Universidade Marxista
As proezas do stalinismo facilitaram a invasão alemã da URSS, o que desnuda o mito de “matador de nazista” de Stalin.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Ocorreu nesta quinta-feira (11) a aula de número 15 do curso “O que foi o Stalinismo” da Universidade Marxista. Com um total previsto de 16 aulas, o curso vem ocorrendo há algumas semanas e é sucesso de crítica por parte dos participantes. Abaixo, um resumo do que ocorreu nessa aula.

O pacto da URSS com a Alemanha

 

O pacto germano soviético atendia somente aos interesses alemães. Hitler procurava ganhar tempo na guerra pois não queria travar uma guerra em duas frentes

O pacto foi uma jogada totalmente equivocada. Esse acordo diplomático genial, segundo os stalinistas, mostra que Stalin era um aliado fiel. Ele cumpria de uma maneira meticulosa e séria os acordos. Ele levava à sério a aliança.

O tal pacto teve consequências políticas. Na União Soviética a palavra fascismo deixou de existir e a propaganda era toda pró-Alemanha e contra os EUA, Inglaterra e França.

O acordo Hitler-Stalin vai a tal ponto que Stalin, para mostrar a seriedade no cumprimento do acordo, entregou vários refugiados alemães que estava na URSS para o Hitler.

Stalin fez um verdadeiro bloco político com o fascismo.

Evidenciando essa colaboração, intelectuais do Partido Comunista Brasileiro, encabeçados por Jorge Amado, foram chamados para colaborar com a seção cultural de um jornal fascista no Brasil.

Trotsky comentou que o acordo de Stalin com Hitler deixou Stalin na dependência das decisões do próprio Hitler.

Um dos pontos secretos do pacto germano-soviético era a cessão de partes do território da Polônia. Hitler e sua força avassaladora invade vários países que faziam fronteira com a Rússia. Um verdadeiro cerco da Alemanha à União Soviética. O que Stalin, então, teria ganho com isso? Segundo os defensores do stalinismo, seria que Stalin estava ganhando tempo para se preparar para a guerra. Porém, ele não se preparou para a guerra, pelo contrário, o exército soviético estava uma bagunça no momento da invasão.

 

Preparação para a guerra

 

O stalinismo executou ou enviou para campos de concentração cerca de 40 mil oficiais do Exército Vermelho. Todos os principais comandantes, que tiveram papel importante na guerra civil, foram ou mortos ou exilados. Dos seis marechais, Stalin deixou dois que eram completamente inúteis. Esses dois foram afastados, durante a 2ª Guerra Mundial, por incompetência à pedido dos outros oficiais.

Quase todos os generais foram executados. O expurgo foi tão aberrante que, quando a guerra se torna periclitante, as Forças Armadas Soviéticas estão com tão pouca gente capacitada que Stalin mandou chamar de volta dos campos de concentração vários deles.

Por quê Stalin, que era tido como paranoico por desconfiar de tudo e todos, não desconfiou do descumprimento do acordo por Hitler a não ser dias antes da invasão alemã? A resposta para isso é que Stalin achava realmente que Hitler não invadiria a União Soviética, que seria muto custoso. O pensamento do líder burocrata era que a Alemanha primeiramente derrotaria a Inglaterra antes de se virar contra a Rússia.

Como destacou o companheiro Rui, comparando com a situação atual do Brasil, “é da psicologia do elemento pequeno-burguês. Uma parte expressiva do pequeno-burguês no Brasil adora uma notícia boa. Eles não querem ver os problemas e contradições que vem pela frente. Os direitos políticos de Lula foram retomados e eles não querem saber da onde veio essa decisão ou o motivo da burguesia ter tomado essa ação. Eles vivem num mundo cor-de-rosa”.

Duas coisas chamam muito a atenção na relação entre Stalin e Hitler. Até a véspera da invasão alemã da Russía, Stalin estava fornecendo matéria-prima normalmente para a Alemanha. Por outro lado, em momento nenhum Stalin e sua cúpula acreditaram nas notícias que choviam de todo lado de que Hitler estaria preparando a invasão da União Soviética. “O número de avisos é tão grande que você fica perplexo de ver que esses avisos foram ignorados”. Os principais espiões russos enviaram detalhes de como se daria a invasão e Stalin preferiu não acreditar.

Guerra

 

Nos três primeiros meses da invasão alemã, eles capturam em torno de 4 milhões de soldados do Exército soviético, o que demonstra o nível de desorganização das Forças Armadas soviéticas. A situação era tão crítica que o próprio governo stalinista já vê a luta como perdida. Eles são massacrados em todos os lugares e os alemães, em poucos meses, estão às portas da cidade de Moscou e cercam a cidade de Petrogrado. Os alemães invadem e percorrem quase 700km do território russo em 15 dias e muitos alemães relataram que esta invasão foi muito mais fácil que a da Polônia e outras, que também haviam sido muito fáceis para os alemães.

