Em meio à onda golpista
Em plena temporada de golpes de estado por parte do imperialismo, é preciso avaliar com prudência as pequenas vitórias para não alimentar ilusões.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
50138385507_ec5a062400_k
Carolina Cosse, eleita pela Frente Ampla para a prefeitura da capital do Uruguai. | Foto: Comunicación Desarrollo Social (Flickr).

A coalizão uruguaia Frente Ampla venceu no último domingo a eleição para a prefeitura da capital Montevidéu. A ex-ministra da Indústria, Carolina Cosse, foi eleita prefeita no que será o sétimo mandato seguido da Frente Ampla na cidade.

Enquanto parte da esquerda, em especial os “craqueiros eleitorais”, celebra ingenuamente essa “vitória de Pirro”, a direita e a extrema-direita controlam o país sul-americano. Pirro (318 a.C. – 272 a.C.) foi rei do Epiro e da Macedônia, ficando eternizado o seu balanço após a vitória sobre os romanos na Batalha de Ásculo: “Outra vitória como esta e estamos acabados”. Ou seja, uma “vitória de Pirro” significa que os ganhos obtidos na vitória não compensam as perdas envolvidas.

As últimas eleições presidenciais no Uruguai deram a vitória para uma coalizão entre direita e extrema-direita, que tirou a Frente Ampla do governo do país. A interferência dos militares foi marcante no processo eleitoral, primeiro apoiando o candidato de extrema-direita do Cabildo Abierto e depois espalhando ameaças na véspera da votação através de mensagem amplamente divulgada no WhatsApp, numa campanha de terror. Ainda existe uma grande possibilidade de haver ocorrido fraude eleitoral, pois o resultado foi bem apertado.

Nesse cenário de guinada à direita, que foi favorecida pela política de conciliação da Frente Ampla (que incluiu até acenos ao imperialismo), a vitória municipal tem pouca relevância e não altera o quadro geral do regime político uruguaio.

É preciso ter muita clareza nesse ponto, pois guarda muita relação com a situação brasileira. A esquerda que ficou entocada durante todo o governo Bolsonaro, eleito a partir de uma fraude, agora vem a campo para semear ilusões nas eleições municipais. Além de ignorar as possibilidades reais de eleger prefeitos e vereadores, esses setores pequeno-burgueses prestam um enorme desserviço ao sugerir que o quadro político pode ser transformado através das eleições municipais.

Não podemos ignorar, para ter uma análise lúcida, que vivemos em meio a uma onda de golpes impulsionados pelo imperialismo, em especial na América Latina. Em cada país essa tendência se manifestou de uma maneira própria nos processos eleitorais. No Brasil, o judiciário impediu a participação do candidato mais popular; no Equador, o candidato apoiado pela esquerda foi comprado e se tornou um fiel escudeiro do imperialismo norte-americano; na Bolívia, um golpe militar mais explicitamente fascista, que recusou aceitar a derrota eleitoral; na Argentina, a derrota já veio antes das eleições, quando Cristina Kirchner abriu espaço para a ala direita do Partido Peronista, e a crise se acentua.

A tendência à fascistização do regime político faz com que a esquerda, presa no jogo institucional, acompanhe uma direitização da política, distanciando-se do movimento popular e, aderindo a uma política direitista, perdendo legitimidade dentro desse movimento.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas