Vídeo: “crise humanitária” na Venezuela é desmentida por enviado da ONU

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Da redação – O acadêmico norte-americano Alfred de Zayas é especialista independente da ONU e viajou no final de 2017 à Venezuela, onde entrevistou dezenas de políticos opositores, ministros do governo, membros de ONGs, ativistas de movimentos sociais e coletou inúmeros dados, estatísticas e informações para seu relatório, que será apresentado no ano passado e que desmente a propaganda de que haveria uma “crise humanitária” na Venezuela.

Como enviado especial das Nações para a Venezuela, de Zayas foi ao país para investigar a situação dos direitos humanos. Ele conversou com 35 membros de Organizações Não Governamentais (ONGs) – em que, na Venezuela, grande parte é financiada com dinheiro do imperialismo norte-americano para desestabilizar o governo -, representantes da burguesia (comércio e indústria) – também inimigos do governo -, da Igreja (cujo setor majoritário é opositor), vítimas de ataques da extrema-direita e seus familiares, deputados da direita e também ministros do governo de Nicolás Maduro.

Ele relatou algumas de suas impressões quando voltou da Venezuela, ao jornal alemão Zeitgeschehen im Fokus.

“Eu estive na Venezuela durante oito dias de intensas reuniões consecutivas. Eu pude andar livremente para onde eu queria. Não vi nenhuma criança de rua e não vi nenhuma pessoa pedindo esmola. Eu não vi um único mendigo em Caracas, embora tenha caminhado e dirigido por toda a cidade. Também caminhei pelos bairros mais pobres, onde eu vi filas de pessoas esperando por alguns produtos subsidiados ou racionados. A situação tem muitas facetas, e eu não digo que não haja insegurança alimentar ou nenhuma escassez de medicamentos. Estou simplesmente dizendo que a existência de casos de crianças morrendo de desnutrição ou de falta de medicamentos não caracterizam ‘crise humanitária’”, disse.

Ainda na entrevista ao veículo germânico, de Zayas afirmou que o que se pode observar na Venezuela “é o resultado de uma guerra econômica alvejada” por parte dos países imperialistas. Até agora, os bancos norte-americanos e europeus bloquearam 30 bilhões de dólares da Venezuela, enquanto o governo dos EUA faz uma propaganda cínica de “ajuda humanitária” ao país, de meros 20 milhões.

Esse bloqueio econômico – somado ao boicote na distribuição de produtos básicos nos supermercados por parte da burguesia – gera uma escassez em vários setores, fazendo com que alguns produtos sejam difíceis de se encontrar. “Mas a população não passa fome como, por exemplo, em muitos países da África e da Ásia – ou mesmo nas favelas de São Paulo e outras áreas urbanas do Brasil e demais países latino-americanos”, esclareceu de Zayas.

Ele também lembrou que o governo venezuelano, para tentar driblar a crise, distribui as cestas dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), em conjunto com os movimentos populares. Essa cesta básica abastada é entregue todos os meses para seis milhões de famílias e conta com 18 produtos, dentre os quais 16 kg de açúcar, arroz, óleo de cozinha, farinha, fubá e leite em pó.

Assista a uma parte da entrevista que o especialista da ONU concedeu ao canal Telesur, legendada e postada no canal no Youtube do Diário Causa Operária (inscreva-se!):