Eleições Municipais
O DCO entrevistou Marina Dias, militante do PCO e integrante do coletivo Rosa Luxemburgo
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Marina Dias | Imagem: Diário Causa Operária

Marina Dias Soares, de 26 anos, é nascida em Olinda (PE), no bairro de Peixinhos e formada em direito pela FOCCA – Faculdade de Olinda à prefeitura de Olinda em Pernambuco. Atua como advogada na área previdenciária e trabalhista.

Ingressou no Partido da Causa Operária em 2019, através das atividades de mobilização pelo Fora Bolsonaro e pela liberdade de Lula. Faz parte do Coletivo Rosa Luxemburgo e, atualmente, além de militante, luta pelo Fora Bolsonaro como candidata à prefeita em Olinda (única candidata mulher no município), para tornar esta eleição uma tribuna pelo Fora Bolsonaro. Seu número nas eleições é 29.

Diário Causa Operária: Pode falar um pouco sobre sua candidatura em Olinda?

Marina Dias: Nós estamos participando das eleições para levantar o Fora Bolsonaro e para defender a candidatura de Lula em 2022 e pela mobilização do povo em torno dessas reivindicações. Aqui em Olinda, sou a única candidata mulher, não tem outra candidata mulher, e a nossa candidatura está sendo atacada duramente, como todas as outras do PCO. Isso mostra como essa demagogia com as mulheres não funciona de forma alguma. Tem todo um apelo, da própria direita. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Bolsonaro lançou uma campanha de mais mulheres na política, mas aí eles atacam as mulheres de todas as formas possíveis, principalmente as da esquerda.

Minha candidatura foi indeferida pelo Judiciário golpista, nós estamos recorrendo, entramos com recurso e estamos aguardando. Mas o que importa pra gente na verdade não é muito isso, e sim levar à frente a campanha pelo Fora Bolsonaro, que a gente já está fazendo há muito tempo, e essa campanha é mais um espaço para gente levar isso para frente.

DCO: Qual o Programa do PCO para as mulheres nestas eleições?

MD: eu participei da elaboração do programa para as mulheres, sendo uma das delegadas do estado na Conferência Nacional Eleitoral do Partido da Causa Operária, que aconteceu em agosto deste ano. O PCO é um partido extremamente democrático, pois seu programa é discutido pela militância. Lá a gente discutiu um programa para as mulheres trabalhadoras nas eleições que passasse, sobretudo, pelo fora Bolsonaro e pelo Lula candidato, mas também tem coisas mais pontuais, tendo sempre em vista que a nossa participação nas eleições serve para denunciar a fraude eleitoral e para combater a burguesia, que é, no final das contas, a maior inimiga das mulheres. No nosso programa, não tem nada dessas propostas paliativas e demagógicas que tentam resolver o problema das mulheres através de aumento da repressão e por outros aspectos que não a luta política real das mulheres dentro da luta de classes. Tentam afastar bastante disso, colocar o problema como uma questão moral, de “machismo”, que todo mundo já nasce assim e que tem que tirar isso da cabeça das pessoas, mas na verdade é uma questão política social atrelada diretamente a situação que a classe trabalhadora vive por conta da burguesia.

No programa a gente tirou várias resoluções para garantir acesso das mulheres a creche para os filhos, garantia a licença maternidade, que as mulheres tenham tempo para amamentar os filhos enquanto trabalham, pela questão do desemprego, etc.  Os ataques que a burguesia lança sobre a classe trabalhadora tende a afetar mais as mulheres porque nós somos uma camada mais oprimida da sociedade. Então tudo o que acontece com todo mundo acaba acontecendo duplicado ou triplicado com a gente. O desemprego atinge mais as mulheres, no caso do coronavírus, as mulheres grávidas e puérperas que morreram no Brasil representam 70% dos casos de mulheres que morreram no mundo. Enfim, não adianta a gente ficar prometendo coisas que não vão levar a uma solução real dos problemas das mulheres. Se a gente não passar pela luta e a mobilização das mulheres se unindo com os trabalhadores e lutar contra a burguesia, nada vai adiantar. Nossas propostas para as mulheres nas eleições vão nesse sentido.

