Clube-Empresa
Compra de décimo clube por um monopólio do futebol mostra o perigo da tomada do futebol pelos capitalistas
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Marca da City Football Group, dona do Manchester City e mais dez clubes | Foto: Reprodução

No último dia 03 de agosto, o City Football Group (CFG), empresa britânica pertencente ao sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos, anunciou a compra do ESTAC Troyes, clube de futebol do leste da França que atua na segunda divisão do campeonato francês. Num contexto em que cada vez mais os clubes de futebol têm sido postos sob comando de grandes capitalistas, essa compra poderia passar despercebida, todavia tal aquisição já é a décima feita pela corporação que possui como principal propriedade o milionário clube Manchester City, da primeira divisão do futebol inglês e considerado um dos melhores e mais ricos clubes do mundo.

O CFG é igualmente proprietário dos clubes New York City (EUA), Melbourne City (Austrália), Yokohama F. Marinos (Japão), Girona (Espanha), Sichuan Jiunin (China), Mumbai City (Índia), Montevideo City Torque (Uruguai) e Lommel SK (Bélgica). Como pode-se constatar, o conglomerado comandado pelo emir é dono de clubes em quase todos os continentes, mostrando ser um monopólio que começa a tomar conta de clubes no mundo inteiro. 

Outro exemplo bastante conhecido de grande corporação que tem sob seu poder vários clubes é a empresa austríaca Red Bull GmbH, dona da famosa marca de energéticos Red Bull. A Red Bull é proprietária dos clubes RB Leipzig (Alemanha), Red Bull Salzburg (Áustria) e tem presença aqui no Brasil com os clubes Red Bull Brasil, de Campinas, e Red Bull Bragantino, de Bragança paulista. Este último causa muita polêmica nas mesas redondas por se tratar do antigo e tradicional Clube Atlético Bragantino, que já foi campeão estadual e vice-campeão brasileiro, e revelou o volante tetracampeão mundial Mauro Silva e o hoje consagradissimo técnico Vanderlei Luxemburgo. 

Numa propaganda muito semelhante com a que é feita a favor da privatização de empresas estatais, afirmando que os órgãos públicos são altamente corruptos, funcionam mal e geram prejuízo e que a solução, portanto, seria passá-los para a supostamente honesta e bem gerida iniciativa privada, a imprensa capitalista brasileira propagandeia que o melhor para o futebol brasileiro seriam os clubes-empresas,colocar os clubes sob o poder de empresários, já que estes não seriam corruptos e saberiam administrar um clube sem haver problema financeiro e com sucesso esportivo. O Brasil é um dos principais alvos dos grandes empresários do ramo do futebol. Por se tratar de um país onde o esporte é paixão nacional, com muitos clubes tradicionais, de grande torcida, e que já estão consolidados, os capitalistas do esporte certamente lucrariam altissimamente, e para isso colocam a grande e venal imprensa  para fazer propaganda em seu favor.

Ao invés de fundarem seus próprios clubes começando do zero para ascender esportivamente, para este setor da burguesia mais interessa comprar clubes que já estejam consolidados, estruturados e com grande público (torcida). O Red Bull Brasil, mencionado anteriormente, foi um projeto fracassado da Red Bull, que vendo que o mesmo nao iria pra frente, preferiu comprar um clube minimamente bem sucedido, o Bragantino, e assim chegar mais rápido à primeira divisão do futebol brasileiro. Como se a compra já não bastasse, toda a identidade do clube foi perdida, sobretudo o escudo, que passou a ser nada mais do que a marca da bebida de energéticos. Quando a burguesia toma conta do futebol, toda tradição e história construídas é jogada na lata do lixo.  

 

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