Polêmica
Por mais que venha com uma boa intenção, a política da vacinação obrigatória é autoritária e, nesse sentido, pode se voltar facilmente contra os trabalhadores.
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Revolta da Vacina
Revolta da Vacina, novembro de 1904. | Foto: Reprodução

Há muito, existe uma questão fundamental relativa à saúde pública que, recentemente, com a pandemia do coronavírus, tem sido tema de debate constante: a vacinação obrigatória. Por um lado, existe o fato de que se trata de uma questão coletiva e que, portanto, deve ser imposta para favorecer a sociedade como um todo. Todavia, só podemos chegar a esta conclusão se analisarmos a situação de forma desatrelada à luta de classes. Finalmente, existe uma série de interesses por trás da imposição da vacina, e vale voltarmos algumas décadas na história para entendermos isso.

Em novembro de 1904, a população do Rio de Janeiro iniciou uma revolta violenta contra medidas repressivas por parte da prefeitura da cidade. O médico Oswaldo Cruz, que assumiu a Diretoria Geral de Saúde Pública, visando erradicar doenças como a febre amarela e a varíola, instituiu a vacinação obrigatória. Todavia, como é normalmente contado, os cidadãos não se revoltaram devido à uma ignorância acerca da vacina. Muito pelo contrário: o que ocorreu foi que o governo utilizou este decreto como um pretexto para burocratizar o acesso da classe operária à serviços básicos. O projeto exigia comprovantes de vacinação para a realização de matrículas nas escolas, para obtenção de empregos, viagens, hospedagens e casamentos.

A história da Revolta da Vacina mostra bem o que pode levar uma medida que impõe a vacinação como algo obrigatório. Por mais que venha por um motivo nobre, não podemos nos esquecer que, dentro do capitalismo, é a burguesia quem controla o Estado que, por conseguinte, utiliza deste tipo de medida para intensificar seu caráter autoritário sobre a classe trabalhadora, e não para solucionar algum aspecto precário na sociedade. Prova cabal disso é que, durante a presente pandemia, já foram contabilizados mais de 155 mil mortos somente no Brasil. Ou seja, absolutamente nada foi feito para que a situação fosse solucionada ou até mesmo amenizada. Portanto, fica claro que tornar a vacina obrigatória não vem como uma real preocupação, mas sim com interesses por trás.

A solução do problema vem pelo oposto: por uma ampla campanha de disponibilização e de conscientização acerca do assunto. Se o governo realmente se preocupasse com a população, de forma a garantir a vacina para todos, levaria em frente os meios necessários para concretizar esse tipo de projeto, começando por uma intensa campanha a favor da vacinação, disponibilização da vacina, de forma gratuita e acessível a todos etc. Por mais que a esquerda pequeno-burguesa goste de propagar a falácia de que as fake news influenciam a população e, por conseguinte, é necessário instituir a vacinação obrigatória; é certo que o esclarecimento sistemático é, também, parte essencial da campanha de um governo que de fato se preocupa com a situação de seu país.

Finalmente, esse tipo de medida, por mais que venha com boas intenções, abre um precedente gigantesco para que a classe dominante, a burguesia, possa impor demais medidas autoritárias sobre a população. Nesse sentido, o que deve ocorrer é uma campanha aparatada pelo serviço estatal que possa garantir o acesso à vacina para absolutamente todos os setores da população e, além disso, conscientize a classe operária acerca da importância da vacinação. Esse tipo de campanha não só solucionará o problema sanitário, como também será responsável por criar um sentimento coletivo nos trabalhadores, extremamente benéfico à consciência da classe como um todo.

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