Movimento Estudantil
Candidata à diretoria da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara que obteve mais votos no geral, perde por conta de peso maior dos votos dos professores
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Campus da Unesp de Araraquara | Foto: Reprodução

As eleições para a reitoria e a diretoria das universidades brasileiras são algumas das eleições mais antidemocráticas que existem em todo o planeta. Na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara (FCLAr) não é diferente e as eleições deste ano para a diretoria expuseram isso de forma muito clara.

O principal fato que faz com que as eleições sejam extremamente antidemocráticas é que o voto dos alunos e dos trabalhadores técnico-administrativos tem peso de 15% cada no resultado final das eleições, enquanto o corpo docente possui 70% do peso dos votos. Ou seja, nem se o setor técnico-administrativo e o setor estudantil se unissem e votassem em peso em um candidato, esse candidato poderia ganhar as eleições sem o apoio dos professores da universidade.

Para piorar a situação, as eleições deste contaram com um contraste gigantesco no que diz respeito à questão do EAD na universidade. A candidata derrotada, Renata Soares Junqueira, se colocou desde o início contrária à implantação do EAD na universidade, dizendo claramente que se tratava de um ataque ao ensino, aos professores, aos estudantes e trabalhadores da universidade. Por sua vez, o candidato vencedor, Jean Cristtus Portela, se posicionou a favor do EAD durante o período de pandemia, o que enfureceu os alunos da FCLAr.

O EAD acabou sendo aprovado e tem sido muito penoso para todos os estudantes, não só pela baixa qualidade do ensino, mas também por conta de muitos dos estudantes, principalmente os mais carentes, não terem a possibilidade de realizar seus estudos por falta de acesso à internet, por não terem computadores, celulares ou simplesmente por não terem um local calmo para a realização das atividades.

Além disso, o EAD pode jogar um número gigantesco de professores e de trabalhadores da educação no desemprego, já que as aulas gravadas podem ser passadas para um número maior de alunos com menos custo ao estado, o que rebaixaria ainda mais a qualidade do ensino.

Renata, a candidata contrária ao EAD, se destacou no período por cobrar não só outros professores, mas também alunos pertencentes a alguns centros acadêmicos que acabaram traindo a vontade da maioria dos estudantes e votando a favor do EAD.

No Facebook da candidata, é possível ver vários ataques contra o EAD, como quando a candidata cita uma reunião online em que o reitor da Unesp está presente. A candidata disse: “Debate entre os reitores de universidades públicas de SP. Não deixem de ouvir o reitor da UNESP, que é o primeiro a falar. Ele escancara que o EaD veio pra ficar e que o ensino na UNESP será, doravante, um ensino HÍBRIDO. Alguém ainda acredita em EaD “emergencial”?”

Voltando às eleições, a candidata obteve somente por parte dos alunos 771 votos, o que já é mais do que todos obtidos pelo candidato “vencedor”, que teve 307 votos dos alunos. Por parte dos professores, Renata teve 41 votos, enquanto Jean teve 69. Por fim, os técnico-administrativos deram 22 votos a Renata e 79 a Jean.

No total, Renata obteve 834 votos, enquanto Jean obteve 455. No entanto, por conta do peso maior dos votos dos professores, o pleito acabou com a eleição de Jean com 62,71% dos votos, enquanto Renata obteve 37,29%.

Outro número que se destaca é a abstenção dos estudantes nas eleições, com 1941 optando por não votar. O número gigantesco diz respeito exatamente ao fato de que as eleições são pura fachada e a participação estudantil não altera em nada o resultado final. Limitados a apenas 15% do resultado final, os estudantes que são a maioria esmagadora da universidade não tem o mesmo peso que os votos de 115 professores.

Segundo alguns alunos, Renata sempre se destacou pela proximidade com os estudantes e por ser favorável à luta estudantil, o que fez com que criasse inimizades dentro de círculos dos professores da universidade, proximidade que é demonstrada pelo número de votos obtidos por parte dos alunos.

Longe do que acreditam alguns universitários que adotam políticas da burguesia, dentre eles, por exemplo, os identitários, uma maior parte dos professores universitários não fazem parte de uma classe progressista. Muito pelo contrário, são parte da burguesia e acabam atuando pela conservação do regime capitalista e antidemocrático, sendo, inclusive, os ideólogos das teorias idealistas burguesas que se opõe à luta da classe operária.

Eleições como essa servem para mostrar como quando um dos professores universitários resolve adotar uma política mais progressista, ele tem essa política travada pelo próprio funcionamento das universidades.

O ocorrido na FCLAr é apenas uma pequena amostra da democracia vigente no Brasil, em que a vontade da maioria não é respeitada por questões que são apresentadas como burocráticas e normais, mas que, na verdade, fazem com que a vontade da burguesia sempre prevaleça, como ocorreu, por exemplo, nas eleições de 2018, quando o candidato que a maioria queria votar, Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso para que não ganhasse as eleições, em um esquema armado pelo imperialismo em conjunto com a burguesia nacional.

É preciso que os alunos se mobilizem e exijam que os resultados das eleições sejam baseados na maioria absoluta dos votos e não em fórmulas mágicas apresentadas pelas universidades para que a burguesia, nesse caso os professores, escolham quem serão seus representantes.

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