Desistência de Marcelo Freixo
Busca por uma “unidade” junto a setores da direita, como o presidente da Câmara Rodrigo Maia, levará a esquerda a uma derrota estrondosa
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Presidente da Câmara Rodrigo Maia. Foto Najara Araújo/Câmara dos Deputados |

Com o avanço da pandemia de coronavírus e o aprofundamento da crise política, o calendário eleitoral brasileiro permanece uma incógnita — apesar da relativa firmeza dos ministros do TSE em suas declarações sobre o tema, fato é que ninguém sabe se haverá eleições neste ano. No entanto, a renúncia do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) à sua pré-candidatura à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro tem repercutido intensamente nos últimos dias, pois o acontecimento reflete um debate fundamental no interior da esquerda nacional neste exato momento.

Segundo Freixo, a desistência se deu porque não conseguiu fazer com que seu nome fosse uma unanimidade entre a esquerda — sobretudo no que diz respeito ao PCdoB e ao PSB. Isso, por sua vez, tem servido de argumento para que os defensores da chamada frente ampla sigam defendendo uma política que se revela cada vez mais direitista. O próprio Marcelo Freixo tem-se mostrado partidário dessa versão, e suas declarações comprovam, cada vez mais, que sua renúncia se deu em nome de tal política:

Não adianta ficarmos varrendo os nossos quintais quando tem um tufão se aproximando para destruir as nossas casas. Não existe meia vitória contra o fascismo. Só conseguiremos derrotá-lo se caminharmos juntos, a democracia é muito maior que nossas diferenças.

A tese que Freixo e seus seguidores apresenta pode ser apresentada da seguinte maneira: se não há meia vitória contra o fascismo, é necessário que todos aqueles que são contra o fascismo se unam. Quaisquer outros princípios deveriam ser abandonados para que essa “luta” fosse vitoriosa. Nesse sentido, até mesmo a distinção entre direita e esquerda deveria ser dissolvida.

O problema, no entanto, é que a tese pode parecer fazer algum sentido se considerado de uma maneira abstrata, mas, de um ponto de vista concreto, é um caminho para o precipício. Isso porque o fascismo não é uma ideologia, uma escolha que é feita por algumas pessoas que não se deixaram convencer pelos argumentos da esquerda. O fascismo é um recurso da burguesia para manter o controle da situação — e, como tal, é um recurso defendido por todos os elementos que fazem parte da classe dominante. Não é à toa que a burguesia de conjunto apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e todas as arbitrariedades da Operação Lava Jato, pilar do golpe de Estado de 2016.

Hoje em dia, é fato que há setores da burguesia que se posicionem publicamente contra o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Isso, no entanto, não quer dizer que sejam contrários ao fascismo. Muito pelo contrário: posicionam-se contra Bolsonaro apenas por recearem que ele possa colocar em risco a estabilidade do regime político e, com isso, o programa da burguesia. No entanto, no momento em que esses mesmos setores, que incluem o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e tantos outros picaretas, tiverem de escolher entre os interesses da classe operária e a extrema-direita fascista, ficarão do lado dos bolsonaristas sem pestanejar. E, conforme visto durante as eleições-fraude de 2018, esse momento sempre chega: as técnicas tradicionais da burguesia da manipulação da situação entram em falência em um determinado momento, restando a ela lançar mão dos cães raivosos do fascismo.

A própria situação da pandemia de coronavírus tem demonstrado que os setores que se colocam no campo do “centrão”, da burguesia tradicional, se opuseram a Bolsonaro apenas quando Bolsonaro pôs em risco os planos do imperialismo, e não quando ele decidiu atacar a população. Os ataques aos direitos trabalhistas e à própria reabertura econômica têm a assinatura de todos esses setores. No fundamental, não lamentam as mortes de um sistema de saúde em colapso ou a tortura das operações policiais.

É preciso, portanto, rejeitar a política proposta por Marcelo Freixo. Para derrotar o fascismo, é preciso formar uma frente única de luta com a classe operária, a única verdadeiramente interessada em confrontar a burguesia e, portanto, a única interessada em levar até as últimas consequências a luta contra o fascismo.

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