Villas Bôas também quer licença para matar

O aprofundamento do golpe de Estado, com a autorização do governo federal para o envio das forças armadas para o Rio de Janeiro, está desmascarando e revelando o verdadeiro caráter dos generais golpistas. O alto comandante do Exército, o general Villas Bôas, tido até então como um militar “democrático”, “político”, é um dos principais defensores do aumento da repressão contra a população carente dos morros cariocas.

Após declarar que ação dos militares no Rio de Janeiro deveria ter a garantia de não dar origem há uma nova Comissão da Verdade, ou seja, não sofrer nenhuma punição, o general afirmou que os militares necessitam de uma maior direito de autodefesa e um poder coercitivo ampliado. Villas Bôas fez referencia à lei Lei nº 13.491/17, aprovada no final do ano passado, a qual transfere dos tribunais civis para os tribunais militares, o julgamento  dos crimes cometidos pelos soldados contra a população.

Para o comandante, a lei, que já concede total poder para o Exército contra o povo, é ainda muito frágil e contém muitas brechas, precisa ser aprimorada para que não haja nenhum risco dos militares serem punidos por causa dos crimes cometidos contra o povo.

A fala de Villas Bôas é de um total cinismo. O Exército, assim como todos os aparatos repressivos do estado, como as polícias militares, já contam com todo o apoio das instituições para agirem como quiserem sem sofrer qualquer punição. Basta analisar o verdadeiro genocídio cometido pela PM nas periferias das grandes cidades.

Mas, para os generais tudo isso ainda não é suficiente. Querem a garantia de que os seus crimes contra o próprio povo passem ileso e não sejam responsabilizados por nada. Querem carta branca para dar seguimento e ampliar o verdadeiro genocídio social que é cometido contra o povo pobre e trabalhador brasileiro, morador das favelas e comunidades

A intervenção militar no Rio é um passo decisivo para a instituição, de maneira totalmente ilegal e criminosa, de uma nova ditadura militar no país, um golpe militar. É necessário denunciar e a realizar uma verdadeira campanha contra o golpe militar por meio da organização dos comitês de luta contra o golpe, nos bairros, nas fábricas, escolas e comunidades carentes.