Morre um mestre do pagode
Considerado como um dos grandes mestres do samba, Ubirany, do grupo Fundo de quintal, morre no Rio vítima da Covid-19
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ubirany do fundo de quintal
Ubirany (grupo Fundo de Quintal) | Foto: Léo Pinheiro/Framephoto/Estadão Conteúdo/Arquivo

Ubirany Félix do Nascimento, integrante e fundador do grupo carioca de samba Fundo de Quintal, morre, aos 80 anos de idade, vítima de complicações causadas pela Covid-19, nesta sexta-feira (19).

Ubirany estava internado há mais de uma semana.

Ritmista, compositor e cantor do Fundo de Quintal, foi considerado um grande mestre do samba. Coube a ele a criação de um instrumento amplamente utilizado nas rodas de pagode, o repique de mão.

O grupo nasceu no Rio de Janeiro, nas rodas de samba de Cacique de Ramos, berço do samba carioca. O Fundo de Quintal foi responsável por uma verdadeira revolução no samba, ao introduzir um novo andamento para o ritmo, o que  originou um estilo bastante original, o pagode, que rapidamente ganhou os corações dos brasileiros de todas as gerações.

O pagode é um dos ritmos mais escutados e adorados pelos jovens, meninos e meninas, das periferias do Brasil. Mesmo entre os adultos sua popularidade é enorme. Com um ritmo dançante e envolvente e letras românticas e divertidas, o pagode é ouvido em todas as classes sociais, mas, notadamente, na classe trabalhadora mais pobre.

Descoberto e apadrinhado pela cantora  Beth Carvalho no ano de 1977, o Fundo de Quintal gravou, logo no ano seguinte, um álbum com a grande diva do samba, o histórico “De Pé no Chão” (1978), que ajudou a divulgar o novo ritmo por todo o país.

Além do repique de mão, o Fundo de Quintal sempre utilizava em suas rodas de pagode o banjo brasileiro – instrumento criado a partir da adaptação do corpo do banjo original ao braço do cavaquinho por Almir Guineto (1946 – 2017),  integrante da formação original do Fundo de Quintal com o auxílio de Mussum (1941 – 1994) – e o tantã, instrumento de percussão já pré-existente, mas reapresentado por Sereno com uma nova batida.

Ao longo de seus quarenta anos de existência o grupo Fundo de Quintal foi encabeçado pelo próprio Ubirany, Sereno e o exímio pandeirista Bira Presidente, irmão de Ubirany. 

Até então tocado com instrumentos como surdo, agogô, reco-reco, tamborim, pandeiro e cavaco, o samba se renovou com o tempero preciso da cozinha do Fundo de Quintal, cuja discografia foi iniciada em 1980 com a edição do álbum Samba é no Fundo de Quintal.

A revolução de Ubirany jamais foi intencional. Em festa regada a samba e cerveja, Ubirany criou o repique de mão casualmente a partir de repinique, pequeno tambor, com peles em ambos os lados, tocado com a baqueta na mão.

Ubirany eliminou a baqueta, tirou as peles (de um dos lados), pôs abafadores de madeira e rebaixou o aro para facilitar o manuseio do instrumento com a mão, sendo que, nessa última inovação, o ritmista contou com a ajuda de comerciantes de loja carioca de instrumentos de percussão que fabricou o repique de mão em escala industrial.

Com o repique de mão, que Ubirany sabia tocar nas pontas dos dedos, como deve ser feito, sem martelar o instrumento, o ritmista caía no suingue, macio, em interação harmoniosa com o tantã de Sereno. Com a invenção do repique de mão e com a sua forma inovadora de tocar, ajudou a construir o pagode, um dos mais importantes gêneros da música popular brasileira nos últimos 40 anos, dando uma contribuição gigantesca para a música e para a cultura brasileira de conjunto.

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