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imagem bolsa despencando
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A decisão da Petrobrás em reduzir o preço do óleo diesel em 10% e congelar o valor por 15 dias, anunciado pelo presidente da empresa, Pedro Parente, na noite do dia 23, quarta-feira, causou furor no mercado financeiro. No pregão da Bolsa de Valores de São Paulo dessa quinta as ações iniciaram despencando em mais de 13%, acompanhando a queda em mais de 9% ocorrida nas negociações do after-market – período das bolsas de valores em que se pode negociar papéis, mesmo após o fechamento do pregão normal – da Bolsa de Nova Iorque.

A queda vertiginosa das ações da Petrobrás reflete o repúdio causado no mercado financeiro à tentativa do governo golpista de Temer em dar uma saída para a greve dos caminhoneiros, que passe para a redução do preço do diesel. Dois aspectos centrais preocupam o mercado.

O primeiro problema diz respeito à capacidade do governo em apontar uma saída minimamente equilibrada para a crise política e econômica que está colocando em xeque as pretensões dos golpistas para o país. O governo Temer está na lona. Salvo as manobras para camuflar os verdadeiros índices de inflação, a decomposição do governo está aos níveis do governo Sarney no final de seu governo, nos anos 80. Diante desse quadro, a debandada de “ratos” pulando do navio acentua o impasse das “reformas” econômicas pretendidas pelos golpistas e por consequência agrava a crise econômica do ponto de vista dos interesses dos principais setores econômicos responsáveis pelo golpe. Um exemplo, nesse sentido, foi a aprovação pela Câmara Federal de projeto que entre outras medidas, reduz a zero o PIS/Cofins sobre o óleo diesel. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente, mas o governo já tenta barrar o projeto no senado sob argumento de que as perdas de receitas seriam da ordem de R$ 12 bilhões e não os R$ 3,5 bilhões estimados pela câmara.

O segundo problema, que em certa medida se relaciona a esse, mas por envolver diretamente os “donos do golpe” atingem proporções muito mais graves, diz respeito à independência da Petrobrás diante do governo. Segundo declaração de um analista de mercado ao Jornal O Globo, nessa quinta, “A questão mais importante será qual o novo nível de prêmio dos preços domésticos de combustíveis sobre os referencias internacionais a ser mantido pela empresa depois desta janela de 15 dias”.

Trocando em miúdos, essa política nada mais é do que a subordinação da Petrobrás às grandes empresas de petróleo dos países imperialistas. Qual o resultado prático dessa política? Com a elevação do preço dos combustíveis de acordo com parâmetros ditados por essas empresas, o mercado brasileiro para os produtos refinados importados, se torna bem mais atrativo. Ou seja, o Brasil exporta petróleo bruto e importa gasolina, diesel, etc., etc.

Para se ter uma ideia do que isso significa, na prática, segundo dados, também, do jornal O Globo, 29/12/2017 – um dos setores da imprensa artífices do golpe -, entre janeiro e novembro de 2017 o Brasil importou mais de 200 milhões de barris de derivados de petróleo, um aumento de 25 % com relação ao mesmo período de 2016. Considerando ainda 2017, a importação de Diesel aumentou em 62,8% e a de gasolina em 53,8%. Para o ano de 2018 as previsões do aumento da importação de derivados são maiores ainda, portanto não é à toa que o óleo diesel tenha subido entre julho/17 e maio/18 “míseros” 56,5% na refinaria.

Esse é um dos negócios da “china” resultado do golpe de Estado. O Brasil que é auto suficiente na produção de petróleo bruto e tem capacidade de refinar mais de 98% do que produz,  transforma-se em um importador do produto beneficiado, acentuando a sua dependência externa e ao mesmo tempo destruindo seu parque industrial em proveito das grandes empresas imperialistas. Esse é um dos objetivos centrais do golpe, tanto aqui como na Venezuela: controlar toda produção, refino, distribuição do petróleo desses países.

Moral da história: se há algo de bom nas crises, é que elas expõem todos os interesses podres que por muita das vezes ficam encobertos na névoa da manipulação e da ignorância.

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