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Privatização
Venda do Pacaembu é destruição do patrimônio cultural e do futebol
Com a privatização, o “Novo Pacaembu” será mais shopping center e menos estádio de futebol
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Privatização
Venda do Pacaembu é destruição do patrimônio cultural e do futebol
Com a privatização, o “Novo Pacaembu” será mais shopping center e menos estádio de futebol
Bruno Covas assina o contrato de concessão do Complexo do Pacaembu. Foto: Rodrigo Soldon
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Bruno Covas assina o contrato de concessão do Complexo do Pacaembu. Foto: Rodrigo Soldon

Nesta segunda-feira (16), o prefeito direitista de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), assinou o contrato de concessão do Complexo Esportivo do Pacaembu à iniciativa privada. Com isso, o Estádio Paulo Machado de Carvalho, um dos mais tradicionais e populares do futebol paulista e brasileiro, deixa de ser municipal e passa a ser controlado pelo Consórcio Patrimônio SP, capitaneado pela construtora Progen (Projetos Gerenciamento e Engenharia S.A), que venceu a licitação para gerenciar o espaço pelos próximos 35 anos, ao valor de R$ 111 milhões, segundo os anúncios oficiais.

O projeto do “Novo Pacaembu” resultará na destruição de um dos grandes patrimônios culturais do povo brasileiro. Como toda empreitada privatista neoliberal, implicará na transformação de um espaço que oferece atividades de cultura, lazer e esporte ao povo em geral, num espaço destinado a servir como mera fonte de lucro para dois ou três grupos capitalistas.

O novo gestor já anunciou que pretende fazer uma megarreforma no estádio. A principal mudança será a destruição do tobogã, arquibancada para cerca de 10 mil pessoas, inaugurada no início da década de 70 em substituição à histórica Concha Acústica. No seu lugar, será construída uma esplanada de 3 mil metros quadrados, ligando o campo de futebol a um prédio comercial de cinco andares (mais quatro subsolos), com 44 mil metros quadrados de área construída. As novas edificações reduzirão a capacidade do estádio de 32 mil para 26 mil pessoas e devem  abrigar cafés, restaurantes, bares, escritórios, estacionamento etc.

As reformas que serão promovidas pelo consórcio têm a óbvia finalidade de adequar o estádio às suas novas funções. Com a privatização, o Pacaembu perderá o seu caráter original, de complexo esportivo público, de estádio de futebol, de local de manifestação popular naquela que é uma das principais atividades esportivas e culturais do brasileiro, o futebol — não à toa, a previsão é de que diminua o número de jogos no estádio, que hoje serve de palco para partidas que vão desde o futebol masculino e feminino profissionais, passam pelo futebol das categorias de base e chegam até o futebol amador, como a Taça das Favelas e a Copa dos Refugiados.

O objetivo da entrega ao capital privado é transformar o estádio público numa espécie de shopping center, num centro de serviços e compras, bem como num polo capaz de incentivar pequenas empresas e empreendedores a se instalarem no prédio. “Com a demolição do tobogã e a construção de uma nova edificação, vamos atrair para o complexo inúmeras outras receitas. Aluguel de espaço, estacionamento, venda de alimentos e bebidas. Futebol deixará de ser a principal receita, vai corresponder a 15% da nossa receita”, afirmou Eduardo Barella, CEO do consórcio, em entrevista à Folha de S.Paulo.

A entrega do Pacaembu aos abutres capitalistas é mais capítulo da ofensiva neoliberal desencadeada com o golpe de Estado de 2016, que levou ao governo da cidade de São Paulo o tucano fascista João Dória, sucedido no cargo pelo seu “pupilo”, Bruno Covas. É preciso denunciar mais esse ataque ao patrimônio público, que não é exclusividade da administração tucana municipal, mas é, antes, uma tendência geral do regime político golpista. Não à privatização do Pacaembu e do patrimônio público em geral! Fora Covas! Fora Dória! Fora Bolsonaro e todos os golpistas!