Universidade de Férias: saiba como o imperialismo “democrático” apoiou o massacre promovido por Mussolini na Etiópia

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Um dos preconceitos políticos mais comuns na esquerda pequeno-burguesa brasileira e mundial é aquele que opõe irredutivelmente a democracia ao fascismo ou ainda democratas e fascistas. Este preconceito e incompreensão da parte de uns, e puro oportunismo de outros, é nocivo à luta dos oprimidos, impedindo de ver claramente que ambas as formas de regime político representam os interesses de uma só classe social e que essa classe, portanto, pode abraçar tanto a democracia quanto o fascismo.

No Brasil, por exemplo, ficou claro que foram os partidos considerados democráticos que levaram Jair Bolsonaro, um fascista, ao poder. Na história política contemporânea também encontramos inúmeros casos, contrariando o preconceito referido, mostram que a burguesia imperialista se utiliza, em determinados momentos, do fascismo, seja para conter a revolução, seja para aumentar a exploração do povo, seja por ambos os motivos, tanto em seu próprio território, quanto em outros países.

Assim como a democracia é um regime de dominação da burguesia, também o fascismo o é.  Evidentemente, que há inúmeras diferenças substantivas entre os dois regimes, não obstante, a relação fundamental é a mesma. Nos dois regimes prevalecem os interesses e a dominação da grande burguesia contra povo.

Vejamos um caso: a segunda Guerra Ítalo-Etíope de 1935-1936. A Itália fascista de Mussolini se lança em uma guerra colonial de características genocidas contra um país independente, um dos poucos da África, e membro da Liga das nações, a Abissínia, atual Etiópia. O plano de Mussolini era participar do espólio da primeira Guerra Mundial, já que a Itália ficara de fora. O fascista queria com rapidez e poucas baixas anexar ao Império fascista, que será formado em 9 de Maio de 1936, com o fim da guerra e a criação da África oriental italiana, composta pela Eritreia, Abissínia e Somália italiana.

A guerra colonial contra a Abissínia, uma guerra contra um país independente membro da Liga das Nações, suposta protetora da democracia, para escravizá-lo, foi feita sem maiores protestos dos países democráticos. Muitos chefes de Estado do imperialismo democrático elogiaram Mussolini. O fascismo italiano promoveu uma verdadeira guerra de extermínio contra o povo etíope, deixando mais de 500.000 mortos. Desrespeitando todos os acordos internacionais, o fascismo italiano não só escravizou um país independente como o fez de maneira selvagem, utilizando-se inclusive largamente de arma química proibida como o gás mostarda. Além de bombardeios, fuzilamentos etc., procurou realizar uma limpeza étnica dos Negus, cogitando inclusive transportar populações de outros locais para povoar o país recém conquista.

Sobre toda esta atrocidade nenhuma palavra, menos ainda ação dos senhores democratas.  É necessário dizer ainda que os países imperialistas ditos democráticos à época, EUA, Inglaterra, França etc., também eram detentores de países e escravizava suas populações na África e Ásia.

Fica evidente que o povo na luta contra o fascismo só poderá contar com suas próprias forças e organização. A frente democrática com a burguesia supostamente anti-fascista para combater o fascismo é impossível, já que a burguesia como classe, em sua essência, não é democrática, e nem fascista, ela é aquilo que a luta de classe determinar para manter-se no poder. Por isso, impulsiona o fascismo quando necessita e aceita a democracia burguesa, quando convém.

Quer saber mais sobre a essência do fascismo e seu papel na luta de classes? Venha para a 43ª Universidade Universidade Férias e acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária do PCO.

Com o tema: “Fascismo: o que é e como combatê-lo”, o curso tratará deste fenômeno político em sua dimensão teórica e histórica à luz da ciência marxista. Apresentando como fenômeno como se organizou em diferentes países no mundo, o curso se distancia de uma receita, para aprender o fenômeno político em sua essência dinâmica.

O curso será ministrado pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, destacado dirigente, militante revolucionário e intelectual marxista. Há 40 anos dedicando-se à construção do partido revolucionário e à revolução, o companheiro é reconhecido hoje como um dos principais analistas políticos do país.

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