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Quem não assistiu deve ver e quem assistiu deve rever.
Caleb não conhecia nem um violeiro quando criança. Estudou flauta doce no conservatório musical de Pouso Alegre e entrou no curso de música da USP.
Mesmo estudando, tinha interesse em tocar músicas que não eram “próprias”, ou clássicas do instrumento.
Ao assistir diversos programas sobre a viola caipira em todo o Brasil, se apaixonou pelo instrumento e misturar com músicas feitas para outros instrumentos. Isso por sua formação diversa e ao ver diversos violeiros, cada um com seus estilo.
Calebe afirma nunca ter feito pacto com o Diabo, mas conta a história de invocar um antigo violeiro em seu túmulo, que pega na sua mão, e que se você puder fugir, se tornará um grande violeiro. Também tenta pegar a cabeça de uma cobra coral, não ser mordido, e se tornar um grande violeiro.

Calebe tem um guizo de cascavel dentro de sua viola, algo que no folclore da viola significa sorte.

Calebe demonstra o motor da história falando sobre as dificuldades de se inserir o curso de viola caipira, primeiro na USP de Ribeirão Preto e, depois, na USP de São Paulo.

A viola veio de Portugal ainda nas primeiras navegações. Derivou do alaúde árabe (que aparentemente é daí que vem a corda dupla). Ao chegar no Brasil, o nome viola de arame vai se tornando viola caipira pois anteriormente era um instrumento urbano. O violão acaba tomando o lugar da viola nas cidades e aí a viola começa a ser usado no que é de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Essa afinação ajudou a propagação do instrumento já que tornava mais fácil a criação de músicas para pessoas sem instrução formal.

Na década de 1930, Cornélio Pires (grande propagador da cultura caipira) o paulista consegue através dos discos atingir muitos outros nichos.

Calebe menciona Almir Sater como importante pessoa para divulgar a viola na grande imprensa.

Como sempre na Arte, a colaboração é parte integrante do processo criativo. Calebe mostra uma música que está tocando em uma peça infantil com a letra do poema “Catulo da Paixão Cearense”.

A relação entre a música caipira e a música latino-americana, especialmente dos países mais ao Sul como Argentina e Paraguai. As batidas, muitas das melodias não são apenas coincidência. Houve muita troca entre esses Países.

Calebe mostra variações de batida como o Cururu, Guarânia, Cipó Preto, Batuque, Toada, Folia de Reis e ainda menciona ritmos que sempre são criados: a arte é viva, se liga ao movimento do mundo.

O golpe de Estado precisa entrar na conversa. A direita em geral quer destruir a cultura popular e ataca sempre. O que a direita considerar como “arte menor”, como arte do “povinho” são as primeiras a serem atacadas, mas a arte em geral é toda atacada e na universidade pública é muito forte. Toda a política de destruir a universidade pública para colocar o capital, em especial o estrangeiro, e comandar a nossa arte até em ambientes reconhecidos por construir a vivência e arte.

No fim do programa Celebe toca a música “Papagaio embriagado”um choro na flauta.

Calebe termina o programa com três músicas: uma estréia, uma música nova… que ele nem sabe a nome! A letra é de uma companheira de composição. “Senhor Pato”, a crítica aos coxinhas, direitistas puro sangue e esquerda pequeno burguesa. Veja aqui:

 

Sensacional!

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