Venezuela vai denunciar efeitos negativos das sanções econômicas em tribunais nacionais e na ONU

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Caracas, 07 Mai. AVNA partir da próxima semana, organizações dos direitos humanos vão denunciar nas Nações Unidas e tribunais nacionais as consequências devastadoras das sanções coercitivas, aplicadas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) e seus aliados internacionais, contra a economia venezuelana.

“Na semana que vem iniciaremos com a primeira denúncia e assim sucessivamente tanto no sistema de direitos humanos como em tribunais nacionais”, informou Lucrecia Hernández, diretora da organização civil Sures, em entrevista concedida à Agência Venezuelana de Notícias (AVN).

A campanha está baseada em investigações feitas com setores concretos, como os pacientes com HIV ou pessoas com deficiência, sobre os efeitos registrados por causa das restrições na importação de insumos e medicamentos.

“Viemos criando expedientes a partir dos quais vamos fazer as denúncias de como as medidas coercitivas unilaterais afetam setores concretos e como impactaram seu cotidiano, levando em consideração que até 2014 mantinham níveis aceitáveis de satisfação”, disse.

Com a aprovação do projeto de lei destinado a sancionar funcionários venezuelanos, admitido pelo Congresso dos EUA em dezembro de 2014, a distribuição gratuita de medicamentos antirretrovirais se viu afetada, “quando até essa data não havia nenhum inconveniente”.

O desenvolvimento das pessoas com deficiência também foi afetado. Hernández denunciou obstáculos na compra de bengalas e outros produtos necessários para atender às pessoas com problemas auditivos, assim como na importação de peças específicas de software educativos.

Ela explicou ainda que 36% dos medicamentos necessários para garantir o direito à saúde na Venezuela vêm dos EUA, nação que impôs severas medidas contra o Banco Central da Venezuela (BCV) e a estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa).

“A importação destes insumos provêm diretamente dos países que aplicam as medidas. O sistema de países que impõem medidas coercitivas, na prática, querem mudar o regime político-económico”, disse Hernández.

A ativista reiterou que a política estadunidense contra a Venezuela atenta, sem dúvida, contra os direitos humanos e limita o livre comércio do Estado, violando a Carta da ONU e o direito ao desenvolvimento dos povos.

Solidariedade internacional

A propósito da campanha #TrumpDesbloqueaVenezuela, orientada a denunciar os estragos do bloqueio econômico e financeiro, Hernández considerou “fundamental” o apoio de organizações internacionais à luta empreendida pelos venezuelanos.

“A solidariedade internacional tem sido fundamental. Há muito tempo viemos recebendo muitas demonstrações de solidariedade ao povo diante da afetação dos direitos como consequência das medidas coercitivas”, acrescentou.

Nesta segunda-feira, o chanceler da República, Jorge Arreaza, apresentou nas redes sociais a campanha #TrumpDesbloqueaVenezuela para exigir a administração do presidente Donald Trump o fim das sanções contra o país sul-americano.