Colaboração de classes
Governador do Maranhão elogiou o encontro que não aconteceu entre Ciro Gomes e o ex-presidente Lula
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Brasilia DF 06 08 2018 O PDT anuncia Kátia Abreu para vice de Ciro GomesO PDT deve anuncia a senadora Kátia Abreu (TO) como candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes na disputa presidencial da eleição de 2018.foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil
Ciro Gomes | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em entrevista recente ao jornalista Fábio Pannunzio, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), elogiou uma inexistente “reaproximação” entre o ex-presidente Lula e Ciro Gomes. Na última semana, a imprensa burguesa fez bastante alarde de um suposto encontro entre o petista e o pedetista. O encontro, no entanto, nunca existiu, conforme revelou Luizianne Lins, candidata do PT à prefeitura de Fortaleza, e Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT.

O próprio fato de que a imprensa burguesa deu tanta repercussão ao “encontro” inexistente revela o interesse da burguesia em incentivar esse tipo de “aliança”. O “diálogo” entre Ciro Gomes e Lula, no entanto, não seria apenas uma questão eleitoral. Não se trataria de um mero acordo feito entre dois caciques de partidos burgueses, como se Rodrigo Maia (DEM) e Marcello Crivella (Republicanos) tivessem se reunido. O tamanho interesse nesse tipo de “aliança” se dá porque ele representa a política da “frente ampla”.

Segundo Flávio Dino, uma aliança entre Ciro Gomes e Lula seria positivo porque seria importante “ter uma união progressista, união popular, união civilizacional para proteger o Brasil da barbárie, do atraso, das trevas que é o que o Bolsonaro e o bolsonarismo representam”. Não há dúvidas de que o governo Bolsonaro e todo o seu atraso deve ser derrubado. Contudo, a “união civilizacional” em questão não tem nada a ver com um combate efetivo ao governo Bolsonaro.

A união entre a esquerda e Ciro Gomes não tem nada de civilizacional, popular ou progressista. Ciro Gomes fugiu do País em meio às eleições de 2018 para favorecer a candidatura de Bolsonaro. Seu partido aparece coligado com o DEM e partidos de extrema-direita em inúmeras cidades. Além disso, o pedetista conserva, em seu histórico mais recente, uma série de crimes políticos: apoiou a intervenção militar no Rio de Janeiro, a venda da água para a Coca Cola e a entrega da base de Alcântara. Ao mesmo tempo, tem ecoado a campanha fascista contra o PT e Lula, acusando ambos de corrupção e, até mesmo, de serem responsáveis pela vitória eleitoral de Bolsonaro.

As posições reacionárias de Ciro Gomes são simplesmente o reflexo daquilo que ele de fato é: um típico político burguês, um elemento do chamado “centrão”. Nesse sentido, o elogio de Flávio Dino a Ciro Gomes é, no final das contas, um elogio ao centrão e aos políticos burgueses em geral. Ou seja, trata-se de um apoio à política reacionária da “frente ampla”, de submissão da esquerda aos partidos e políticos falidos da classe dominante.

O caráter reacionário desse tipo de aliança fica claro na própria declaração de Flávio Dino

“Lula e Ciro são grandes lideranças. Eles conversarem é muito bom”. Isto é, o motivo para uma aliança não seria um objetivo em comum, mas simplesmente porque seriam “lideranças”, o que não é fato. Ciro Gomes não é liderança alguma: é apenas um político burguês com uma pequena influência sobre as oligarquias do Ceará. Todo o “apoio” que Ciro Gomes tem além disso vem justamente da burguesia. Um apoio tão artificial que pode ser retirado da noite para o dia.

E mesmo que fosse uma liderança, isso não deveria ser motivo suficiente para uma aliança. Afinal, Bolsonaro é uma liderança da extrema-direita. Com uma base social mais ampla que Ciro Gomes, inclusive. Mas Flávio Dino, pelo menos por ora, nunca chegou a propor uma aliança entre Lula e Bolsonaro contra Bolsonaro.

Uma política de alianças só faz sentido quando há determinados objetivos em comum. Mas não há qualquer objetivo concreto: nenhum programa para o desemprego, para os direitos democráticos, nem para o coronavírus. Há apenas palavras abstratas, o que é uma prática típica da demagogia oportunista da burguesia.

No desespero de forjar a aliança, Flávio Dino chega ao absurdo de dizer:

“Eu achei muito positivo que haja esse diálogo. As diferenças são legítimas, mas vocês são testemunhas do tanto que eu tenho falado nisso, insistentemente, de uma união ampla, colocar consensos na frente de dissensos, convergências na frente de divergências, olhar mais para frente”.

Ou seja, o apoio de Ciro Gomes à candidatura de Bolsonaro e a todos os ataques criminosos do Congresso Nacional aos trabalhadores é legítimo para Flávio Dino. Nesses termos, então, qual seria o sentido então de fazer a aliança contra o governo Bolsonaro? Não há sentido algum, pois seria uma frente formada por setores que querem, abertamente, sabotar a luta contra a direita. Nem mesmo mentir e dizer que estaria arrependido seria necessário: para Flávio Dino, as posições criminosas de Ciro Gomes seriam aceitáveis.

A política da “frente ampla” é injustificável de um ponto de vista racional, mas, mais do que isso, é o resultado de um interesse muito bem definido: o da burguesia recuperar o espaço cedido à extrema-direita e controlar diretamente as organizações populares. É preciso romper com essa política reacionária e depositar na força dos trabalhadores o único meio para derrotar o fascismo.

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