Vereador do PSOL: morte de Marielle não foi contra a esquerda, mas contra democracia; o que é a democracia se não a esquerda?

Desde o escandaloso assassinato da vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, Marielle Franco, parte da esquerda, e até mesmo do próprio PSOL, tem se posicionado no sentido de apoiar uma “investigação” da polícia sobre o ocorrido. O deputado psolista Marcelo Freixo, inclusive, disse que acompanha de perto o trabalho da polícia e pontua que “se acharmos que a polícia errou, vamos gritar”. Ou seja, para ele até agora, a Polícia – neste momento comandada por um general interventor – não errou e se um militante da esquerda for morto com 4 tiros na cabeça por policiais assassinos, a solução proposta é “gritar” para que a polícia investigue suas próprias ações. Fica difícil saber se a melhor reação seria rir ou chorar diante da “ação” proposta.

Outro vereador do PSOL no Rio, Tarcísio Motta, fez questão de jogar ainda mais lenha nessa fogueira de confusão, ao dizer que o ocorrido “não é um atentado contra à esquerda, mas à democracia”. Ora, não é a esquerda que defende os valores democráticos? Marielle não foi morta justamente por ser oposta à política direitista dos policiais e militares? Então é um crime contra a esquerda sim. O próprio general Richard Nunes, secretário de segurança do Rio de Janeiro, admitiu que a morte tem a ver com a atuação política da vereadora.

Além disso, nessas declarações e na atuação em geral do PSOL e de alguns outros setores da esquerda há o claro objetivos de desvincular o assassinato da companheira a um bárbaro crime político cometido em plena vigência do verdadeiro golpe de estado estabelecido no Rio com a intervenção militar, o qual não só levou à morte da vereadora, como está promovendo chacinas como na Rocinha e em Maricá, onde entre os cinco jovens assassinados, na semana passada, havia dois jovens militantes do PCdoB.

Esses setores cumprem um papel vergonhoso nesse episódio de clara execução política de Marielle Franco. A vereadora foi assassinada, muito provavelmente por policiais, e ainda por cima com a anuência dos militares que comandam a segurança do Rio de Janeiro, justamente por sua posição política e a solução da esquerda pequeno-burguesa é justamente pedir ajuda para a própria polícia e negar que haja uma perseguição à esquerda.

As vítimas pedem para que os assassinos investiguem os atos deles mesmos. Beira o absurdo, mas é a realidade.