Uruguai: bebês não planejados estão com a saúde melhor depois da legalização do aborto

ncb

Um reflexo da legalização do aborto na realidade das mulheres uruguaias já se demonstra desde sua aprovação, aponta estudo. Quer dizer, para além do principal objetivo que está na manutenção da saúde da mulher, a política para o país tem se mostrada um fator decisivo para o melhor desempenho da saúde de bebês que não foram planejados. Uma vez que, com a lei do aborto aprovada uma série de medidas que amparam as mulheres durante a gestação, seja para que se realize o aborto ou não, se tornou um importante recurso nesse processo.

Os dados foram relacionados a 19 meses antes da lei entrar em vigor e o mesmo período depois de sua aprovação com relação as gestações não planejadas. Foi apontado que os nascimentos após a legalização do aborto demonstraram uma melhora significativa – tendo como base também a diminuição de gestações não planejadas – foram nascimentos muitos mais saudáveis e que tiveram muito mais cuidado no que diz respeito a procedimentos como o pré-natal. Ao passo que, as mulheres que gostariam de levar a gravidez adiante são as que possuem disposição e condições de dar continuidade ao processo -seja por recomendações médica e ou exames- mas, uma vez que se tem a opção de interromper a gravidez, por aquelas que não tem condições de levar a gestação a frente, optam pelo aborto.

Com isso, fica clara a necessidade da garantia desse direito às mulheres, que mais uma vez mostra que a questão do aborto não é apenas um ponto só da mulher, mas sim uma questão de saúde pública. Os dados aqui citados, deixam claro os impactos que vão além das mulheres. E por isso, a reivindicação pelo aborto nos demais países que ainda proíbem e criminalizam a prática, é urgente, os resultados apresentados nos países que legalizaram o aborto, deixam claro que não há nem uma medida plausível para a proibição, senão um controle das mulheres, que representam mais da metade da população.

Nesse sentido, é preciso reforçar a política pela legalização do aborto em toda a América Latina, que hoje, somente tem o aborto legalizado além do próprio Uruguai em questão, em: Cuba, Porto Rico, Guiana e Cidade do México. E para isso, o movimento de mulheres deve estar engajado com uma política embasada em sua realidade concreta, especialmente na luta contra a direita golpista, principal obstáculo da luta das mulheres em todo o continente.