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América Latina sob golpe

Uruguai: eleições controladas pelos militares e os fascistas

Na véspera das eleições uruguaias, que aconteceram ontem (24), ameaças por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp foram enviadas pelas Forças Armadas.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

General golpista Manini Rios. –

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No dia 23 de novembro, véspera do segundo turno das eleições presidenciais uruguaias, setores ligados às Forças Armadas lançaram ameaças por meio aplicativo de mensagens Whatsapp. Até o fechamento dessa edição, o resultado das eleições ainda não havia sido divulgado, embora tudo indicasse que a direita sairia vencedora.

A mensagem padrão, distribuída em forma de corrente pelo aplicativo, pedia que as pessoas votassem no candidato direitista Luis Lacalle Pou, representante direto dos banqueiros e do imperialismo de conjunto. A mensagem, traduzida para o português, diz o seguinte:

Atenção!

Todo nosso apoio a Lacalle e Manini.

No domingo se define o futuro de nossa pátria.

Temos todos que votar em Lacalle para presidente, apoiado pelo nosso comandante general do Exército Guido Manini Ríos.

Sabemos quem são e contamos com o seu voto e da sua família para salvar a pátria. É uma ordem!

As ordens se acatam, e quem não o fizer será um traidor. Sabemos como tratar os traidores.

A única opção é ganhar. Antes cair de costas que de joelhos. Seguimos em contato. Aguarde novidades. Começamos a voltar”.

(Comando Barneix)

O general do Exército citado na mensagem, Manini Rios, é uma das principais figuras da extrema-direita uruguaia. Em 2018, o militar homenageou homenagem o coronel Artigas Álvarez, conhecido torturador e irmão do ex-ditador uruguaio Gregorio Álvarez. Em dezembro do mesmo ano, Manini Rios, foi exonerado pelo presidente Tabaré Vázquez em dezembro de 2018, por insubordinação. Depois disso, criou seu próprio partido, o Cabildo Abierto. No primeiro turno das eleições uruguaias, Manini Rios saiu candidato a presidente da República, ficando em quarto lugar com 11%.

Manini Rios, além de homenagear torturadores, é um representante típico da extrema-direita latino-americana. O general é bastante ligado ao presidente ilegítimo do Brasil Jair Bolsonaro, integrando, assim, a corja golpista formada pelo imperialismo para ameaçar os povos,

A mensagem contendo ameaças, no entanto, não foi a única demonstração de que a extrema-direita estaria disputando o regime político uruguaio. Há cerca de um mês, a burguesia procurou aprovar um referendo em prol das Forças Armadas, que, entre outras coisas, aprovava a prisão perpétua, o fim da progressão do pena e a criação de uma Guarda Nacional. O referendo, no entanto, provocou uma grande mobilização no Uruguai, de modo que a burguesia não conseguiu, naquele momento, favorecer os militares.

Mais recentemente, o centro militar do Uruguai divulgou uma nota oficial atacando a esquerda e ameaçando toda a população. Com um tom abertamente fascista, a nota declara que:

Será este dia [domingo] o ponto de chegada de muitos sacrifícios, da luta desigual contra a arbitrariedade de uma potência que, total e absolutamente, queria impor ao Uruguai um perfil completamente estranho à sua história, suas mais queridas tradições, seus princípios mais profundos; mas será também o começo de um compromisso a favor da restauração dos elos que sempre uniram os uruguaios e que a longa pregação e prática do marxismo quase os colocou à beira da falência irremediável. Os marxistas finalmente deixarão o poder.

A participação dos militares nas eleições uruguaias é mais uma demonstração de que a burguesia não está disposta a permitir que a esquerda e os trabalhadores assumam o controle, ainda que parcial, do Estado. Assim como aconteceu na Bolívia no dia 10 de novembro, os militares uruguaios já estavam se preparando para a necessidade de um golpe militar, caso o candidato Lacalle Poe não consiguisse vencer as eleições. Mas no caso em que a esquerda saia às ruas para contestar um governo imposto pelo imperialismo, isso também poderá acontecer.

É preciso impedir, imediatamente, o avanço dos militares no regime político em toda a América Latina. Por isso e preciso intensificar a mobilização em todo o continente contra a política neoliberal, rejeitando os acordos propostos pela burguesia e pondo o regime abaixo. Fora imperialismo na América Latina!

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