O objetivo central da invasão alemã à URSS era de dominar as principais cidades em termos econômicos. O plano era ir em direção à Georgia e capturar regiões ricas em combustível e com solos férteis. Mas, os oficiais alemães sugerem a Hitler que eles se dirijam a Moscou, visto a facilidade com que a Alemanha havia invadido a União Soviética. Hitler discorda e, quando muda de ideia, os russos já haviam montado uma defesa mínima de Moscou e a Alemanha entra em dificuldades.

A reação da população à invasão alemã é de alegria em todos os territórios invadidos, visto a insatisfação com o stalinismo. O povo via os alemães como libertadores. Porém, essa população, principalmente o povo eslavo, não pensava que haveria algo pior do que Stalin. Hitler pensava em remover 60% da população dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Rússia 75%. A ideia era enviar toda essa população morrer para a Sibéria e manter o restante trabalhando para os alemães nos próprios países invadidos.

Durante a aula, um documento oficial nazista da época foi lido por Rui e mostrava bem o sentimento corriqueiro entre os nazistas. Nele se dizia:

“Leningrado tem que ser riscada da face da Terra. A existência posterior dessa grande cidade não nos interessa, uma vez que a Rússia soviética tenha sido derrubada. A intenção é lançar-se sobre a cidade e reduzi-la a pó pela artilharia e o contínuo ataque aéreo. Qualquer requisição de que a cidade deva ser ocupada deve ser rejeitado, pois o problema da sobrevivência da população e do suprimento de comida para ela é um que não podemos e não devemos resolver. Não temos interesse em manter mesmo uma parte da população desta cidade.”

Diferentemente da guerra alemã na França, a frente oriental foi orientada a massacrar a população de forma sistemática. Hitler liberou os soldados e oficiais a fazerem o que quisessem com soldados inimigos e com a população civil dos países eslavos. O massacre nessa frente de guerra é muito maior do que o massacre judeu.

A virada na guerra

 

A população, vendo a política de extermínio imposto pelos alemães, começa a se organizar em milícias, o que se espalha para todos os territórios ocupados. Os partizans chegam a ser cerca de 500 mil, o que parece pouco diante do tamanho dos exércitos soviéticos, que são milhões. Mas, por se tratar de uma guerrilha, a capacidade de destruição contra os alemães era muito grande. A guerrilha ia minando posições alemãs e, por exemplo, atacava as longas linhas de suprimento pelo vasto território russo.

O número de trechos de estrada de ferro destruídos pela guerrilha foi enorme. Calcula-se que um terço dos alemães mortos na invasão à URSS foram provocadas pelos partizans. Ou seja, a resistência popular foi a chave da vitória.

Alguns generais alemãs dizem que a resistência dos soldados russos era muito feroz, o que é algo óbvio haja vista o ataque brutal dos alemães sobre os russos.

Se o povo não tivesse reagido desta forma, a União Soviética teria caído pelos alemães.

A organização dos partizans foi feita por oficiais que haviam sido expulsos por Stalin. Destaca-se o general Georgy Zhukov chamado por Stalin para ser Chefe do Estado Maior, função recusada por Zhukov que diz que o lugar dele é na frente de combate.

Os relatos de Zhukov são de que o comando político stalinista tentava se intrometer nas questões de guerra e chegou a dizer certa vez: “eles estão brincando de soldadinho”.

Esse general foi responsável pela defesa de Moscou e pela invasão de Berlim, entre outros tantos feitos. Diferentemente de Stalin não cumpriu nenhum papel real na defesa do país contra os alemães.

Apesar do sucesso da defesa contra os alemães, o custo foi altíssimo e o stalinismo escondeu o número de mortes. Cálculos de estudiosos dão conta de que poderia haver entre 30 e 40 milhões de mortos totais entre os russos.

 

Alteração da História

 

O stalinismo foi reescrevendo a história à medida que o momento político mudava o quadro e as pessoas. O que não era conveniente mostrar, eles não mostravam. Stalin perseguiu muitos comunistas alemães e os enviou para o nazismo.

O Partido Comunista da Polônia, por exemplo, executou a maior parte da direção. Uma única pessoa foi poupada no Partido Comunista ioguslavo. Para poder manter a burocracia ele tinha que liquidar de maneira sistemática não só o revolucionário puro sangue, trotskista, mas todo mundo que tivesse o mínimo de relação com qualquer coisa progressista dentro dos partidos comunistas. Até que se processou um número de pessoas da burocracia completamente indiferentes às loucuras que o stalinismo fazia.

 

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