“Virar a página”
O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, defende o apoio a Baleia Rossi e afirma que o golpe é coisa do passado
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Washington Quaquá é sincero: voto na Câmara é por cargo | Arquivo.

A revista Veja publicou entrevista com o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, em matéria intitulada “Para apoiar Baleia Rossi do MDB, PT topa até esquecer o passado”. O petista fluminense justifica a política de aliança com a direita nas eleições da Câmara dos Deputados.

Segundo Quaquá, o PT irá apoiar Baleia Rossi, e a maioria do partido teria entendido que “é preciso ocupar os espaços do Parlamento para defender as nossas posições.” Para ele, portanto, trata-se simplesmente de uma manobra de ocasião para conseguir posições na Câmara. Quaquá tem o mérito de afirmar claramente que se trata de uma manobra oportunista, que não tem nenhuma política nem ideologia, nem nenhuma justificativa moral.

É bom lembrar, Quaquá foi o dirigente do PT que afirmou que esse negócio de “Fora Bolsonaro” é uma “bobagem” em declaração dada à mesma revista Veja.

Quaquá era um dos que defendiam o apoio ao candidato bolsonarista na Câmara, Arthur Lira (PP), o que revela também o teor de sua política. Questionado sobre esse fato, Quaquá afirma que

“depois que o Bolsonaro embarcou de vez no Lira, o PT não poderia mais defendê-lo. Eu era o defensor de que o Lira tinha condição mais firme para manter acordos, mas a vida é assim: a depender da ordem, sim, altera o produto. Se a gente tivesse fechado o acordo lá trás, acredito que seria bom para o PT. Hoje não é mais, porque o Bolsonaro embarcou efetivamente na campanha dele”.

Ou seja, para o vice-presidente do PT, é tudo um problema de aparência. Se Bolsonaro não apoiasse Lira, tudo bem apoiá-lo. Alguém acredita seriamente que há uma diferença significativa entre Lira com Bolsonaro e Lira sem Bolsonaro? Claro que não. O que Quaquá está afirmando é que você pode fazer a política mais oportunista desde que não apareça como tal.

Mas justiça deve ser feita, apoiar o bolsonarista Arthur Lira não tem diferença com apoiar o bolsonarista Baleia Rossi. Se é simplesmente um problema de conquistar espaço em comissões e na mesa diretora da Câmara, então a medida para a melhor aliança deveria ser esta.

Mas o PT e a esquerda estão com Rodrigo Maia e Baleia Rossi e para a aliança com esses golpistas apresentam a justificativa absurda de que eles seriam oposição a Bolsonaro.

Quaquá ao menos tem a virtude de ser sincero: “precisamos de cargos”. E sua sinceridade também permite que fique claro o objetivo da política da frente ampla.

E a revista pergunta s “o Lula continua sendo o único candidato do PT”, ao que Quaquá responde:

Não! O Lula não é o único candidato. Tanto que em 2018 o PT lançou o Fernando Haddad. Mas, sim, ele é o candidato número um. É o que tem mais história, mais serviços prestados ao país, é um estadista.  No entanto, precisamos ter um plano B. Pode ser o Haddad, o senador Jaques Wagner. O erro da eleição passada foi não ter apresentado o plano B com antecedência. Mas o Lula continua sendo o plano A se estiver em condições de disputa. Não somos burros igual a direita venezuelana, que não disputa as eleições.

A posição sobre as eleições de 2018 e de 2022 mostra que o apoio aos golpistas na Câmara não tem nada de ocasional ou mera busca por espaço no parlamento. Trata-se de uma política cujo sentido é a adaptação mais rasteira aos golpistas. Quaquá quer um plano B com antecedência, ainda em 2021, preparando o partido para aceitar a imposição da direita que ataca os direitos políticos de Lula para tirá-lo da disputa.

O plano B não é nada mais do que uma política para abrir mão de Lula. Se se defende a candidatura de Lula vai-se até o fim nessa política. Inclusive porque deveria ser óbvio que defender que Lula seja candidato significa em primeiro lugar enfrentar as imposições e arbitrariedades da direita.

O plano B tem a função de sinalizar para a burguesia de que o PT está disposto a descartar Lula.

Quaqué é parte da direita do PT, disposta a qualquer coisa por uma manobra de ocasião. Vale inclusive esquecer que no Brasil há um golpe de Estado, que os direitos do povo estão sendo destruídos, que Lula foi preso, que há uma ditadura em marcha. Quaquá é daqueles que defendem “virar a página do golpe”, assim como afirmou o senador petista Humberto Costa na mesma revista Veja pouco tempo depois do golpe de 2016.

Eu quero ganhar 2022. Não quero rever o golpe de 2016. Ele já aconteceu, entrou para a História e quem o fez vai ser cobrado pela História.

Não é fato que o golpe “entrou para a história”, mesmo no sentido vulgar que Quaquá quer dar ao termo, ou seja, de que o golpe é coisa do passado. O golpe é atual, o que é agora, seus efeitos estão sendo diretamente sofridos pelo povo, e mais ainda, o golpe que se iniciou em 2016 não foi concluído. A direita golpista não conseguiu, devido a crises internas e a uma resistência popular (mesmo que desorganizada por conta em grande medida da política dos quaquás), estabilizar o regime.

Justamente o que está em jogo para o próximo período é se a direita golpista será definitivamente vitoriosa ou não, se ela irá conseguir anular a esquerda e os movimentos populares e colocar no governo um nome de sua total confiança para colocar de maneira organizada os ataques contra as condições de vida do povo.

Não é à toa que a revista Veja gosta de dar espaço a Quaquá. A intenção da imprensa golpista é dar voz à ala direita do PT, justamente para fortalecê-la internamente. Isso significa fortalecer a política da frente ampla na esquerda, que é a política para isolar Lula e colocar a esquerda a reboque da política da direita golpista, inclusive apoiando um candidato da direita, como defende Quaquá na Câmara.

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