Siga o DCO nas redes sociais

Universidade é só para “quem tem condições”

No último dia 6, uma aluna do curso de Ciências Sociais da UFRN foi expulsa da sala de aula e impedida de voltar a frequentar a disciplina por levar consigo a filha. A estudante Waleka Maria Lopes, assim como muitas jovens que conseguem uma vaga na universidade, tem uma filha de 5 anos e não tem com quem deixa-la e, para conseguir estudar, precisa levar a filha para a aula.

O professor Alípio Souza Filho, que ministra a disciplina de “Introdução à Sociologia”, fez questão não apenas de humilhar a estudante perante aos outros alunos da sala, ameaçando inclusive denuncia-la no conselho tutelar; mas também de deixar claro a política da Universidade: “Ela que encontre uma rede de solidariedade para cuidar da criança. Não consegue essa rede de solidariedade? Repense sua vida. Não tem que estar fazendo Ciências Sociais, não tem que estar estudando na universidade. Você só faz isso se tiver condições. Agora não vai impôr à instituição coisas que não são assimiladas pela instituição (…) ‘ah, eu sou pobre, não tenho’. Problema seu, a universidade não tem problema com isso, se vire”, disse o professor depois que a aluna saiu da sala.

Os áudios foram gravados pelos estudantes e denunciado nas redes sociais.

A postura do professor é o reflexo do que a direita pensa para as Universidades: esta deve atender à burguesia, não é para os pobres. A universidade é para quem tem “condições”: brancos  e ricos.

No Brasil, apenas 7,9% da população tem ensino superior completo, sendo, portanto, a Universidade resguardada à elite brasileira.  Com as políticas de acesso à Universidade dos últimos anos, porém, um número maior de mulheres tem conseguido acessar o ensino superior, sendo que em 2016 representaram 57% dos ingressantes (apesar de estarem em cursos de profissões com salários menores). E por isso mesmo, as universidades deveriam aumentar a sua estrutura de atendimento às necessidades das mães, ampliando vagas e horário de funcionamento das creches universitárias.

Tudo isso, após o golpe, está mudando e ameaçado de mudanças ainda mais profundas. Não só os programas de acesso estão sendo extintos, mas toda a infraestrutura das Universidades públicas no Brasil está sendo sucateada no intuito de privatiza-las. Com o fechamento de creches, fim de bolsas de estudos, alojamentos etc., e com o predomínio das universidades privadas, só mesmo quem tiver “condições” vai conseguir ingressar e se manter no ensino superior.

Ações como esta do professor Alípio devem se tornar cada vez mais corriqueiras com a privatização das universidades  que não“ não tem problema com isso (pobreza), se vire”. Portanto, a luta pela defesa da universidade pública deve ser feita na UFRN e em todas as universidades públicas do país, pois o plano dos golpistas é liquidar com todo o ensino universitário público e gratuito.