma pesquisa desenvolvida na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Instituto D’Or (Idor), o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo partiu da análise do tecido neural de uma criança que veio a óbito pela doença e também de análises em laboratório com neuroesferas humanas infectadas.

A neuropatologista do Instituto Estadual do Cérebro, Leila Chimelli, foi quem examinou o cérebro da criança de um ano e dois meses. Segundo ela, a criança já possuía uma lesão cerebral anterior, uma encefalopatia grave, provavelmente provocada por hipóxia (ausência de oxigênio suficiente nos tecidos para manter as funções corporais), não sendo descartada uma causa metabólica.

Segundo Chimelli, em decorrência dessa lesão, a criança já havia sido internada três vezes com crises convulsivas, a primeira delas em dezembro de 2019, mas foi na quarta e última internação, em abril deste ano, quando já estava infectada pelo novo coronavírus e apresentava uma lesão pulmonar grave decorrente de pneumonia, que a criança veio a óbito.

Para a médica, é importante ressaltar que a lesão cerebral prévia da criança foi agravada pela covid-19. “O mais importante foi detectarmos que o vírus chega ao cérebro. O fato de o vírus ter sido encontrado no plexo coroide [área que produz o líquido que banha o cérebro e a medula], que é uma estrutura ricamente vascularizada e uma barreira natural entre o sangue periférico e o cérebro [líquor], indica que o caminho do vírus para o sistema nervoso central, neste caso, e talvez em outros, seja via sanguínea, ou seja, hematogênica”, detalha a neuropatologista.

O virologista Thiago Moreno Souza, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) na Fiocruz, explica que até agora os estudos mostravam que na massa cinzenta do cérebro não havia sido detectada a presença do vírus. Porém, no revestimento das células que estão na caixa craniana sim.

“O que descobrimos foi que as células neuronais conseguem permitir a entrada do vírus. Ele consegue, então, produzir seu material genético dentro da célula, mas, a progênie viral gerada, ou seja, o ciclo replicativo, não acontece. Portanto, o que entendemos na conclusão deste estudo é que essa replicação no neurônio é abortiva – quando chega lá, não há mais a replicação e, assim, não existe a infecção no local. Contudo, isso não é suficiente para não causar uma lesão. Só o fato de o vírus estar presente no tecido nervoso já é nocivo para as células cerebrais”, explica Souza.

A pesquisa relembra que, inicialmente descrita como uma infecção viral do trato respiratório, a covid-19 mostrou que afeta muitos outros sistemas biológicos, incluindo o sistema nervoso central (SNC). Alerta para o fato de que manifestações neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC), encefalite e condições psiquiátricas foram relatadas em pacientes com a doença, mas os poucos estudos já realizados ainda estão sendo avaliados e debatidos. A pesquisa chama atenção para o potencial do vírus em provocar uma infecção mais grave e letal do que a registrada nos pulmões.

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