Vai ter hexa: torcer para a seleção é lutar contra o golpe

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Torcer ou não torcer para o Brasil nesta copa? Eis a questão! A esquerda brasileira, principalmente a mais decididamente antigolpista se dividiu nesta questão. Alguns companheiros apresentaram a tese de que torcer para a seleção enquanto Lula está preso seria errado. Que beneficiaria a Rede Globo, que transmite os jogos, que beneficiaria os monopólios capitalistas que se associaram ao evento esportivo. Chegaram a dizer que beneficiaria os coxinhas, pois a seleção usa a famigerada camiseta “amarelinha”.

A preocupação, ainda que fundada, gerou uma série de conclusões tragicamente erradas. Primeiramente é preciso dizer: a seleção é do povo. O futebol é parte da cultura brasileira, parte importante como o Samba ou o São João, e quando a seleção joga o povo reconhece o jogo como um momento de autoafirmação nacional.

Uma prova disso é que nesta última quarta-feira a nação inteira vibrou com quatro gols, dois feitos pelos Brasil e dois feitos contra os alemães. O esporte é uma arena que em que o povo brasileiro pode competir com os opressores imperialistas, franceses, alemães, ingleses e vencer. É um ponto de honra da cultura brasileira; mais importante, da cultura operária brasileira.

A seleção carrega em seu semblante o Brasil. Eles são negros, mulatos, de origem humilde, são a cara do povo. Uma grande parte nem tem o nome do pai no RG. O drible e a agilidade brasileira é única do Brasil, é como o samba e a capoeira. Os jogadores vieram da classe operária, e os trabalhadores entendem isso. Podem ter ganho dinheiro, mas isto não importa, suas origens falam mais alto. Cada menino jogando bola no bairro sonha em ser um destes que hoje defende a seleção canarinha. Gabriel Jesus, atacante do time, apenas quatro anos atrás estava pintando sua rua de verde e amarelo para torcer para o Brasil.

Isso não é só no Brasil, o esporte é motivo de afirmação nacional no mundo todo. A partida de futebol mais importante da história do Irã foi o segundo jogo da 1ª fase do mundial de 1998. O clima antes da partida era de tensão extrema, o clima depois da partida era de uma enorme festa na capital Teerã, a seleção islâmica vencia os imperialistas por 2 a 1. Naquele palco, mesmo que só naquele, a nação oprimida do Irã se afirmou contra o imperialismo norte-americano.

Eles não iriam para as oitavas de final, os EUA nunca foram uma potência futebolística, nada disso importava, não para aqueles milhões de iranianos.

Hoje no Brasil a situação é ainda mais grave. A seleção não é apoiada pela grande burguesia, a imprensa é a prova. A Rede Globo e todos os jornais esportivos estão criticando duramente a seleção, ressaltam suas falhas, escondem suas enormes virtudes, a pressão da imprensa chega a desestabilizar o time, como ocorreu em 2014.

Chegam a dizer que o Brasil teve “sufoco” contra a Costa Rica, esta nunca ofereceu perigo ao Brasil, apenas atrasou a saída dos gols. Diminuíram as flagrantes irregularidades do juiz no jogo contra a Suíça, inventaram simulações por parte de Neymar. Mas e com os estrangeiros, o tratamento é igual?

De forma alguma. A seleção alemã está desclassificada numa atuação indigna de um time campeão do mundo, indigna até de clubes esportivos, acabaram em último de seu grupo, grupo este que não apresentava dificuldades. Não existe ataque brutal da imprensa brasileira, não existem manchetes bombásticas do “vexame”. Sobre o 7×1 a Globo disse ” ‘Se siete’: vexame da Seleção ganha destaque na imprensa internacional”. Sobre a Alemanha chegaram ao cúmulo de dizer: Alemanha é eliminada com maior número de finalizações e de chances bloqueadas“.

A imprensa e a burguesia torce para o estrangeiro imperialista, desculpa suas falhas, engrandece-os perante os brasileiros, é uma campanha para humilhar o povo brasileiro. Uma campanha para transformar um povo soberano em capachos do imperialismo.

Se o brasileiro, trabalhador, torce para a seleção torce contra o mundo, contra os ricos e os golpistas, pois estes torcem contra Neymar, Gabriel Jesus e todos os outros meninos.

Na Jamaica estão torcendo pelo Brasil, na África também, no Haiti, na Índia  em todos os lugares os oprimidos se unificam em torno dos nossos meninos, pois são deles também, esta não é a seleção dos patos da FIESP, não é a seleção da Nike, nem é dos coxinhas, eles a odeiam, ela não é do golpe, é do povo oprimido. Vai ter Hexa!

Veja o mundo vibrando com o Brasil!

No Haiti

Na Jamaica

Na Síria

 

Na nação operária de Cuba