Cultura
História do homem, da viola e da cultura caipira, revela sua identidade na evolução musical e cultural
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Folguedo após mutirão, Itaóca. Foto tirada no projeto Cinevale em Movimento 2004. | Foto: Luis Eduardo Tavares
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Folguedo após mutirão, Itaóca. Foto tirada no projeto Cinevale em Movimento 2004. | Foto: Luis Eduardo Tavares

A história da viola caipira, revela sua identidade na evolução musical e cultural do Estado de São Paulo, pois a cultura caipira é a gênese da identidade paulista. Sendo essa expressão cultural, uma das mais importantes da cultura brasileira, que expressa a própria formação da sociedade brasileira, a miscigenação entre portugueses e indígenas. O especialista em Musicologia Ivan Vilela Pinto, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ou o violeiro Ivan Vilela, como é profissionalmente conhecido. O assunto é a cultura caipira que, segundo o músico, “integra e fundamenta a cultura popular de São Paulo”.

Uma das formas mais expressivas de representação da cultura caipira é pela música. Em síntese, a música caipira é conhecida por expressar a vida do homem no campo, bem como o contato com a natureza e a solidão. A moda de viola, como é conhecida a música caipira, também recebe o nome de música raiz. Além disso, eram histórias que falavam sobre o homem do interior, além do cotidiano daquele povo e da paisagem rural, a viola é apresentada como instrumento musical que ultrapassa a produção sonora e chega até os vínculos sociais e emocionais de quem a produz, toca ou escuta.

A chamada viola caipira é um instrumento que se desenvolveu ao longo dos séculos 16, 17 e 18. É constituída, comumente, por braço e caixa de ressonância em formato acinturado e, eventualmente, composto por adornos de madeira em marchetaria, além de dez cordas distribuídas em cinco ordens duplas ou triplas. Desse instrumento surgiram afinações, gêneros musicais, ritmos, toques e modos de tocar que, no contexto mineiro, produzem uma diversidade de referências culturais que se tornam um campo fértil em possibilidades do ponto de vista do patrimônio imaterial.

O ritmo de vida era determinado pelo dia para atividades de esforço e repouso. O aspecto festivo constitui um dos pontos importantes da vida cultural caipira após o mutirão, oferecido pelo beneficiário com alimentos e festa para encerrar o trabalho. Não há remuneração direta ficando o beneficiário com obrigação moral de ajudar quando convocado. A cooperação vicinal era o limite da ajuda.

A história da cultura caipira nasceu do encontro entre os portugueses (bandeirantes) e os indígenas e está intimamente ligada ao bandeirismo paulista. O termo caipira representa a palavra de origem tupi, “caapora”, que significa “morador do mato”, homem do interior conhecido pelos causos. “A cultura do caipira primitivo foi apresentada como economia fechada, agrupamento de vizinhança e equilíbrio instável com o meio obtido por técnicas rudimentares. A cultura caipira, a partir do século XIX sofreu mudança de uma economia de auto-suficiência para a economia capitalista manifestando os sintomas da crise social e cultural.” (CANDIDO, A., 2001).

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