Uma polêmica com a CUT: oposição “propositiva” seria uma colaboração com os golpistas

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A oposição ao governo de Jair Bolsonaro não pode ser uma oposição “propositiva”. O movimento popular e sindical deve entender que apresentar propostas de classe para a extrema-direita que chegou ao poder não dará qualquer tipo de resultado positivo aos trabalhadores.

O governo Bolsonaro está sendo construído para implementar o mais devastador ataque aos direitos do povo jamais visto na história do País. É um governo dos capitalistas, dos latifundiários e dos militares. É um governo pau-mandado do imperialismo.

Nesse sentido, as afirmações do presidente da CUT, Vagner Freitas, são totalmente equivocadas para a mobilização independente dos trabalhadores. Em entrevista à TV 247 na última segunda-feira (03), ele declarou que a oposição a Bolsonaro não deve ser sistemática e que não vai ignorar todas as possibilidades de acordos ou diálogos com o presidente ilegítimo.

“A gente vai fazer oposição propositiva e nos interesses da classe trabalhadora”, disse. Falou também que, logo no início do governo, a CUT vai convocar um encontro nacional da classe trabalhadora para tirar uma pauta de reivindicações a ser entregue e negociada com o governo. “Se for um governo democrático, vai receber a pauta dos trabalhadores”, comentou.

É preciso ficar claro, em meio a tanta confusão da esquerda, que o governo Bolsonaro nem mesmo pretende ser um governo democrático. Não há negociação a ser feita com a extrema-direira, porque ela não quer negociações. Ele não irá atender minimamente as reivindicações operárias e populares, mas simplesmente esmagar essas reivindicações, porque é um governo comandado pela direita e pela burguesia. O golpe contra Dilma e a prisão de Lula provaram que a burguesia não quer mais conciliação de classes. Ela está buscando derrotar definitivamente a classe operária neste período de intensificação da luta de classes.

Tal pensamento é promovido pela ideia ingênua de que Bolsonaro foi eleito pela maioria do povo brasileiro em eleições normais ou, ao menos, com fraudes toleráveis. “A maioria dos trabalhadores votou, a maioria do povo brasileiro votou” em Bolsonaro, disse o presidente da CUT.

Para ele, mesmo que o político fascista tenha sido eleito porque Lula, o candidato predileto do povo, foi preso ilegalmente, isso não configura que Bolsonaro seja um presidente golpista e ilegítimo. “Eu não posso tratar o governo Bolsonaro da mesma forma que tratamos o desgoverno golpista de Temer. O Temer era um golpista que não era um presidente da República (…), absolutamente irregular.”

Bolsonaro é tão golpista quanto Temer. Bolsonaro é a continuação e radicalização do golpe de Estado. Portanto, só pode ser contestado de maneira igualmente radical. A oposição a Bolsonaro, longe de ser feita nas regras do jogo que os próprios golpistas refizeram aos seus próprios interesses, deve ser uma oposição concreta, sistemática e organizada.

Não se pode reconhecer esse governo ilegítimo fruto da fraude e do golpe, imposto para exterminar a organização da classe trabalhadora. Este governo não representa minimamente os trabalhadores brasileiros, mas sim os inimigos mortais dos trabalhadores. É preciso lutar incansavelmente para derrubar o governo de Bolsonaro e, com ele, todo o regime golpista. É necessário derrubar o governo de Bolsonaro e colocar em seu lugar um governo dos trabalhadores.