DCO: 3.Você poderia falar sobre a questão do aborto? Um direito das mulheres que vem sendo atacado duramente pela direita.

MD: O Partido da Causa Operária e o Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo entende que o aborto é uma reivindicação fundamental das mulheres. Desde sempre no movimento das mulheres reivindica a legalização do aborto e sem qualquer restrição. No Brasil o aborto é criminalizado e é excepcionalmente permitido em alguns casos (estupro, anencefalia e risco de vida para a mulher) e ainda assim, em muitos desses casos a gente vê que tem uma dificuldade imensa para que as mulheres consigam ter acesso ao serviço ao aborto legal. O caso que mais chama atenção é no caso do estupro, houve recentemente toda aquela movimentação no caso da menina de 10 anos que foi estuprada e quase não consegue abortar porque a direita e a extrema direita do governo Bolsonaro tentaram impedir.  Nesse sentido fica bastante claro que, mesmo que esteja lá na lei a garantia que a mulher tem o direito a abortar em caso de estupro, mesmo assim existe o risco de ela não conseguia abortar. Então isso só deixa mais claro ainda a necessidade da luta das mulheres por suas reivindicações, inclusive pelo aborto, que é uma das mais fundamentais.

Permitir ou não o aborto é um instrumento que a burguesia tem para controlar a mulher, para eles decidirem se a mulher vai continuar grávida ou não, vai ter um filho ou não. E isso acaba influenciando bastante, porque você obrigar mulheres a terem filhos é obrigar as mulheres a ficarem presas a família e ao lar e afastar as mulheres da luta política. A família e os filhos são usados dessa forma e, nesse sentido,  a gente entende que não dá pra para submeter  a luta das mulheres  e seus direitos à burguesia porque mesmo que esta dê algumas coisas às vezes para apaziguar os  ânimos, ela sempre pode e vai tirar assim que for necessário. Então as reivindicações das mulheres hoje têm que passar por uma luta real das mulheres. Tem que ser uma imposição da vontade das mulheres, tem que ser conquistados pelas mulheres, e não uma coisa dada pela burguesia, nem que dependa do judiciário do legislativo etc.

O aborto e também o estupro, são um grande problema principalmente para as mulheres trabalhadoras. Essas mulheres são as principais vítimas por questões sociais já que esses crimes estão diretamente relacionados as mazelas sociais que o capitalismo gera com pobreza fome etc.  Os casos de estupro, a solução que é apresentada pela burguesia (e que a esquerda acaba aderindo) é o aumento da repressão, mas o que o que não resolve em nada e só dá mais força para o estado reprimir a população. Com o aumento da repressão essa situação só vai piorar para a classe operária, enquanto as mulheres vão continuar sendo estupradas. Vão continuar com todos os problemas que sempre tiveram e nada vai ser resolvido. O que resolve é a mobilização das mulheres, a auto defesa.

Na questão do aborto a gente entende como uma das reivindicações principais das mulheres justamente por ter essa questão da opressão da família do lar, que é uma prisão para as mulheres. Nós defendemos que o aborto deve ser legalizado completamente e deve ser dado todo o apoio necessário para mulheres que queiram abortar, e que não haja nenhum tipo de restrição ao aborto, que deve ser uma escolha das mulheres, não por uma questão subjetiva de vontade mas por que isso é determinante na situação política.

DCO: Suas considerações finais

MD: Gostaria de destacar à importância da participação das mulheres trabalhadoras nas eleições através de um partido revolucionário. Muito se fala de ampliar a participação das mulheres na política, mas essa participação acaba servindo para a direita fazer demagogia e usar mulheres na campanha a favor da burguesia e não dos interesses das mulheres. Então no PCO, as mulheres que participam das eleições estão lá de fato para defender os interesses das mulheres, da classe trabalhadora, e não para fazer demagogia com as reinvindicações das mulheres e entrar no jogo da burguesia.

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