Veracel Celulose gera conflito entre movimentos de luta pela terra na Bahia

Foto-Fábrica-Nilton-Souza

Uma das maiores empresas de celulose do Brasil, a Veracel, gerenciada pela brasileira Fibria e pela finlandesa Stora Enso, está estimulando o conflito entre dois movimentos de trabalhadores sem-terra, Associação Dois de Julho e a Associação Sapucaeirinha,  em torno da disputa por indenizações e transferência para terras na região da cidade de Eunápolis, no extremo-sul da Bahia.

Em novembro do ano passado, um contrato havia sido feito entre a Veracel e diversos movimentos sociais representando os trabalhadores sem-terra da região, com a intermediação do Governo do Estado da Bahia. Nele, a empresa, que tinha expulsado camponeses das terras em que eles moravam e trabalhavam, se comprometia com o pagamento de indenizações a essas pessoas e com a sua realocação para as terras de onde haviam sido criminosamente removidas.

Mas, ao invés de honrar o acordo fechado diante da Justiça, a Veracel realizou uma manobra típica de capitalistas desonestos: colocou assentamentos da Associação Sapucaeirinha em terras em que originalmente estavam trabalhadores da Associação Dois de Julho com a clara intenção de estimular um conflito entre esses dois movimentos, deixando diversas famílias sem ter onde morar nem trabalhar. A desonestidade da empresa gerou grande revolta entre os sem-terra e a Veracel agora está sendo cobrada pela população para que faça o que havia se comprometido a fazer, da forma como deveria ter feito desde o princípio: Devolver para os trabalhadores as terras em que estavam assentados antes de serem escurraçados pelos jagunços dos capitalistas.

No Brasil do Golpe de Estado, conflitos entre latifundiários ou empresas com terras na zona rural e populações sem-terra se multiplicam pelo interior do país e assumem um caráter cada vez mais violento e sangrento, inclusive gerando assassinatos e execuções por parte de jagunços a mando de seus patrões capitalistas. A mobilização popular deve se organizar a fim de montar comitês de auto-defesa no campo que impeçam a ação da direita assassina e de construir a luta pela derrubada do Governo Bolsonaro e a Liberdade para Lula, só assim se poderá dar condições dignas de vida e trabalho para o trabalhador do campo.