A luta contra Lula
O dirigente do PSOL, Valerio Arcary, defende mudanças no PT ingressando no grupo de FHC, Mourão e da imprensa golpista
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Boulos tenta sugar a popularidade de Lula | Arquivo.

Existe um fenômeno interessante nos meios da esquerda pequeno-burguesa, em especial naquela acadêmica, que é procurar disfarçar ou até justificar posições direitistas por meio de enrolação argumentativa, histórias mal contatas cujos fatos são distorcidos para parecerem provar o presente, frases de efeito e teoria mal aplicadas. Esse é o caso do colunista do sítio Esquerda online e dirigente da corrente Resistência do PSOL, Valerio Arcary.

Arcary tem sido uma espécie de ala esquerda das manobras golpistas da frente ampla. Defendeu a candidatura Boulos como a última palavra em radicalismo, ignorando todas as manifestações direitistas da candidatura do PSOL em São Paulo, muitas delas óbvias como o apoio recebido pela imprensa golpista.

A nova coluna de Arcary é um ótimo exemplo do que estamos falando. O colunista do PSOL se aventura a discutir “Aonde vai o PT?”. Para qualquer pessoa que acompanha atentamente o desenvolvimento da situação pós eleições, fica claro que Arcary procura se juntar ao seleto grupo de personalidades que decretaram a morte do PT, a necessidade de mudança na direção do partido e o mais importante de tudo isso, a “ultrapassagem” de Lula por uma nova geração de esquerda.

O seleto grupo do qual faz parte Arcary tem não apenas insuspeitos membros do próprio PT como Jaques Wagner, como também suspeitíssimos direitistas como FHC, todos os jornais burgueses e até mesmo o vice-presidente general Mourão.

Mas para tentar se diferenciar do grupo, Arcary, no início de sua coluna procura nos ensinar um pouco da história da direção da classe operária brasileira, voltando até o PCB, passando pela ditadura militar e finalmente a formação do PT nos anos 80.

Mas toda essa história não serve para nada. Vejamos o que interessa:

A transformação do PT passa por uma nova direção. O que não é possível sem uma divisão de sua corrente majoritária e o triunfo de uma “revolução interna”. Sem uma nova direção disposta a correr riscos, tencionar as relações com a burguesia na luta contra Bolsonaro, o PT definhará. Esta decadência já começou, mas não é irreversível.

Depois de toda a enrolação, Arcary, que é do PSOL, quer uma nova direção para o PT e mais ainda uma “revolução interna” dentro do partido. A primeira questão importante e que Arcary não explica abertamente é contra quem será a tal “revolução interna”.

O autor não diz abertamente porque do contrário teria que se colocar contra uma pessoa em particular: Lula. É Lula e seu grupo que ainda mantém a direção do partido. Embora haja muitas divisões internas, a popularidade e a influência da ala lulista nos cerca de 3 mil sindicatos cutistas e movimentos sociais dão a ela a direção do partido na pessoa de Gleisi Hoffmann, presidenta do partido.

É contra a ala lulista que deveria então se voltar a “revolução interna” no PT. Esse fato coloca Arcary, como dissemos no mesmo grupo daqueles que pedem a renovação na esquerda, alegando que Lula está velho e acabado.

A quem interessa tal apreciação? Arcary, como dissemos no início, faz parte de uma ala esquerdista da frente ampla. Guilherme Boulos, o grande homem de Arcary, é um dos principais incentivadores dessa frente que constitui uma aliança com elementos da direita golpista. Mais ainda, passa por essa operação o isolamento de Lula para que a esquerda seja colocada a reboque da direita.

Se o PT se livrar de Lula por meio de uma “revolução interna” o próprio PT, agora dominado por setores que inclusive são defensores da frente ampla, pode ingressar na manobra. É por isso que FHC, Mourão e a imprensa golpista defendem a “renovação no PT” assim como Arcary.

O que querem esses setores é que o PT se transforme num partido pequeno-burguês, que perca sua base popular, e se torne o partido dócil que é, por exemplo, o PSOL.

Arcary diz ainda que se não houver tal renovação no PT o partido “será substituído pela esquerda, sobretudo, na juventude, pelo PSOL, o que seria progressivo”. Aqui fica ainda mais claro o que está em jogo. Existem duas opções: ou o PT se transforma em um PSOL ou o PSOL substitui o PT.

Ao contrário do que diz Arcary tal transformação política não tem nada de progressista. O PT não é um partido operário, mas a presença de Lula no partido, mesmo com sua política de conciliação e reformista, deu ao partido uma base popular que permite uma certa autonomia diante dos interesses da burguesia. Esse é todo o problema da direita golpista nesse momento.

A direita aceita o PSOL, aceita até mesmo um PT sem Lula, mas não pode admitir nenhuma mínima política independente. O golpe foi dado em primeiro lugar contra Lula porque justamente em Lula, com todas as deformações que se possa apontar, o povo viu uma via para levar adiante uma política que a representasse. Por isso a direita retirou o governo do PT e prendeu Lula para que este não voltasse a ser presidente, não pudesse sequer ser candidato.

O PSOL não tem a mesma base social, pelo contrário, conta com uma base na classe média, facilmente manipulada pelas manobras da burguesia.

Arcary explica que o PT e Lula levam adiante uma política de conciliação e reformista, mas ignora que seu PSOL tem exatamente a mesma política. As eleições municipais, inclusive, serviram como demonstração final dessa realidade. Para quem tinha alguma dúvida sobre o caráter político e ideológico do PSOL, a campanha de Boulos, o apoio a Eduardo Paes (DEM) e um sem número de exemplos deixam claro que o partido é o que Arcary fala do PT: um partido de colaboração de classes e reformistas. Um reformismo sem reformas, diga-se de passagem.

Arcary deveria responder o que seria progressista então a substituição do PT pelo PSOL se do ponto de vista político trata-se de partidos reformistas e de colaboração e do ponto de vista de sua base social o PSOL não é nada mais do que um agrupamento de classe média.

Arcary, a serviço da política da frente ampla, ignora os fatos, mas tenta enrolar o leitor. Não há possibilidade do desenvolvimento de uma política de mobilização da classe operária por meio de uma manobra artificial que visa se livrar de Lula. Pelo contrário, a mobilização, inclusive no terreno eleitoral, passa pela luta pelos direitos políticos de Lula e por sua candidatura em 2022. É essa política a única capaz, nesse momento, de enfrentar os golpistas, justamente por ser a única política vetada pelos golpistas.

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