Vice de Ciro: Katia Abreu despreza o debate sobre o aborto

Ciro Gomes e Kátia Abreu

Katia Abreu, vice do candidato à presidência Ciro Gomes, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), demonstrou a quem as propostas de governo do presidenciável pretendem atender: a burguesia. Nas 10 perguntas respondidas, foram perceptíveis diversas atrocidades, como, por exemplo, considerar Fernando Henrique Cardoso, e seu governo, de esquerda.

Quando Kátia foi questionada a respeito de pautas importantes no avanço aos direitos das mulheres, o absurdo foi ainda maior. Em uma das perguntas, referentes à discussão sobre a descriminalização do aborto, afirma que “é uma inutilidade discutir a questão do aborto numa candidatura à presidência e vice”, uma vez que “a legislação que está posta hoje é o suficiente”.

É importante lembrar que, atualmente, as leis vigentes criminalizam grávidas que praticam aborto, a exceção de casos de estupro, má formação fetal ou risco de vida a gestante. As penas podem chegar até 10 anos de prisão. Para a candidata a vice presidência, discutir sobre o direito das mulheres decidirem sobre seus corpos e vidas é irrelevante. Na mesma entrevista, afirma ainda que “não gostaria de ver mulher presa por isso”, o que acaba sendo contraditório, já que concorda com a empregabilidade da lei, tal qual está posta.

Quando questionada sobre formas de sua atuação, caso eleita, em decisões voltadas às mulheres, afirma que seus direitos serão conquistados “de forma institucional e democrática, sem grito, sem rasgar sutiã, nem nada disso”. Mas será mesmo que as mesmas instituições que criminalizam e punem gestantes por realização de aborto no país irão solucionar os problemas de repressão e opressão da mulher?

Katia, mais uma vez, demonstrou que sua campanha, e de seu candidato, Ciro Gomes, pouco se importa com pautas relacionadas aos direitos das mulheres. Pelo contrário, ao concordarem com a atual forma de punição a elas, perpetuam a ideia de repressão e opressão a mulher.