Venda da CESP: entenda o que está sendo entregue ao imperialismo

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Hoje, dia 7 de julho de 2018, o governo golpista anunciou mais uma entrega de uma empresa estatal ao imperialismo. Trata-se da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), o leilão, em lote único, será realizado em 2 de outubro na Bolsa de Valores de São Paulo, às 10h.

A Cesp foi criada em 1966 e por três décadas permaneceu como a maior geradora de energia elétrica do Brasil. A privatização da Companhia colocará nas mãos dos estrangeiros e de empresas privadas a Usina de Porto Primavera, localizada no Rio Paraná, próximo à cidade de Rosana (SP), no pontal do Paranapanema. A Usina de Porto Primavera possui a barragem mais extensa do Brasil, com 1.540 megawatts (MW) de potência.

A companhia opera, no total, com três usinas hidrelétricas: Jaguari e Paraibuna, cuja a principal finalidade de ambas é regular a vazão do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo fornecimento de água para várias cidades do Vale do Paraíba e do Estado do Rio de Janeiro, como São José dos Campos, Taubaté, Volta Redonda, Angra dos Reis, Ubatuba, etc, e Porto Primavera. Juntas, somam 1.654,6 MW de capacidade instalada e 1.056,6 MW de garantia física de energia.

A Cesp já sofreu com tentativa de privatizações e vendas de suas usinas durante a onda de privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso, a Usina de Porto Primavera entraria no pacote de venda em conjunto com as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, na época por 4 bilhões de dólares. O edital publicado hoje pelo governo do estado de São Paulo anuncia a venda por 4,7 bilhões de reais. O custo de sua construção na época foi 10 bilhões de dólares e ainda hoje, 40% das ações da geradora de energia pertencem à administração estadual.

Além do preço baixíssimo, os golpistas trataram de deixar as condições para a compra mais atraente para os capitalistas, a Usina Porto Primavera, principal ativo do grupo, terá a concessão válida até 2048. Ao mesmo tempo em que acontece essa entrega espantosa, o trabalhador brasileiro já vem sofrendo com a venda da energia brasileira para o imperialismo, em São Paulo capital, os cidadãos tiveram reajuste de 15,84% na conta de luz. Os clientes residenciais tiveram aumento de 15,08%, e as indústrias de 17,67%. O motivo dado para o aumento absurdo da energia elétrica? segundo o diretor-geral da Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, “o reajuste reflete o aumento dos custos com a compra de energia”.

Vale lembrar que a Eletropaulo, que atende a região metropolitana de São Paulo, já foi vendida duas vezes, a primeira para o grupo norte-americano AES, e depois para a italiana Enel. Uma nova onda de privatização e destruição do patrimônio nacional começou. Em conjunto com a Cesp, já está na carteira dos capitalistas estrangeiros a Embraer, Eletrobrás, Cedae e a Petrobrás. É necessário barrar esse golpe nas ruas e impedir que o Brasil volte a ser colônia do Imperialismo.