A reboque da burguesia
Os defensores da aliança com a direita falsificam fatos históricos para justificar uma política de completa adaptação à burguesia
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Bolsonaro, Doria e Covas: PSDB foi o principal fator de crescimento do bolsonarismo. | Imagem: Arquivo DCO.

Depois de se recusar durante todo o ano de 2019 a enfrentar Bolsonaro, a esquerda decidiu levantar a palavra-de-ordem de “fora Bolsonaro”, em plena pandemia, chegando a protocolar um pedido de impeachment no Congresso Nacional. Não há dúvida de que a mudança de posição é positiva, mas é preciso ter claro a real conteúdo dessa política por parte desses setores da esquerda pequeno-burguesa.

Na última semana, foi realizada a primeira reunião da Frente Brasil Popular na qual estiveram presentes os setores da esquerda que assinaram conjuntamente o pedido de impeachment, uma frente que vai do PCO até o PT, passando por PCdoB, PSOL, PSTU e outros. Nessa reunião, ficou clara a posição de uma parte dessa esquerda em defesa da frente ampla. O maior defensor dessa política é Guilherme Boulos, conhecido por sua política muito confusa – para dizer o mínimo – sobre o golpe de Estado, tendo levantado o “Não vai ter Copa”, a luta contra os “ajustes de Dilma” no momento mais decisiva do golpe etc. Boulos e outros elementos da esquerda assinaram manifesto conjunto com vários setores da direita, incluindo FHC.

Entre os argumentos da frente ampla, está que não se deve ter uma política “baseada num ressentimento”. Segundo essa ideia, deveríamos reconhecer a contribuição de Witzel, Doria, Maia, Luciano Huck e FHC na luta contra Bolsonaro. Os acontecimentos mostram que não há luta alguma. Esses setores não estão na luta contra Bolsonaro; pelo contrário, foram e são um dos principais pilares de sustentação de Bolsonaro.

O argumento dos defensores da Frente Ampla é o de que o fascismo é a monstruosidade absoluta. Sendo assim, seria preciso unificar todos aqueles que não são fascistas contra o fascismo. Essa seria a maneira de derrotar o fascismo, ou seja, até os setores mais direitistas da burguesia vão colocar-se contra o fascismo na medida em que eles mesmos não sejam fascistas.

Tal argumento não se sustenta em nada. Ignora não só a história do fascismo, como a realidade brasileira. No Brasil, o que vimos é que esses elementos supostamente antifascistas foram os responsáveis pela eleição de Bolsonaro. Se Bolsonaro é fascista hoje, não o era menos fascista quando foi eleito, e toda a direita se unificou para apoiá-lo nas eleições.

Mais ainda, para derrotar o PT e fazer triunfar o golpe de 2016 nas eleições de 2018, toda a burguesia elegeu conscientemente o elemento fascista. Esses setores que elegeram Bolsonaro sabiam exatamente qual era a política dele e seu programa econômico de ataques aos trabalhadores.

A política de Paulo Guedes, por exemplo, é apoiada por todos os setores da direita, sem exceção. Não existe uma oposição real a Bolsonaro. No máximo, podemos dizer que a direita tradicional procura fazer uma política para manter Bolsonaro alinhado à política dela, ou, em último caso, criar um desgaste para as próxima eleições.

Do ponto de vista dos ataques democráticos contra o povo, toda a direita tem o mesmo programa que Bolsonaro.

A luta contra Bolsonaro passa pela mobilização das massas, coisa que nenhum desses setores deseja. Essa direita é inimiga de qualquer mobilização pois necessariamente ela se colocaria contra eles. O efeito de uma aliança como essa seria o de colocar a esquerda a reboque da direita, ou seja, uma saída reacionária, por dentro das instituições do regime golpista, numa eventual queda de Bolsonaro.

A tese de Guilherme Boulos não se sustenta para quem conhece minimamente a realidade política nacional. É uma invenção para justificar a aliança com o setor mais podre da direita nacional, reconhecidamente inimiga dos trabalhadores e de todo o povo.

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