E a esquerda cai na jogada
Ao invés de adotar uma posição crítica, denunciando a política criminosa de João Doria contra o povo, que já levou à morte de 50 mil paulistas, a esquerda idolatra o tucano
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Doria transformou a vacina em uma grande peça de propaganda, com apoio da esquerda | Foto: Reprodução/Diário Popular
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Doria transformou a vacina em uma grande peça de propaganda, com apoio da esquerda | Foto: Reprodução/Diário Popular

João Doria venceu o primeiro assalto contra Bolsonaro nesse domingo (17), quando foi realizada a primeira vacinação contra o coronavírus do Brasil, em São Paulo.

Uma enfermeira negra foi escolhida a dedo pelo governador do PSDB, uma clara demagogia, uma verdadeira peça de marketing. A esquerda pequeno-burguesa identitária foi às alturas com o evento.

Muitas comemorações foram feitas a respeito da vacina, elogiando a enfermeira, o SUS, o Instituto Butantan, a ciência e a própria vacina em si. Na prática, essas comemorações públicas, tanto por parte da burguesia – que está puxando essas ações – como por parte da esquerda, são apoios claros ao governo do estado de São Paulo, a Doria e ao PSDB.

O jornal O Estado de S. Paulo afirmou ontem que “Doria foi quem planejou, se dedicou obstinadamente à Coronavac, é o primeiro a vacinar um brasileiro no Brasil”. A Folha de S.Paulo reconheceu que foi um ato de marketing, mas complementou: “mas Doria só pôde colocá-lo em prática porque trabalhou pela saúde pública.”

A esquerda, como já vem fazendo há tempos, não adotou nenhuma posição crítica a esse respeito. Não denunciou a manobra política por trás da vacina e também não denunciou o próprio fato de a vacina não ser realmente de confiança.

A eficácia da vacina é de 50,38%, foi produzida às pressas não com o objetivo de imunizar a população mas sim para dar pontos a Doria na guerra contra Bolsonaro visando as eleições presidenciais de 2022. Doria não está preocupado com a saúde da população paulista, menos ainda dos brasileiros.

Em três ocasiões durante a pandemia, o governador “científico” propôs cortar os investimentos em ciência. A taxa de transmissão já ultrapassou o teto, ou seja, cada pessoa está contaminando mais de uma (segundo o índice da Unesp e da USP, a taxa já está em 1,34). Os insumos só durarão até o fim de janeiro. O estado tem 50 mil mortos, ou seja, Doria é responsável pela morte de um em cada quatro brasileiros.

Mas isso tudo é ignorado. Ignora-se o histórico de João Doria como prefeito da capital e depois como governador do estado, ignora-se sua campanha eleitoral fascista em 2018 como “Bolsodoria”, ignora-se que seu partido – o PSDB – foi o grande responsável pelo golpe de Estado e destruiu o Brasil com sua política neoliberal durante os governos de FHC.

Ignora-se o fato de que Doria é um homem de confiança da burguesia e do imperialismo e que ele é um dos cotados para ser candidato em 2022.

Trata-se de uma tática em que a esquerda perde completamente qualquer vestígio de independência que ainda possa ter para ficar a reboque da direita tradicional, a ala mais poderosa e devastadora da burguesia.

Estão dando poderes e legitimidade a Doria. Isso ficou claro com a carta enviada por Tarso Genro ao governador tucano, na qual o político da ala direita do PT implora a João Doria para que ele lidere o impeachment de Bolsonaro.

Essa não é, nem de longe, a política que os movimentos populares e a classe operária necessitam e esperam das direções da esquerda. É preciso romper imediatamente a colaboração de classes com os golpistas, adotar uma política independente que organize o povo nas ruas pelo Fora Bolsonaro, Doria e todos os golpistas, não à frente ampla e por Lula presidente.

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