UNIRIO contra a intervenção bolsonarista

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Ontem (11), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), foi palco de uma importante manifestação do Movimento Estudantil. Os estudantes da universidade se posicionaram contra a arbitrariedade do MEC em poder indicar quem será o reitor da universidade passando por cima da vontade da comunidade acadêmica.

A Intervenção

Atualmente o processo que escolhe o reitor é repartido em 3 etapas. A primeira delas consiste nas eleições consultivas, onde as chapas apresentam seus projetos à comunidade acadêmica, que por sua vez manifesta sua vontade nas urnas. Esse processo eletivo serve apenas como indicativo para a segunda etapa onde se manifestará o conselho eleitoral. O conselho é composto por no mínimo 70% de professores, estando o resto disponível para os estudantes e os técnicos, e é responsável por indicar 3 nomes para uma lista tríplice ao Ministério da Educação (MEC), os três nomes escolhidos não necessariamente tem a necessidade de passar pela primeira etapa que é o processo eleitoral. O MEC por sua vez escolhe o reitor da universidade, mas não precisa respeitar essa lista tríplice, podendo a qualquer momento rejeitá-la. Esse processo é uma herança da ditadura e fere totalmente a autonomia universitária, em última instância quem escolhe a reitoria é o governo federal; nem o conselho precisa respeitar a vontade dos estudantes e muito menos o MEC precisa respeitar a vontade do conselho.

A comunidade acadêmica da Unirio, através da consulta eleitoral, elegeu o professor Leonardo Villela de Castro como seu representante. Os únicos candidatos que se submeteram a esse processo foram ele e a professore Claudia Aiub. Quer a tradição que o vencedor da consulta eleitoral seja aquele que lidera na lista tríplice enviada pelo conselho, mas dois candidatos se apresentaram como candidatos ao conselho por fora da consulta: Ricardo Cardoso, atual vice-reitor, e o Almirante Helton Setta.

Esses candidatos são verdadeiros interventores, o primeiro é um representante direto da atual gestão de Luiz Pedro San Gil Jutuca, que permitiu a intervenção do Ministério Público do Rio de Janeiro no ano passado quando este grampeou estudantes de esquerda após um pedido anônimo, o segundo é um amigo pessoal de Bolsonaro e faz parte da infiltração militar que o Brasil vem presenciando em todas as esferas da vida política.

A votação no conselho elegeu Ricardo Cardoso como cabeça da lista tríplice, seguido por Leonardo Villela e por último Claudia Aiub, Setta ficou de fora da lista.

A Reação dos Estudantes:

Durante todo o processo de votação todos aqueles que votavam a favor de Ricardo ou de Setta eram fortemente vaiados e xingados pelos estudantes que lotaram o auditório Vera Janacópulos. A palavras de ordem contra os interventores eram:  “é golpe”, “fascistas”, “abaixo a intervenção”, entre outras, em contra partida, quando a votação era à favor de Leonardo ou Claudia, ouvia-se ovações e a cantoria: “oooooh o Leo é o meu reitooor”.

Segue o vídeo do momento em que votaram respectivamente os interventores, Ricardo e Helton Setta, e Leonardo, o candidato dos estudantes:

No vídeo nota-se às vaias que receberam os interventores, os aplausos para Leo, e a faixa feita pela Aliança da Juventude Revolucionária onde lia-se “ABAIXO A INTERVENÇÃO BOLSONARISTA, QUE A COMUNIDADE ACADÊMICA ESCOLHA”.

Após a votação os estudantes fizeram uma assembleia que reuniu cerca de 100 estudantes onde foi decidido que não aceitariam Ricardo como reitor e após a assembleia seria realizada uma manifestação na frente da reitoria contra a intervenção.

O estudantes se dirigiram à reitoria fechando a Avenida Pasteur na Urca, avenida que liga o Campus da Urca até a reitoria.

Seguem as fotos dos estudantes se dirigindo à reitoria:

Ao chegar na reitoria o movimento entrou dentro do prédio até a antessala do reitor e exigindo que ele saísse para conversar com os estudantes. Enquanto os estudantes gritavam que ocupariam a reitoria, que não aceitariam Ricardo entre outros gritos, Jutuca conseguiu escapar pelos fundos e pegar um táxi. Rapidamente os estudantes se deram contra, encontraram o veículo e bloquearam sua passagem

A polícia teve que intervir pressionando o DCE para que o ato fosse dispersado, porém o estudantes fizeram um cordão em torno do táxi até a altura do Shopping Rio Sul, o carro do reitor ficou preso por aproximadamente uma hora com os estudantes que gritavam ferozmente suas palavras de ordem contra o reitor e a intervenção.