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A política da direita
Vice de Macri na Argentina quer dinamitar favelas
Miguel Pichetto demonstra que a direita argentina, e do mundo todo, tem a mesma política repressiva contra os pobres do que a direita brasileira
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A política da direita
Vice de Macri na Argentina quer dinamitar favelas
Miguel Pichetto demonstra que a direita argentina, e do mundo todo, tem a mesma política repressiva contra os pobres do que a direita brasileira
Miguel Ángel Pichetto, candidato a vice de Macri. Foto: CARI Argentina
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Miguel Ángel Pichetto, candidato a vice de Macri. Foto: CARI Argentina

O senador Miguel Pichetto, candidato a vice-presidente na chapa do atual mandatário argentino Maurício Macri, declarou na semana passada em uma entrevista que, para combater o tráfico de drogas em seu país, é preciso dinamitar as favelas.

“Na verdade, seria preciso dinamitar tudo, fazer tudo voar pelos ares!”, disse. O comentário foi feito a respeito de uma reportagem televisiva que mostrou imagens de uma alegada fila de pessoas, de setenta metros de comprimento, para comprarem drogas na Villa 1-11-14, uma das maiores favelas de Buenos Aires, com 26 mil moradores, que fica em frente ao estádio do San Lorenzo, no bairro de Nuevo Gasómetro.

Tentando fazer uma demagogia barata e consertar o que disse para não ficar tão feio, Pichetto afirmou dias depois que ele sugeriu dinamitar apenas os locais onde as drogas ficam escondidas, e não a favela inteira. No entanto, esses locais ficam colados a moradias e dezenas de famílias habitam suas proximidades – logicamente seriam vítimas, fatais ou materiais, das possíveis explosões.

Na mesma entrevista, Pichetto demonstrou a face de extrema-direita dos neoliberais macristas, ao culpar os imigrantes pelo tráfico de drogas.

“A Argentina é um país muito generoso, as pessoas vêm para cá e o que fazem? Viram vendedores ambulantes, depois contrabandistas e, em seguida, terminam por vender droga. (…) Em uma favela aqui, havia duas filas. Uma que servia ao narcotráfico paraguaio (…) Não vou classificar a nacionalidade, senão depois vão ficar bravos comigo… Uma certa nacionalidade que tem ligação com a maconha faz a venda da maconha. Outros jovens de fora do país, que também vieram a este país tão generoso, vendiam cocaína na outra fila”, declarou.

A semelhança com o que faz Wilson Witzel no Rio de Janeiro, João Doria em São Paulo, Romeu Zema em Minas Gerais ou Bolsonaro em escala nacional no Brasil, não é mera coincidência. Essa é a política da direita em relação ao tráfico de drogas: massacrar os pobres, os moradores das favelas, os negros – no caso da Argentina, os mestiços e imigrantes paraguaios e bolivianos. Witzel atira de helicóptero nas favelas cariocas, Zema tenta imitar em seu estado, Doria reforça o aparato repressivo da PM em SP. E o candidato a vice de Macri quer simplesmente explodir as moradias dos pobres, de preferência com os pobres dentro. Afinal, é assim que a direita combate a pobreza: eliminando fisicamente os pobres.

Vale lembrar que Pichetto passou a integrar a chapa de Macri em junho deste ano, após se desfiliar do Partido Justicialista – o mesmo de Cristina Kirchner, ex-presidenta de esquerda da Argentina, e candidata a vice na chapa opositora, de Alberto Fernández. O senador sempre foi um representante de peso da ala direita do peronismo.

Por sua vez, Alberto Fernández, que está na frente em todos os prognósticos para a disputa eleitoral que ocorrerá este mês, vem apresentando uma postura cada vez mais direitista – distanciando-se do que foi a política nacionalista de Cristina Kirchner em seu governo. A aposta da burguesia imperialista na Argentina continua sendo Macri, mas, diante da possível vitória de Fernández, ela já dá a sua bênção ao candidato peronista, para que seu possível governo não passe de uma versão do atual governo neoliberal de Mauricio Macri.