Futebol paralisado
Uma partida de futebol em que é chamado o VAR, é a garantia de ser ludibriado por decisões tomadas fora de campo
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Uma das salas do VAR | Rodrigo Corsi FPF/ Site Flick

Alguns comentaristas esportivos viam com grande alegria a chegada ao futebol do uso do recurso de vídeo para auxiliar as decisões do juiz durante uma partida, o chamado árbitro assistente de vídeo (VAR do inglês Video Assistant Referee). Bem, com três anos de emprego em vários campeonatos pelo mundo, vemos que esta alegria está sendo superada por uma frustração e um desânimo crescentes, visto que cada vez mais técnicos, jogadores, e principalmente torcedores demonstram o seu incomodo com o uso do VAR.

Este incômodo não é só no Brasil, mas até na liga de futebol que movimenta as maiores receitas no mundo, A Premier League, a primeira divisão da Inglaterra. No sábado passado, o time campeão do mundo Liverpool sofreu o empate nos acréscimos do segundo tempo graças a um pênalti assinalado pelo auxílio do VAR para o Brighton, depois de uma espera de dois minutos para a checagem do árbitro que estava em cima do lance e não tinha visto nada de irregular na jogada, além disso, os diabos vermelhos tiveram dois gols anulados pelo VAR por impedimento somando seis gols anulados no campeonato até agora.

No caso específico do jogo, na coletiva o técnico Jurgen Klopp, mesmo demonstrando sua frustração, afirmou que as decisões da arbitragem “foram certas”. Mais incisivas foram as declarações dos jogadores nas redes sociais. Em sua conta no Twitter, James Milner, capitão e um dos mais experientes do time, declarou: “É claro e óbvio que precisamos de uma discussão séria sobre o VAR. Certamente não estou sozinho em sentir que estão perdendo o amor pelo seu jogo em seu estado atual”.

Na coletiva antes do confronto com o time holandês Ajax pela Liga dos Campeões, o lateral Andrew Robertson fez uma declaração que revela bem o sentimento do torcedor que já esteve num estádio onde o VAR foi utilizado.

Em suas próprias palavras: “Eu adorava ir a jogos de futebol e comemorar um gol. Mas isso foi retirado do jogo. Agora você espera dois ou três minutos para ver se há impedimento. Se for tão difícil assim, então deixe que qualquer decisão seja tomada”.  Na verdade, os árbitros de vídeo em algumas ocasiões ficam buscando qualquer irregularidade como uma possível falta no meio de campo como aconteceu com o Botafogo no jogo do primeiro turno contra o Internacional. Os mais atentos já perceberam que só se pode comemorar um gol quando o time adversário dá o reinicio da partida sendo que no jogo entre São Paulo e Ceará o árbitro deu o reinício e depois cancelou para poder anular o gol por motivo de impedimento. O que contraria a regra do futebol, todavia o São Paulo decidiu não apresentar queixa contra esta decisão estapafúrdia.

Na pretensa busca de eliminar as decisões equivocadas dos juízes que as transmissões de televisão com cada vez mais câmeras revelavam, a introdução do VAR trouxe as aspectos que poucos comentaristas esportivos abordam como interferência externa durante a partida, maior possibilidade de manipulação entre outros aspectos. Vale a observação do ex-árbitro e atual comentarista da emissora FOX, Carlos Eugenio Simon. “Quando quem está na sala do VAR é mais experiente ou mais renomado do que quem esta apitando no campo, é ele que tem a palavra final na prática”. Fato a se conferir.

Contudo mesmo assim isto não parece ser o mais importante.  Um dos aspectos mais fundamentais de uma partida de futebol é o envolvimento emocional alcançado por quem participa da partida. Não só dos profissionais mais de todos que estão assistindo. O ritmo da disputa composto por uma sequência de jogadas que vão se sucedendo, praticamente sem interrupção. Normalmente o jogo vai aumentando de intensidade, principalmente se os times buscam o gol, o detalhe que é tão essencial no futebol. Ninguém gosta de um jogo com muitas faltas, pois é um jogo com muitas paradas.

Por isto é que o VAR é um desestímulo ao futebol e de certa maneira até mesmo para assisti-lo pela televisão ou atualmente pela internet. Já se percebe que muitos jovens têm preferido os jogos eletrônicos a acompanhar uma partida de futebol. Entre outros motivos porque os times podem ficar até dois minutos em um jogo virtual no qual as jogadas realizadas não valem e ninguém percebeu a não ser o árbitro de vídeo. Não vale a pena eliminar a emoção do futebol sob o pretexto de uma pretensa infalibilidade da arbitragem, que, na verdade, com o VAR, deixa o futebol sob controle de outros que não os que estão jogando futebol.

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