Campanha reacionária
Com a retomada das mobilizações no Brasil, surge mais uma vez a necessidade de defender a reação dos oprimidos contra a campanha reacionária dos opressores
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Foto do ato da última segunda (1º/6) em Curitiba | Foto: Reprodução

Com a retomada das mobilizações no Brasil, com destaque para os atos do último domingo (31) e segunda (1º), uma campanha velha e reacionária foi levantada contra os manifestantes.

Desde então a imprensa burguesa passou a utilizar termos como “vandalismo”, “depredação de patrimônio”, “banderna”, “violência” e até mesmo “terrorismo”, para depreciar e tentar incriminar a juventude e os trabalhadores que saíram as ruas contra a extrema direita fascista, em defesa de seus direitos democráticos que o bolsonarismo ataca sistematicamente.

Na linha dessa campanha reacionária e direitista da imprensa burguesa, a esquerda novamente faz coro com a direita. Acusa de “infiltrados” os manifestantes, que reagiram a violência policial e a truculência da extrema direita. Isto fez com que seja fosse necessária a retomada de uma campanha que o Partido da Causa Operária (PCO) fez em 2013, em defesa dos chamados “black blocks”, que nada mais é do que a defesa dos direitos democráticos e de autodefesa da população.

Neste sentido, resgatamos aqui um trecho de matéria escrita pelo companheiro Rui Costa Pimenta, do balanço feito no auge dos acontecimentos das manifestações que tomaram conta do País em 2013:

‘Vandalismo’: o nome da burguesia para a luta revolucionária das massas

Se houve um tema que se manteve constante em todas as etapas da manifestação e que foi unânime, da esquerda pequeno-burguesa à extrema direita, passando pelo governo do PT, foi o do ‘vandalismo’, ou melhor, da condenação do ‘vandalismo’.

O tema em si é muito pouco complexo e foi esclarecido até mesmo através do humor. Algumas mensagens da internet mostravam um quadro da Revolução Francesa, no dia histórico da derrubada da Bastilha e dizia, ‘derrubar a Bastilha não! É vandalismo, bora fazer uma petição online!’. Uma outra mostrava nos levantes do Leste Europeu, a cabeça de uma estátua de Stálin, enquanto um manifestante dizia para o outro: ‘a estátua do Stálin é patrimônio público’. É uma crítica perfeita ao cinismo, à hipocrisia da burguesia, da polícia e dos governos e à atitude beata da esquerda pequeno-burguesa que fala em revolução, mas chora quando vê uma janela estilhaçada.

Já Marx havia ensinado coisa muito diferente quando assinala, durante a Revolução Alemã de 1848, que os revolucionários não deveriam conter as massas quando estas se põem a destruir símbolos do regime etc., mas estimulá-las.

Um argumento particularmente cretino – uma palavra que Marx usava saborosamente contra a esquerda pequeno-burguesa da sua época – é o de que o suposto vandalismo é obra de pequenas minorias, dando a entender que seria apoiado e legítimo se fosse de uma maioria. Nesse caso, não seria melhor propor a expansão do vandalismo ao invés de condená-lo?

Deixando de lado os argumentos de tipo parlamentar, o problema é simplesmente que o temor da burguesia ao ‘vandalismo’ é um disfarce do pavor de que as massas passem da manifestação ‘pacífica’, ou seja, inócua, à ação violenta e revolucionária.

A ação violenta, como somente poderia ser, partiu da juventude, em particular de um setor proletário da juventude, mais decidido e radical. É a expressão da evolução da luta geral para métodos mais eficazes superando a política puramente parlamentar da esquerda pequeno-burguesa.

Em grande medida, o movimento foi vitorioso graças aos ‘vândalos’ que reagiram como puderam à repressão policial. O medo dos governos estava em que estas ações se generalizassem com a ocupação de edifícios públicos e um agravamento da crise política. Basta conferir quantas vezes os órgãos da imprensa do grande capital e da direita usaram as expressões ‘paz’, ‘manifestação pacífica’, a qual foi considerada logicamente “linda”.

O mesmo cenário havia se reptido na USP, onde o governo do Estado queria usar de máxima violência policial contra os estudantes e colocar a universidade em Estado de Sítio, mas a reação estudantil somente poderia ser absolutamente pacífica, ou seja, os estudantes teriam que baixar a cabeça diante da repressão, o que não é apenas contrarrevolucionário, mas indigno. Foi apenas a atitude dos “vândalos” que colocou em xeque a ditadura do PSDB. A esquerda pequeno-burguesa, do PSTU e do Psol também aí condenou o “vandalismo” de uma minoria que segundo eles não teria sido aprovada pela maioria, que supostamente seriam eles.

Embora seja um truísmo, para usar um anglicismo tão de acordo com a nossa época, é preciso dizer: não há revolução sem violência. E mesmo que os revolucionários fossem mais exageradamente pacíficos do que são, a burguesia nunca lhes permitiria o luxo de uma revolução pacífica e os faria dançar conforme a música ou perecer. Somente preconceitos arraigados podem levar alguém a pensar de forma diferente depois de tantas manifestações da própria burguesia. Nesse sentido, não faz sentido ignorar a presença da violência na sociedade e sim compreendê-la e preparar-se conscientemente para ela.

Nesse sentido, se a ação dos ‘vândalos’ é desorganizada, deve ser organizada.

Se a ação dos ‘vândalos’ é sem objetividade, deve ser fornecido um objetivo claro.

Se a ação dos ‘vândalos’ é minoritária é preciso torná-la geral.

E não combatê-la.”

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