Ainda sobre a “frente ampla”
A jornalista golpista Vera Magalhães, a mando de seus patrões, dá conselhos à esquerda sobre como se aliar à burguesia
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
vera
Vera Magalhães | Foto: Fabio Braga/Folhapress

Durante o período da pandemia de coronavírus, a ala mais direitista da esquerda nacional se aproveitou da situação de desmobilização para defender abertamente a política reacionária da “frente ampla”. Dentre esses “amigos da onça”, destacaram-se Guilherme Boulos, dirigente do MTST e do PSOL que assinou inúmeros documentos com a direita que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, e Flávio Dino (PCdoB), que decidiu lançar sua candidatura para presidente da República enquanto o povo morria de coronavírus. A política de aliança com os golpistas, conforme discutimos exaustivamente neste diário, é uma que vem da burguesia e que favorece apenas a essa classe. Neste artigo, a fim de demonstrar o caráter reacionário dessa política, exporemos que Vera Magalhães, representante da direita e, por vezes, da extrema-direita brasileira, não só defende essa política, como pretende dar “conselhos” sobre como formar a “frente ampla”.

Em artigo publicado no dia 25 de junho, a jornalista declarou que:

O termo frente ampla e a democracia como meta deveriam ser fatores a unir esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita, além de setores da direita não-reacionária, mas as diferenças partidárias, as rusgas recentes e o pensamento voltado para 2022 impedem que se tirem os bodes da sala em nome de objetivos comuns.

Em meio a essa definição bastante precisa do que seria a “frente ampla” — bem mais precisa do que as definições dos dirigentes da esquerda nacional, em suas tentativas de amenizar o quão reacionária é essa política —, podemos estabelecer quais seriam os princípios desse tipo de aliança. Seria dissolver as “diferenças partidárias” entre a esquerda e todos os demais segmentos da política nacional para apresentar uma candidatura suficientemente forte para as eleições de 2022.

Aqui, ficam claros duas questões fundamentais sobre a “frente ampla”. Em primeiro lugar, que o seu intuito é eleitoral. Portanto, os defensores da “frente ampla” consideram que a extrema-direita liderada pelo fascista Jair Bolsonaro só pode ser derrotada por meio da união de todos os demais setores. Em segundo lugar, que as diferenças entre o programa que a esquerda defende e o programa que um partido como o DEM defende é um problema secundário.

Ambos os aspectos revelam greves equívocos sobre a situação política. Em primeiro lugar, Bolsonaro não é uma força mais poderosa do que a esquerda isolada. Bolsonaro possui uma base social extremamente limitada e só se tornou presidente por causa de uma fraude eleitoral escancarada. A esquerda, como se viu nas manifestações de maio e em praticamente todas as manifestações populares, é muito superior ao bolsonarismo. Em segundo lugar, as diferenças entre a esquerda e a direita “democrática” não são poucas. Nesse exato momento, o chamado “centrão está defendendo a privatização da água e a destruição de vários direitos trabalhistas.

Apesar de ter um propósito muito bem definido, a frente ampla passa, nesse momento, por um impasse. Afinal de contas, o maior partido de esquerda do País, que é o PT, não está inserido diretamente na frente, o que tem dificultado em muito um acordo entre a esquerda e a direita golpista. Justamente por causa disso, Vera Magalhães decidiu dar seus “conselhos”:

Lula não vai porque, para ele, só interessa uma frente ampla que diga que o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe, sua prisão após condenação por crimes comuns foi política e que, de quebra, faça um linchamento público de Sérgio Moro.

O convite a Moro, aliás, ameaça provocar defecção de setores da esquerda que estavam se desgarrando da orientação de Lula e pretendiam participar.

(…)

Torcer o nariz e fazer campeonato de quem é mais democrata neste momento ajuda uma única pessoa, e ela se chama Jair Bolsonaro. Não surpreende que o PT queira isso: deixando Bolsonaro como espantalho e boicotando qualquer possibilidade de aliança que, lá na frente, possa resultar no apoio a um candidato não-petista, o cacique vive a ilusão de que pode prorrogar sua influência já francamente declinante.

O Lula não ingressou na “frente ampla” porque a ala que o ex-presidente representa é inconciliável com a direita golpista. Lula é a expressão da maioria da população, que está sofrendo com o coronavírus, o desemprego e todos os demais ataques do governo Bolsonaro. Como a própria jornalista de direita deixou claro, a decisão de Lula e da ala que lidera de não participar da “frente ampla” não é um capricho pessoal: Lula não quer participar de uma frente que envolva os responsáveis pelo golpe contra Dilma Rousseff e pela sua prisão.

A decisão de Lula é não somente correta como óbvia. Não há como defender os interesses do povo defendendo, ao mesmo tempo, os interesses da direita que levou Bolsonaro ao poder e que continua a apoiá-lo. O que merece destaque, portanto, é o outro lado: o fato de que a direita se valeu da voz de Vera Magalhães para tentar retirar a influência de Lula do acordo da “frente ampla”. O que a direita quer é uma frente sem Lula, sem o povo e sem qualquer perspectiva de luta. É preciso, portanto, que os trabalhadores rejeitem completamente a frente ampla e se organizem de maneira independente da burguesia.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas