Rui Costa Pimenta
Resultado apertado evidencia a crise do regime político no berço do imperialismo.
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Rui Costa Pimenta analisa a conjuntura política a partir de uma orientação marxista. | Foto: Reprodução

A Análise Política da Semana é o principal programa da COTV, ocorre todos os sábados a partir das 11:30 e é apresentado pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO). Neste sábado (07/11) o programa teve como tema “EUA: a grande mistificação”. A seguir apresentaremos resumo dos tópicos apresentados.

A eleição norte-americana

A eleição presidencial americana em 2020 evidencia a grande crise por que passa o imperialismo norte-americano, é o reflexo do conflito entre dois setores da burguesia, o setor propriamente imperialista que apoia Joe Biden, representado pelo mercado financeiro, o setor do petróleo e de tecnologia e pelo complexo industrial militar, e uma parcela secundária da burguesia voltada para o mercado interno que apoia Trump.

Trump nunca foi a primeira opção da burguesia americana que o aceitou na última eleição devido o agravamento da crise social e econômica, mas que neste momento decidiu não mais aceitá-lo e prefere colocar no poder um político mais afinado com os interesses imperialistas. Desta forma, a polarização não é em nenhum aspecto o confronto entre democracia e fascismo, como acredita parte da esquerda brasileira que erra por não fazer uma análise das forças por trás de cada candidato.

Qual o resultado da eleição?

Biden contou com o apoio de todo o conjunto da imprensa americana, inclusive das redes sociais, além do conjunto da burguesia que domina o mundo, a exemplo dos bancos e empresas multinacionais. A debilidade do regime é o principal resultado da eleição, onde ocorreu manipulação de pesquisas, exclusão de blogs de apoiadores, censura na TV, redes sociais e todo tipo de medida antidemocrática, e ainda assim, o resultado foi muito apertado.

A crise se aprofunda ainda mais quando Trump contesta o resultado da eleição, acusando-a de fraude. No Brasil a imprensa considera isso uma insanidade, mas o fato é que já houve fraude antes a exemplo do que foi feito para que Bush vencesse Al Gore, que se submeteu à fraude no ano 2000.

Uma vez que Trump vai levar o caso à Suprema Corte, existe uma possibilidade de que a coisa toda escape do controle e ganhe as ruas, o que é no momento a principal preocupação do regime político. Isso ficou evidente quando Trump foi tirado do ar em um discurso ao falar que a eleição estaria sendo fraudada.

Sobre a vitória de Biden, Rui afirma: “achar que existe algum progresso na vitória deste cidadão é algo totalmente fora da realidade.

Metade do povo americano é fascista?

Apesar de ter 50% dos votos, o trumpismo não tem metade da população, ele é o resultado do desmoronamento do regime político. Este regime político aplicou o neoliberalismo nos últimos 40 anos, o que produziu 60 milhões de miseráveis nos Estados Unidos.

Esta política neoliberal foi exportada pra todo o mundo com efeitos catastróficos, como os produzidos no governo Fenando Henrique no Brasil e teve como cume a invasão e destruição do Iraque com a morte de um milhão de pessoas. O povo americano tem consciência de que isso não foi responsabilidade de Trump, mas do grupo político representado por Biden.

Os setores da população que apoiam Trump são muito contraditórios, pois apesar de congregar parte da classe média de direita, também conta com parte de setores imigrantes, parte da classe operária que perdeu o emprego, setores da população negra.

Seria um erro crer que metade da população que apoia Trump é fascista. Com Biden acontece a mesma coisa, Biden tem pouco apoio político da população, ele é resultado de uma série de manobras antidemocráticas que fizeram dele o candidato do partido Democrata, superando Bernie Sanders às custa de muito dinheiro dos tubarões de Wall Street. O apoio da população a Biden foi conquistado à base de chantagem política, uma vez que a eleição é em última análise, plebiscitária.

Resumindo: Biden teve apoio através de uma campanha violenta contra o espantalho Donald Trump. Seu voto foi, mais do que tudo, um voto de protesto contra Trump, contra o “fascismo”. Por outro lado, o voto de Trump também foi um voto de protesto, contra todo o regime político tradicional do imperialismo, representado por Biden.

A importância da crise

O imperialismo americano vem passando por períodos cíclicos de crise deste a derrota para o Vietnã. Após esta derrota uma série de revoluções tiveram lugar no mundo, a exemplo da revolução portuguesa de 1974, do Irã em 1979 e as quedas das diversas ditaduras implantados pelo imperialismo em todo o mundo, inclusive no Brasil.

A crise de 2008 e a derrota americana no Iraque permitiram uma série de transformações, a exemplo do surgimento de uma onda de governos nacionalistas na América Latina e, depois, dos golpes que os derrubaram. A crise atual, portanto, pode dá lugar a uma nova onda de mobilizações em todo o mundo.

A repercussão no Brasil

A imprensa brasileira, assim como a imprensa internacional, é profundamente ligada ao imperialismo. “Esta imprensa fez campanha para Biden como se o povo brasileiro fosse votar e decidir a eleição americana“, afirma Rui.

Parte da esquerda brasileira compartilha da opinião da imprensa burguesa e festeja a vitória de Biden. Já é perceptível que há a intenção de reproduzir aqui a operação de engano das massas que elegeu o candidato do imperialismo com um verniz de esquerda. Isso se evidencia em uma matéria da revista Época, que defende que mesmo com a multiplicidade de partidos é possível ter um Biden brasileiro.

Sobre a suscetibilidade da esquerda a aceitar esta operação, Rui diz: “a burguesia tem muito mais clareza dos seus interesses do que a esquerda, que não se apoia nos interesses da classe operária, mas na média da opinião medíocre da classe média bem pensante.”

Esta operação, que no Brasil recebe o nome de frente ampla, pretende fazer com que a esquerda apoie alguém sem nenhuma popularidade, um legítimo representante do golpe de Estado de 2016, alguém que ajudou a eleger Bolsonaro. “Isso seria um retrocesso inacreditável no Brasil”, diz Rui.

Por este motivo é preciso denunciar toda esta mistificação do que ocorreu nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos a manobra foi relativamente fácil pois a esquerda lá é muito fraca e se restringe a parte do Partido Democrata, mas no Brasil existe o problema do PT.

Bolsonaro e o fascismo

Apesar de fascista, Bolsonaro não tem força para implantar um regime fascista no Brasil, ainda. Para isso seria preciso apoio da burguesia. É um erro crer que a burguesia se opõe ao fascismo. Na verdade o fascismo é uma carta que a burguesia lança mão sempre que necessário. Hitler e Mussolini, por exemplo, foram levados ao poder pela burguesia diante da crise. Da mesma forma a ditadura militar brasileira teve amplo apoio da burguesia nacional.

Este erro de avaliação chegou ao extremo nos Estados Unidos, quando se qualificou de antifascista o grupo político que tem campos de concentração espalhados pelo mundo, que tortura e massacra opositores, que aprovou a famigerada lei patriótica que cassou os direitos da população. Estes genocidas que invadem países seriam, portanto, a salvação contra o fascismo.

Sobre a a falsa ideia de que a burguesia se opõe ao fascismo, Rui diz: “se nos Estados Unidos a burguesia necessitar de um regime fascista, será o próprio Biden ou Bush que irão chamar o fascismo”. “Bolsonaro, aliás foi colocado por eles”, complementa.

O apoio da esquerda a esta operação é uma capitulação antecipada diante do fascismo e precisa ser denunciada e combatida. Esta posição explica, por exemplo, a posição do PCO sobre Boulos que representa a frente ampla, que tem o apoio de Ciro, da Folha, tem uma posição direitista ao defender a polícia e o empresariado.

A frente ampla, portanto, ao se aliar aos criadores do fascismo, é a coisa mais destrutiva para a esquerda no Brasil.

Em oposição à frente ampla, é preciso impulsionar a mobilização popular, uma política que seja independente da direita e uma candidatura de esquerda que possa vencer a direita.

Voltando ao caso Robinho

Gerou muita polêmica a posição do PCO em se opor à histeria punitivista contra o jogador Robinho, o que o impediu de ser contratado pelo Santos. O PCO acredita que não será o sistema judiciário que irá proteger a mulher contra o estupro.

Curiosamente, poucas semanas depois, surge um novo caso que demonstra exatamente a certeza desta posição. O judiciário, com a ajuda do Promotor, que tem como papel acusar, inocenta um empresário filho de um advogado da Globo num caso de estupro.

Isso evidencia a manipulação da opinião pública a que a esquerda se submete. Agora a esquerda que pedia a cabeça de Robinho se vê diante da contradição de apoiar um projeto de castração química de estupradores proposta pela deputada fascista Bia Kicis.

A análise que resumimos acima pode ser acessada na íntegra no canal da COTV no Youtube. Convidamos você a acompanhar nossa programação, sempre com uma análise marxista e revolucionária dos acontecimentos políticos.

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