Burocracia sindical
O adiamento da greve e a ilusão no STF serve para desmobilizar a categoria no momento de maior ataque já sofrido pelos Correios em todos os tempos
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
correios 1607
Greve foi adiada para o dia 18. | Arquivo

Está muito longe de ser um exagero a afirmação de que os trabalhadores dos Correios estão diante do maior ataque já sofrido pela categoria em todos os tempos.

Isso porque, depois de décadas de preparação da privatização da empresa, o governo fascista de Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciaram aberta e publicamente que a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) será vendida para os capitalistas abutres do monopólio do mercado postal. Bolsonaro, fazendo jus ao governo entreguista e capacho dos norte-americanos, está decidido a entregar um dos maiores patrimônios brasileiros.

A privatização, não é segredo para ninguém, resulta em demissões em massa, que já estão acontecendo. Desde 2010 não há concurso público nos Correios, em contrapartida todos os anos houve PDVs (Plano de Demissões Voluntárias) e funções extintas, o que a essa altura resultou num grande número de terceirizados trabalhando na empresa.

Para entregar a empresa aos capitalistas, Bolsonaro e Guedes sabem que precisam atacar os trabalhadores. Precisam enxugar ao máximo o que os patrões chamam cinicamente de “gastos com pessoal”. Por isso, o presidente da ECT, general Floriano Peixoto, apareceu na imprensa golpista declarando que o trabalhador dos Correios é “privilegiado”, uma justificativa de tipo ideológica para um ataque contra os direitos da categoria.

Nunca é demais lembrar que esses “privilegiados” são da categoria de menor salário entre todas as estatais e que esses privilegiados são obrigados a enfrentar uma carga de trabalho extenuante todos os dias.

Preparando a privatização, a direção golpista da ECT apresentou na campanha salarial uma proposta de acordo coletivo – se é que podemos chamar assim – que prevê a extinção de quase todas as cláusulas da categoria, reduzindo tudo ao mínimo do que está previsto ainda na CLT (que também está sendo atacada pelos golpistas). A destruição desses direitos será uma ataque sem precedentes às condições de vida dos mais de cem mil trabalhadores e suas famílias.

Como está claro, a situação é de enorme gravidade, tanto política como economicamente.

E é nessa situação que entram os sindicalistas que dirigem a maior parte dos sindicatos da categoria. Acumulando quatro adiamentos de greve apenas esse ano, esses sindicalistas têm representado um enorme freio à luta dos trabalhadores no pior momento.

A vontade de não lutar é tão grande que tudo é motivo para desmobilizar. Dirigidos pelos partidos da esquerda pequeno-burguesa (PT, PCdoB, PSTU e PSOL), que adota sistematicamente a política de desmobilização, que apenas de intensificou com a desculpa da pandemia e do “fique em casa”, esses sindicatos mais uma vez adiaram a greve que estava marcada para acontecer hoje, dia 5.

A justificativa dessa vez foi o STF. Sim, os sindicalistas, para não ter que chamar os trabalhadores a se mobilizar contra o maior ataque já sofrido pela categoria, jogam suas fichas nos 11 ministros golpistas do STF. Diga-se de passagem, Dias Tófoli já tomou decisão contrária aos trabalhadores, mas a crença nos tribunais inimigos dos trabalhadores não tem limites para os sindicalistas.

Mas a coisa é muito pior do que a simples ilusão no STF. Segundo esses sindicalistas, a categoria deveria esperar que os ministros da Corte aceitem que a empresa adote um acordo com validade de dois anos e assim não passa impor o acordo coletivo da devastação.

A paralisia desses sindicalistas é tão imensa que chegam ao absurdo de confiar numa política completamente sem futuro. Explicando melhor, mesmo na hipótese de o STF aceitar o pedido dos sindicatos o que ganha o trabalhador em esperar? Absolutamente nada, pelo contrário, o trabalhador estará apenas adiando a sua entrada no matadouro. Não será uma decisão pontual que vai parar o governo Bolsonaro e a direção da empresa que já anunciaram sua decisão de privatizar os Correios. A máquina de destruição já está ligada, a única resposta possível dos trabalhadores é uma reação enérgica.

Toda a política dos sindicalistas tem como resultado a paralisia dos trabalhadores.

Mas não é só isso. Imaginemos que haja uma ponta de realidade na hipótese defendida pelos sindicalistas de que haveria alguma chance de o STF tomar uma decisão favorável. A única maneira eficiente de forçar o STF a tomar tal decisão é greve e a mobilização.O que propõem os sindicalistas para o trabalhador é ficar assistindo passivo ao Tribunal, torcendo – de longe – para que tudo dê certo.

Mais uma vez, se impõe uma política de paralisia.

O principal bastião dessa política no movimento sindical dos Correios é o PCdoB, que dirige os dois maiores sindicatos do País, São Paulo e Rio de Janeiro, e que anos atrás ressuscitou uma federação patronal para dividir o movimento nacional dos trabalhadores. Esses pelegos querem que o trabalhador “não tome medidas radicais”, como diz uma de suas notas publicadas recentemente. Eles marcaram a greve para o dia 20, mostrando que estão dispostos a ir até as últimas consequências para impedir a mobilização dos trabalhadores.

A única e legítima federação da categoria, a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), que reúne a esmagadora maioria dos sindicatos, pela política de sua direção – PT e PSTU principalmente – colocou os trabalhadores a reboque dos pelegos do PCdoB/Findect, com o pretexto de “unificar” a greve, chegando num acordo de realizar a greve no dia 18, abandonando o calendário da Fentect com greve prevista para o dia 5.

Esse acordo entre com o PCdoB é uma grande armadilha que serve para desmobilizar os trabalhadores e possibilitar que os patrões se organizem em melhores condições para atacar a categoria.

Dessa maneira, liderados pelo PCdoB, PT, PSTU e PSOL colocam em marcha uma política criminosa, que amarra dos trabalhadores e desarma a categoria no momento de maior gravidade.

A política do PCdoB só pode ser quebrada chamando a categoria nacionalmente, incluindo em São Paulo e no Rio de Janeiro, a passar por cima dessa política de paralisia e não se adaptando a ela.

Só uma mobilização radical, com uma greve geral que unifique concursados e terceirizados, com piquetes e ocupação dos setores poderá ser capaz de frear a enorme ferocidade com que Bolsonaro ataca a categoria. É preciso uma política que não apenas levante as reivindicações econômicas e sociais da categoria, mas que deixe claro que a vitória completa dos trabalhadores só pode vir com a luta pela derrubada do governo Bolsonaro.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas